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Desemprego em queda e inflação em alta: onde investir nesse cenário?

Com desemprego recuando e inflação em alta, onde investir? Veja o que diz o especialista da Levante - Getty Images
Com desemprego recuando e inflação em alta, onde investir? Veja o que diz o especialista da Levante Imagem: Getty Images
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08/06/2022 11h00

O desemprego no Brasil caiu para 10,5% em abril, e o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 1% no primeiro trimestre, em comparação com o quarto trimestre do ano passado. Por outro lado, a inflação persiste no bolso dos brasileiros.

Diante dessa conjuntura econômica, o que esperar? E quais são as oportunidades de investimento que surgem nesse cenário? Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante Ideias de Investimentos, fala sobre o tema logo abaixo.

Depois da tempestade, vem a calmaria

O especialista declara que "a última década foi bastante tempestuosa para a economia brasileira, sendo marcada pela crise que se abateu sobre o país nos anos de 2015 e 2016, biênio que entrou para a história como uma das piores recessões já enfrentadas pelo país".

Passado esse período turbulento, ele diz que o Brasil viveu anos de relativa calmaria, a despeito da crescente polarização política que atingiu seu ápice durante as eleições de 2018 — "mas que exerceu pouca influência sobre os rumos da economia brasileira".

Contudo, a pandemia do coronavírus, iniciada em 2020, trouxe uma nova tempestade que abalou não apenas o Brasil, mas todo o planeta. Em decorrência da crise sanitária, o desemprego voltou a crescer, a inflação disparou, a Bolsa de Valores brasileira (B3) despencou e o Banco Central (BC) se viu forçado a iniciar um movimento de alta dos juros.

A pandemia foi um golpe duro para a já fragilizada economia brasileira.
Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante

A inflação ainda atrapalha

A recente disparada da inflação é um fenômeno global, que tem afetado, em maior ou menor escala, todas as economias do mundo. Mas Bevilacqua declara que "as populações de países que se encontram em uma situação econômica mais delicada, como é o caso do Brasil, têm sofrido mais com a alta dos preços".

A inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) avançou 1,06% em abril, chegando a 12,13% em 12 meses.

"Diante desse cenário, o mercado já descarta a possibilidade de o índice convergir para a meta neste ano — cujo teto é de 5% — e volta o olhar para 2023", diz o estrategista-chefe da Levante.

Por aqui, a inflação soma-se a um cenário de desemprego ainda em patamares elevados e estagnação do nível de renda da população, desacelerando o consumo e, consequentemente, prejudicando a retomada da atividade econômica.

Até o momento, os efeitos do aumento nos juros conduzido pelo Banco Central foram tímidos, e fatores como a disparada dos preços dos combustíveis e de algumas categorias de alimentos contribuíram para manter a inflação em alta no ano.

Contudo, a expectativa é de que a elevação da taxa básica de juros (Selic), que já se encontra no patamar de 12,75% ao ano, comece a surtir efeito ao longo do segundo semestre deste ano.

"O combate à inflação tem se revelado o principal desafio enfrentado pelos formuladores de políticas econômicas no Brasil", diz.

Além disso, a alta dos juros torna ainda mais desafiadora a tentativa de retomada plena da atividade econômica, uma vez que encarece o crédito e desestimula ainda mais o consumo. Entretanto, apesar do cenário complexo no que diz respeito à política monetária, a economia brasileira tem se mostrado bastante resiliente.

Desemprego em queda

O desemprego caiu para 10,5% no trimestre encerrado em abril deste ano. Ele veio de 11,1% no trimestre encerrado em março — a menor taxa desde os 10,3% registrados no trimestre concluído em fevereiro de 2016.

O resultado veio melhor do que a mediana das projeções para o período, sinalizando que o mercado de trabalho está se recuperando mais rápido que o esperado.

Além disso, o número de pessoas ocupadas no período foi o maior da série histórica iniciada em 2012, totalizando 96,5 milhões de trabalhadores, dos quais 35,2 milhões tinham carteira assinada.

Por outro lado, o rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro no trimestre ficou em R$ 2.569, redução de 7,9% em comparação ao mesmo período de 2021, quando o rendimento médio era de R$ 2.790.

Essa redução do valor médio dos salários se deve, principalmente, ao retorno da população de menor renda ao mercado de trabalho, após as demissões em massa ocorridas na pandemia.

Bevilacqua afirma que "durante o período de isolamento social, notou-se um aumento expressivo no rendimento médio mensal do trabalhador, dado que, descontextualizado, causa estranheza".

Ele diz que esse incremento ocorreu não porque as pessoas estavam ganhando mais, mas sim porque aqueles que ganham mais conseguiram manter seus empregos, enquanto a parcela mais pobre da população sofria com o desemprego e com a dependência dos auxílios do governo.

Retomada do PIB

"No final de 2021 e começo deste ano, predominava um pessimismo acerca do crescimento econômico brasileiro esperado para 2022", afirma o especialista.

Foram observados sucessivos cortes nas projeções do mercado para o crescimento do PIB, com especialistas apontando a alta vertiginosa dos juros e a perda do poder de compra da população como os principais responsáveis pela desaceleração da atividade no país.

Contudo, o bom desempenho do setor de serviços e a disparada dos preços das commodities (matérias-primas) permitiram o crescimento de 1% do PIB no primeiro trimestre deste ano em comparação ao quarto trimestre de 2021.

Diante dos dados sólidos reportados no primeiro trimestre e da melhora das perspectivas para o restante do ano, instituições financeiras e especialistas elevaram suas projeções para o crescimento do PIB em 2022. Mas a expectativa ainda é de um avanço tímido, entre 1% e 1,5%.

Onde investir no cenário atual?

Com a alta da inflação, há um aumento na busca por investimentos com características mais defensivas, capazes de oferecer rentabilidade real sem grandes riscos. Felizmente, a alta dos juros torna a renda fixa mais lucrativa e cria excelentes oportunidades para os investidores mais atentos — tanto no curto quanto no longo prazo.

De acordo com Bevilacqua, em períodos como o atual, os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto tornam-se bastante atrativos, com taxas de retorno superiores às projeções para a inflação.

"Esses títulos podem ser tanto prefixados — como são conhecidos aqueles cuja taxa de retorno é definida no momento da contratação — quanto pós-fixados — cuja rentabilidade é atrelada a algum indexador, caso da Selic ou do IPCA", declara.

Ele afirma que para quem busca proteção contra a desvalorização do patrimônio, os títulos do tipo Tesouro IPCA+, que têm a rentabilidade atrelada à inflação, podem ser a escolha mais adequada.

Em 3 de junho deste ano, os títulos desse tipo com vencimento em 2035 e 2045 ofereciam uma taxa de retorno de 5,75% ao ano mais a variação da inflação medida pelo IPCA no período.

Para efeito de comparação, a rentabilidade da poupança com a Selic a 12,75% ao ano é de 6,17%, enquanto o mercado projeta que a inflação ao consumidor deve superar 8% neste ano.

Contudo, o sócio-fundador da Levante diz que esse tipo de ativo está sujeito à precificação por marcação a mercado, o que significa que o preço do título pode oscilar em caso de mudança das taxas de juros.

Segundo ele, caso a intenção do investidor seja manter o dinheiro investido até o vencimento do título, não é preciso se preocupar.

"Você vai receber exatamente a quantia aplicada mais os rendimentos já descontados de Imposto de Renda. Entretanto, se você precisar resgatar antes do vencimento, atenção: o valor resgatado antecipadamente pode ser menor ou maior do que o valor investido, a depender do cenário econômico", diz.

Em caso de necessidade de resgate, o especialista recomenda não voltar para a conta poupança. Os títulos do tipo Tesouro Selic não sofrem a marcação a mercado, e oferecem ao investidor uma rentabilidade quase integralmente indexada à variação da Selic.

Com a taxa básica de juros a 12,75% — e subindo —, esses títulos oferecem uma boa rentabilidade aliada à segurança do Tesouro Direto, sendo a opção ideal para surfar a alta dos juros.

Melhores investimentos

Levando esses fatores em consideração, Bevilacqua declara que os melhores investimentos em renda fixa para proteger seu patrimônio na atual conjuntura são os títulos públicos do tipo Tesouro Selic.

Porém, ele afirma que é preciso ter em mente que a diversificação é fundamental na montagem de uma boa carteira de investimentos, e que o ideal é não colocar todos os ovos em uma única cesta.

Acesse aqui o relatório completo da Levante sobre investimentos na atual conjuntura econômica.

Carteiras conforme o perfil

Para quem ainda não pegou as recomendações de investimentos, elas estão a seguir:

- Carteira para quem não aceita risco algum

- Carteira para quem tem perfil mais conservador, mas aceita um pouquinho de risco

- Carteira para quem é mais moderado

- Carteira para quem aceita mais risco

- Carteira para quem aceita alto risco

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Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.