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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Medo de conflito em Taiwan derruba Bolsas globais

China ameaça reagir se Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos EUA, visitar Taiwan - SAUL LOEB/AFP
China ameaça reagir se Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos EUA, visitar Taiwan Imagem: SAUL LOEB/AFP

Rafael Bevilacqua

02/08/2022 09h37

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As Bolsas de Valores da Ásia fecharam em queda generalizada nesta terça-feira (2), movimento que se estendeu aos mercados de outras regiões, como Estados Unidos e Europa, com o raiar do dia no Ocidente.

O motivo para o mau humor dos mercados é o agravamento das tensões entre Estados Unidos e China diante da possível visita de Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, a Taiwan, território independente que é considerado uma província rebelde pela China.

Em 1949, quando foi derrotado pelo exército comunista de Mao Tsé-Tung no conflito que entrou para a história como Guerra Civil Chinesa, o então líder chinês Chiang Kai-Shek fugiu para a ilha de Taiwan, e estabeleceu no local um governo autônomo, independente do Partido Comunista Chinês.

Isso significa que a China como conhecemos hoje nunca governou Taiwan, mas ainda assim reivindica o controle sobre a ilha, que hoje tem cerca de 23 milhões de habitantes.

Essa situação tensa já dura décadas, e a China mantém uma política de negar a soberania e a autonomia da região, que possui seu próprio governo democrático e um sistema político completamente independente do "socialismo com características chinesas" implementado na nação vizinha.

Por causa dessa postura adotada pelo governo chinês, a visita de uma autoridade da importância de Pelosi a Taiwan é vista internamente como uma afronta e uma ameaça à soberania chinesa.

Além disso, vale ressaltar que Pelosi tem um longo histórico de críticas ao regime ditatorial chinês, tendo inclusive se manifestado a favor dos protestos em Hong Kong e tendo ela própria protestado em 1991 contra o massacre de estudantes e manifestantes ocorrido na Praça da Paz Celestial em Pequim, em 1989.

Na semana passada, o presidente chinês Xi Jinping disse ao líder norte-americano Joe Biden que as tropas chinesas não ficariam "observando de braços cruzados" a visita de Pelosi a Taiwan, em uma tentativa de coibir a visita.

Há relatos de mobilização de tropas chinesas em regiões próximas à ilha, mas o governo alega se tratar apenas de exercícios militares. Vale lembrar, contudo, que foi esse o termo usado por Vladimir Putin para se referir à mobilização de suas tropas na fronteira com a Ucrânia pouco antes da invasão ao país. Desde então, especialistas têm alertado para a possibilidade de uma invasão chinesa a Taiwan.

É importante destacar o papel crucial da indústria taiwanesa nas cadeias produtivas globais, uma vez que o país é líder global no fornecimento de chips semicondutores, componentes chave na produção de todo tipo de produto eletrônico, desde smartphones até automóveis.

Isso significa que um conflito em Taiwan pode agravar ainda mais a já delicada situação da indústria global, reduzindo drasticamente a oferta de uma série de produtos que já estão em falta, pressionando ainda mais a inflação ao redor do planeta.

Para se ter uma noção do impacto desses componentes, a escassez de semicondutores foi o principal motivo para a diminuição da produção de automóveis em todo o planeta durante a retomada da atividade econômica global, resultando em aumentos explosivos nos preços de carros, motos e outros.

Nesse cenário de tensão geopolítica entre as duas maiores potências do planeta, os investidores se mostram menos propícios a assumir riscos, e os mercados operam majoritariamente em queda.

Leia no 'Investigando o Mercado' (exclusivo para assinantes UOL, que têm acesso integral ao conteúdo de UOL Investimentos): informações sobre o resultado do segundo trimestre da Raia Drogasil, maior rede varejista do segmento farmacêutico do Brasil.

Um abraço,

Rafael Bevilacqua
Estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante

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