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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Magalu e Renner enfrentam mais dificuldades, mas uma se saiu melhor: veja

A Lojas Renner entregou resultados sólidos, com forte crescimento nas linhas de receita líquida, vendas digitais, lucro líquido e vendas em mesmas lojas.  - Fabiano Lucietto Panizzi/Lojas Renner
A Lojas Renner entregou resultados sólidos, com forte crescimento nas linhas de receita líquida, vendas digitais, lucro líquido e vendas em mesmas lojas. Imagem: Fabiano Lucietto Panizzi/Lojas Renner
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Felipe Bevilacqua

12/11/2021 10h17

Hoje comentaremos sobre os resultados trimestrais do Magazine Luiza (MGLU3) e da Lojas Renner (LREN3).

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Confira a seguir a análise de Felipe Bevilacqua, analista e sócio-fundador da casa de análise Levante Ideias de Investimento. Todos os dias, Bevilacqua traz notícias e análises de empresas de capital aberto para você tomar as melhores decisões de investimentos. Este conteúdo é exclusivo para os assinantes do UOL.

Resultados do Magalu abaixo das expectativas

O Magalu (MGLU3) apresentou os resultados do terceiro trimestre do ano. Os números vieram abaixo das expectativas na maioria das linhas, com diversas questões de ordem operacional similares ao balanço apresentado pela Via (VIIA3) na véspera, guardadas as devidas peculiaridades.

O fraco crescimento do valor bruto de vendas e das receitas reflete um cenário macroeconômico mais desafiador para as varejistas, além do aumento da concorrência no setor. A base de comparação também fica cada vez mais desafiadora, já sob a dura marca do varejo digital no contexto pós-pandemia.

O GMV bruto - que engloba o total de vendas online realizadas diretamente pela companhia, pelos parceiros que vendem no marketplace e as vendas físicas - totalizou R$ 13,84 bilhões, um crescimento de 12% na comparação anual e queda de 4% na base trimestral. Já as vendas do e-commerce somaram R$ 10 bilhões, uma expansão de 22,2% na base anual e de 1,7% contra o segundo trimestre do ano.

A margem bruta fechou o trimestre em 20,1%, uma queda de quase 6 pontos percentuais ante 2020. Contudo, houve uma provisão para perdas nos estoques de quase R$ 400 milhões. Expurgando tal conta, a margem teria sido de 24,7%, redução de 1,5 ponto percentual.

A queda deve-se à maior participação do e-commerce nas vendas totais e pela inflação nos custos logísticos. A margem Ebitda (geração operacional de caixa sobre receita líquida), por sua vez, chegou a 1,6%, sem ajustes, e 4,1%, considerando o ajuste da provisão dos estoques, créditos tributários e outros classificados pela companhia como sendo não recorrentes.

O lucro líquido ajustado pelos diversos itens mencionados atingiu R$ 143 milhões, ou R$ 22,6 milhões, sem ajustes. Apesar do desempenho ruim das ações do Magazine Luiza no ano (queda de 45%), esperamos impacto negativo no curto prazo. Os papéis subiram 5,5% nesta quinta-feira (11).

Lojas Renner reverte prejuízo e lucra R$ 172 milhões no trimestre

A Lojas Renner (LREN3), maior player do varejo de vestuário do país, divulgou seus resultados referentes ao terceiro trimestre de 2021. A receita líquida de mercadorias e as vendas em mesmas lojas apresentaram crescimento trimestral de 43,5% e 39,5%, respectivamente.

Já em comparação com o mesmo período de 2019 - período pré-pandemia -, a receita líquida de mercadorias e as vendas em mesmas lojas registraram evolução de 22,7% e 14,5%, respectivamente.

Mesmo com a retomada da operação física e os efeitos do ataque cibernético sofrido em agosto, as vendas digitais alcançaram um GMV (valor bruto de mercadoras) consolidado de R$ 377,4 milhões. Vale destacar que o terceiro trimestre de 2020 foi o mais relevante em crescimento no ano anterior e, ainda assim, as vendas digitais aumentaram 8,2%.

Já a margem bruta avançou 5,6 pontos percentuais em relação ao terceiro trimestre, porém com redução de 1 ponto sobre o mesmo período em 2019, devido aos maiores níveis de câmbio contratado para os produtos importados e do efeito inflacionário nos custos de matérias-primas e fretes internacionais. Apesar disso, a assertividade da coleção, aliada à maior integração entre os canais, assim como o uso de dados em alguns processos, como alocação de itens em lojas, compensaram parcialmente as pressões de custos.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de varejo ajustado atingiu R$ 203,7 milhões no trimestre, com margem de 8,6%. Mesmo com o aumento significativo em mais de 15 vezes em relação a 2020, por conta dos maiores volumes vendidos no período, a margem ainda ficou 19% abaixo dos números registrados em 2019.

O lucro líquido trimestral, por sua vez, bateu R$ 172 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 82,9 milhões do terceiro trimestre de 2020, em função do maior resultado operacional e da evolução no resultado de produtos financeiros.

A Lojas Renner entregou resultados sólidos, com forte crescimento nas linhas de receita líquida, vendas digitais, lucro líquido e vendas em mesmas lojas. Embora as margens ainda não tenham retomado os níveis pré-pandemia - e cabe destacar que em 2019 a companhia atingiu níveis recorde de margens, sendo, portanto, uma base elevada de comparação -, a retomada do fluxo de pessoas, o forte crescimento de receita das vendas e coleções mais assertivas pelo uso de dados contribuíram para números positivos da companhia.

Sendo assim, esperamos um impacto positivo nas ações da Lojas Renner no curto prazo.

Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL