PUBLICIDADE
IPCA
0,47 Mai.2022
Topo

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Alta de juros reduz poder de compra e castiga Magalu, que perde R$ 161,7 mi

Fachada de loja da rede Magazine Luiza - Divulgação
Fachada de loja da rede Magazine Luiza Imagem: Divulgação
Conteúdo exclusivo para assinantes

Rafael Bevilacqua

18/05/2022 09h24

Hoje comentaremos os resultados do Magazine Luiza referentes ao primeiro trimestre de 2022, período particularmente difícil para as varejistas brasileiras, que têm sofrido com a alta dos juros e a diminuição do poder de compra da população.

Confira a seguir o comentário de Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe e sócio-fundador da casa de análise Levante Ideias de Investimento, sobre o tema. Todos os dias, Bevilacqua traz notícias e avaliações de empresas de capital aberto para você tomar as melhores decisões de investimento. Este conteúdo é acessível para os assinantes do UOL. O UOL tem uma área exclusiva para quem quer investir seu dinheiro de maneira segura e lucrar mais do que com a poupança. Conheça!

Magazine Luiza tem prejuízo milionário com aumento das despesas financeiras

A varejista Magazine Luiza (MGLU3) divulgou seus resultados referentes ao primeiro trimestre de 2022 na noite de segunda-feira (16). Os números vieram fracos, mas o desempenho ruim já era esperado pelo mercado, tendo em vista o cenário difícil para as companhias do setor.

No trimestre, as vendas totais do Magalu (incluindo marketplace) aumentaram 13,2%, totalizando R$ 14,1 bilhões. O desempenho foi impulsionado pela expansão do e-commerce total, que cresceu 16,2%, além da expansão de 6,2% das vendas nas lojas físicas na comparação com o primeiro trimestre de 2021 - base de comparação fraca para o segmento. As vendas mesmas lojas físicas (SSS, na sigla em inglês) recuaram 2,8%.

O marketplace (3P) apresentou um crescimento expressivo de 49,9% na comparação anual, respondendo por 36% das vendas on-line no trimestre.

A receita líquida da companhia totalizou R$ 8,76 bilhões no trimestre, levemente acima das estimativas, o que corresponde a um crescimento de 6,2% na comparação anual. A melhora na linha de receita deve-se ao aumento das vendas de mercadorias, incluindo as vendas da KaBuM!, além do crescimento de 39,1% da receita de varejo.

O lucro bruto do Magalu alcançou R$ 2,4 bilhões, alta de 17,5% com relação ao primeiro trimestre de 2021, enquanto a margem bruta ficou em 27,8%, expansão de 2,7 pontos percentuais.

Por outro lado, as despesas com vendas cresceram 0,9 ponto percentual, atingindo o equivalente a 18,1% da receita líquida, ou R$ 1,6 bilhão.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da companhia totalizou R$ 434,2 milhões, queda de 3,8% com relação ao mesmo período do ano anterior, porém acima das estimativas, sustentado pelo bom desempenho do marketplace e do KaBuM!. Já a margem Ebitda ajustada ficou em 5%, estável com relação ao primeiro trimestre de 2021.

Por fim, o Magazine Luiza reportou prejuízo líquido de R$ 161,7 milhões, pressionado pelo forte aumento das despesas financeiras, em grande parte devido à elevação da taxa de juros, que saiu de 2% ao ano em março de 2021 para 11,75% no final do primeiro trimestre deste ano. Desconsiderando os efeitos não recorrentes, a companhia encerrou o trimestre com um prejuízo líquido ajustado de R$ 98 milhões.

Ainda enxergamos um cenário difícil para o e-commerce no curto prazo, com as principais linhas do Magalu devendo continuar pressionadas pelo cenário macroeconômico desfavorável.

Na segunda-feira (17), as ações do Magazine Luiza fecharam em queda de 10,56%, cotadas a R$ 3,98.

Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo estrategista-chefe e sócio-fundador Rafael Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.