PUBLICIDADE
IPCA
0,87 Ago.2021
Topo

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Bradesco se torna único controlador do banco digital Digio: veja estratégia

Conteúdo exclusivo para assinantes

Felipe Bevilacqua

13/10/2021 09h52

Hoje vamos comentar sobre a aquisição de participação na Comerc pela Vibra Energia (BRDT3) e a respeito da investida do Bradesco (BBDC4) comprando a fatia do Banco do Brasil (BBAS3) em um banco digital que tinham em conjunto.

O UOL tem uma área exclusiva para quem quer investir seu dinheiro de maneira segura e lucrar mais do que com a poupança. Conheça!

Confira a seguir a análise de Felipe Bevilacqua, analista e sócio-fundador da casa de análise Levante Ideias de Investimento. Todos os dias, Bevilacqua traz notícias e análises de empresas de capital aberto para você tomar as melhores decisões de investimentos. Este conteúdo é exclusivo para os assinantes do UOL.

Vibra Energia adquire até 50% da Comerc

A Vibra Energia (BRDT3), ex-BR Distribuidora, anunciou a compra de até 50% da Comerc Participações, uma das principais comercializadoras de energia do País que estava em processo de abertura de capital (IPO). Sendo assim, o IPO não será mais realizado.

A operação consiste em dois aportes, sendo um primário e um secundário. No primeiro aporte, a Vibra já irá injetar R$ 2 bilhões para subscrever debêntures conversíveis em ações ordinárias da Comerc, representando 30% do seu capital social. Já o segundo aporte é secundário, ou seja, não entra no caixa da companhia e se dará por opções de compra de até 20% do capital da Comerc, vendidas por seus sócios ao preço de R$ 1,25 bilhão. O exercício das opções deve ser realizado juntamente com a subscrição das debêntures no início de 2022.

O valor pago aos sócios ainda pode aumentar, dependendo do atingimento de metas de desempenho de longo prazo previstas no plano de negócios da companhia. Sem essa compensação, o valor pago pela Vibra por 50% da Comerc totaliza R$ 3,25 bilhões, avaliando a empresa em R$ 6,5 bilhões, valor acima do que sairia no IPO.

A operação é positiva para a Vibra, pois está alinhada com sua estratégia de privilegiar a transição energética para uma economia de baixo carbono, visando se tornar uma empresa integrada de energia. A operação deve trazer boas sinergias entre as companhias, que possuem atualmente negócios com competências complementares.

Após a reorganização societária e a conclusão da operação, a Vibra será co-controladora da Comerc e detentora de parques de geração solar com capacidade instalada de 1.839 MWp, sendo 242 MWp em operação e o restante em implantação ou desenvolvimento. Segundo o prospecto do IPO da Comerc, seriam captados cerca de R$ 1,4 bilhão, valor abaixo dos R$ 2 bilhões já levantados na transação, o que deve acelerar ainda mais seu plano de expansão.

Em termos de eficiência operacional, a Vibra realizou importantes medidas desde a redução da participação da Petrobras (PETR4, PETR3), o que conferiu à empresa o status de empresa privada. Tais medidas permitiram melhorar substancialmente suas margens, aprimorar a estrutura de endividamento e o fluxo de caixa, pontos que têm colaborado para o destaque da Vibra no setor.

Bradesco compra fatia do Banco do Brasil no Digio

O Bradesco (BBDC4) comunicou a aquisição da fatia de 49,99% da participação do Banco do Brasil (BBAS3) no banco digital Digio, que até então era controlado por ambas as companhias.

O valor da transação é de R$ 625 milhões e, com a operação, o Bradesco se torna o único controlador do negócio, passando a deter, indiretamente, 100% do capital social do Digio. Isso representa um marco por ser a primeira vez que as duas instituições, Bradesco e Banco do Brasil, desfazem uma das muitas parcerias que têm entre si.

O Digio é um banco digital criado pelo Grupo Elopar, holding que surgiu em 2015 de uma parceria entre o Bradesco e o Banco do Brasil. O Digio possui, aproximadamente, 2 milhões de cartões de crédito e também oferece contas e crédito pessoal aos seus clientes, além de possuir uma carteira de crédito da ordem de R$ 2,5 bilhões.

Enxergamos a aquisição como positiva para o Bradesco, visto que a operação está alinhada com a estratégia do banco de investir em empresas digitais, complementando de forma diversificada sua atuação e atingindo variados públicos, com diferentes modelos.

Assim que as autoridades regulatórias aprovarem a operação, o Bradesco deve ampliar seu portfólio de produtos e serviços, com o objetivo de acelerar a expansão de sua base de clientes. Em relação à atuação digital, o Bradesco já conta com a carteira digital Bitz e o banco digital Next, que atingiu a marca de 7 milhões de clientes e complementa o ecossistema do Bradesco com soluções de serviços financeiros e não financeiros.

O Digio possui 2,7 milhões de clientes, sendo a linha de cartões de crédito o carro chefe do banco digital. No primeiro semestre apurou um lucro líquido de R$ 36,7 milhões.

A aquisição ocorre em um dos segmentos mais concorridos da economia, com fortes entrantes no setor, como PagBank, Inter, Nubank e C6 Bank, de forma que os players tradicionais veem cada vez mais a necessidade de adotar estratégias digitais mais agressivas para encarar a alta competitividade do setor.

Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.

PUBLICIDADE

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL