PUBLICIDADE
IPCA
1,06 Abr.2022
Topo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Presidente do BC projeta fim da alta dos juros e deixa o mercado otimista

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto - Adriano Machado/Reuters
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto Imagem: Adriano Machado/Reuters

Rafael Bevilacqua

25/03/2022 09h15

Esta é a versão online para a edição de hoje da newsletter Por Dentro da Bolsa. Para assinar este e outros boletins e recebê-los diretamente no seu email, cadastre-se aqui.

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central (BC), trouxe otimismo ao mercado brasileiro na quinta-feira (24), ao anunciar que a elevação de um ponto percentual da taxa Selic —a taxa básica de juros— projetada para o mês de maio, pode selar o fim do atual ciclo de alta dos juros no Brasil.

De acordo com Campos Neto, uma nova alta da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em junho não é o cenário mais provável, o que significa que a taxa deve encerrar 2022 no patamar de 12,75% ao ano.

Entretanto, o BC reconhece que a inflação deve fechar o ano em 7,1%, acima do teto da meta, de 5%. Além disso, mesmo que os preços do petróleo e seus derivados recuem, o banco avalia que há 97% de risco de a inflação ultrapassar o teto da meta.

Para Campos Neto, o foco no momento é fazer com que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) —indicador que mede a inflação ao consumidor brasileiro— convirja para a meta em 2023, uma vez que o cenário para 2022 tem se revelado altamente volátil e imprevisível.

Contudo, o banqueiro central não descarta uma retomada da alta dos juros em caso de um novo choque inflacionário decorrente do agravamento das tensões no cenário internacional.

O mercado brasileiro de ações reagiu positivamente à notícia, e o Ibovespa, principal índice de ações da B3, fechou o pregão da véspera em alta de 1,35%, aos 119.053 pontos. A imprevisibilidade acerca de até onde se estenderia a alta dos juros vinha sendo um fator de atenção para os investidores, limitando os ganhos de muitas ações, especialmente daquelas ligadas ao varejo e à tecnologia.

O motivo para tanta incerteza é que, com juros mais altos, operações de crédito se tornam mais caras, desestimulando tanto o consumo quanto a tomada de empréstimos pelas empresas para realizar investimentos. Assim, empresas que dependem de um mercado consumidor aquecido ou que dependem muito do crédito tendem a apresentar resultados mais fracos quando a Selic sobe.

Sabendo até quando os juros devem subir, a organização das finanças fica mais fácil tanto para empresas quanto para consumidores, e os cenários de médio e longo prazo tornam-se um pouco mais previsíveis.

Leia no 'Investigando o Mercado' (exclusivo para assinantes do UOL Investimentos): informações sobre os resultados das operadoras de planos de saúde Hapvida e NotreDame Intermédica referentes ao quarto trimestre de 2021.

Um abraço,

Rafael Bevilacqua
Estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante

Queremos ouvir você

Tem alguma dúvida ou sugestão sobre investimentos? Mande sua pergunta para uoleconomiafinancas@uol.com.br.

Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo estrategista-chefe e sócio-fundador Rafael Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.