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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Dólar em queda, juros em alta: janela de oportunidade?

Rick Wilking/Reuters
Imagem: Rick Wilking/Reuters
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Rafael Bevilacqua

22/03/2022 09h24

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Em meio a um cenário global caótico e desafiador, com uma guerra assolando o Leste Europeu e provocando bruscas oscilações nos preços de diversos insumos essenciais às cadeias de produção globais, o Brasil vive um momento econômico bastante peculiar.

Com a disparada da inflação em virtude do descasamento entre produção e demanda causado pela pandemia, o Banco Central (BC) se viu forçado a dar início ao atual ciclo de alta dos juros no Brasil um ano antes de os Estados Unidos adotarem uma postura semelhante. Entre março de 2021 e março de 2022, a Selic (taxa básica de juros) subiu 9,75 pontos percentuais, de 2% para 11,75% ao ano.

Enquanto isso, o Federal Open Market Committee (Fomc, o comitê de política monetária dos EUA) anunciou na reunião deste mês uma tímida alta de 0,25 ponto percentual em sua taxa básica de juros, para o patamar entre 0,25% e 0,5% ao ano, e o Banco Central Europeu (BCE) não dá sinais de que deve começar a subir tão cedo os juros, que atualmente se encontram em zero ao ano.

Assim, com uma taxa de juros a 11,75% ao ano e que deve tranquilamente superar o patamar de 13% ainda em 2022, o Brasil voltou a ser o paraíso da renda fixa, atraindo cada vez mais investidores, tanto domésticos quanto estrangeiros. Isso se deve principalmente à perspectiva de que o juro real brasileiro, ou seja, a taxa de juros descontada a inflação, deve ser um dos mais altos do planeta neste ano.

Caso as mais recentes projeções se confirmem, a Selic deve terminar 2022 a 13% ao ano, e a inflação deve acumular alta de 6,59% no período. Assim, o juro real ficaria em 6,41% no ano, muito acima do observado em nações desenvolvidas, onde esse número frequentemente é negativo.

Todavia, enquanto a renda fixa recupera a popularidade, a renda variável tende a perder o interesse dos investidores brasileiros, que optam por reduzir sua exposição aos ativos de risco, como as ações, por exemplo, e aumentar suas posições em ativos considerados mais seguros, como títulos públicos ou fundos que tentam replicar a performance do CDI (Certificado de Depósito Interbancário).

O que essa curiosa conjuntura cria, falando de maneira simples, é um cenário de renda fixa pagando altos rendimentos e ações baratas - duas coisas que soam como música para os ouvidos do investidor estrangeiro.

Com um cenário brasileiro quase ideal para o investidor estrangeiro, que tem encontrado poucas oportunidades de ganhos expressivos nos mercados desenvolvidos nos últimos meses, nota-se uma volumosa entrada de capital estrangeiro no país, ou seja, entrada de dólares.

Portanto, fica evidente que o mercado de investimentos no Brasil vive um momento bastante atrativo, e o dinheiro estrangeiro que tem entrado na nossa economia e viabilizado a vertiginosa queda do dólar ante o real nos últimos meses é prova disso.

O momento atual é incerto e desafiador, mas cheio de oportunidades para aqueles que sabem aproveitá-las.

Leia no 'Investigando o Mercado' (exclusivo para assinantes do UOL Investimentos): informações sobre os resultados da Eletrobras referentes ao quarto trimestre de 2021.

Um abraço,

Rafael Bevilacqua
Estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante

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Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo estrategista-chefe e sócio-fundador Rafael Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.