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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Petrobras bate recordes e surpreende o mercado: o que você precisa saber

Petrobras: A receita líquida consolidada alcançou R$ 110 bilhões no trimestre, impulsionada pelo maior volume de vendas, câmbio e preço do petróleo - Jorge Hely/Framephoto/Estadão Conteúdo
Petrobras: A receita líquida consolidada alcançou R$ 110 bilhões no trimestre, impulsionada pelo maior volume de vendas, câmbio e preço do petróleo Imagem: Jorge Hely/Framephoto/Estadão Conteúdo
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Felipe Bevilacqua

05/08/2021 08h34

Hoje vamos conversar sobre resultados divulgados ontem (04), após o fechamento do mercado, pela Petrobras (PETR4) e pelo Banco do Brasil (BBAS3).

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Confira a seguir a análise de Felipe Bevilacqua, analista e sócio-fundador da casa de análise Levante Ideias de Investimento. Todos os dias, Bevilacqua traz notícias e análises de empresas de capital aberto para você tomar as melhores decisões de investimentos. Este conteúdo é exclusivo para os assinantes do UOL.

Petrobras divulga números surpreendentes

Maior companhia estatal do Brasil, a Petrobras (PETR3/PETR4) registrou recordes de rentabilidade e surpreendeu o mercado com os resultados do segundo trimestre de 2021.

A receita líquida consolidada alcançou R$ 110 bilhões no trimestre, impulsionada pelo maior volume de vendas, câmbio em patamar estável em torno de R$ 5,30 por dólar, e principalmente pelo preço médio do petróleo 13% superior, e o de derivados básicos 14,6% superior ao trimestre passado.

O lucro líquido contábil recorrente superou os R$ 40 bilhões, influenciado principalmente pela variação positiva de ativos financeiros devido à oscilação do câmbio, revertendo boa parte das perdas financeiras do primeiro trimestre do ano.

O principal destaque contábil, porém, ficou com o Ebitda recorrente (aproximação da geração de caixa bruta), que alcançou R$ 60 bilhões, com margem de 54,5%, um dos maiores patamares da história da companhia. Com a amortização de R$ 54,8 bilhões em dívidas no trimestre, a companhia alcança o patamar de 1,49 vez na alavancagem financeira (Dívida Líquida/Ebitda), menor patamar desde 2011, em um dos picos do ciclo de petróleo no mundo.

O fluxo de caixa operacional (FCO) foi igualmente positivo, alcançando R$ 56,5 bilhões em apenas um trimestre, com fluxo de caixa livre (FCO após investimentos) chegando a R$ 48 bilhões no período.

A robustez da geração de caixa e a rápida redução do endividamento, auxiliado pelo plano de desinvestimentos, permitiu à companhia aprovar pagamento de dividendos extraordinários no total de R$ 36,1 bilhões de forma antecipada, mesmo sem reportar a meta final de endividamento bruto abaixo dos US$ 60 bilhões (estava em US$ 63 bilhões ao final do 2T21), para desencadear a nova regra no pagamento de dividendos. O pagamento confere retorno sobre as ações (Dividend Yield) de 9,1% considerando o último preço de fechamento de suas ações.

Esperamos reação bastante positiva nas ações PETR3/PETR4 no curto prazo. O resultado espetacular tira temporariamente as atenções da preocupação com uma possível intervenção estatal mais forte sob a gestão do General Silva e Luna. Além disso, os investidores devem disputar o montante de dividendos, impulsionando ainda mais as ações.

Banco do Brasil

O resultado do Banco do Brasil (BBAS3) no segundo trimestre do ano veio acima das expectativas, especialmente em termos de lucro líquido ajustado (R$ 5 bilhões, crescimento de 52,2% na comparação anual e 2,6% em relação ao 1T21) e retorno sobre patrimônio líquido (14,4%, melhora de 2,5 pontos percentuais na comparação anual).

O bom resultado de lucro pode ser atribuído principalmente ao forte crescimento da margem financeira líquida, 34,2% a mais na comparação anual. O banco também mostrou bom controle de despesas administrativas, que ficaram estáveis. A carteira de crédito atingiu R$ 766,5 bilhões, crescimento de 6,1%, com destaque para o segmento de empréstimo pessoal, que cresceu 10,3% no período.

Outro ponto positivo foi a queda na inadimplência para 1,86%, melhora significativa em relação aos 2,84% apresentados no 2T20, momento mais crítico da pandemia. O banco apresentou melhor resultado também nas provisões para devedores duvidosos (PDD), com queda de 49,8% na comparação anual, atingindo R$ 2,9 bilhões.

Acreditamos que os catalisadores para as ações do Banco do Brasil passem principalmente por venda de ativos e melhoria de eficiência. Essas medidas, porém, afetam a popularidade do governo e não devem ocorrer no curto prazo, considerando o contexto atual e a proximidade do ano eleitoral.

Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL