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ANÁLISE

Qual é a ação de banco brasileiro mais recomendada? Qual está com desconto?

31/08/2022 11h00

Os quatro grandes bancos brasileiros divulgaram seus principais números e resultados do segundo trimestre. Eles estão listados na Bolsa brasileira: Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander.

Com base nos resultados, preço das ações e perspectivas para o futuro, qual é a melhor ação para ter na carteira? Vale investir?

A análise foi feita pelo Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante Ideias de Investimentos.

Os grandes bancos continuam lucrativos

Com a divulgação - no dia 10 de agosto - dos resultados do Banco do Brasil referentes ao segundo trimestre de 2022, teve fim a temporada de balanços dos grandes bancos listados na B3. Esses bancos apresentaram novamente resultados fortes, com destaque para o Banco do Brasil, que apresentou lucro líquido recorde para o período.

De forma geral, os bancos têm conseguido entregar bons resultados nos últimos trimestres, mostrando uma boa recuperação passado o momento mais crítico da pandemia de coronavírus.

Com a reabertura econômica, mais pessoas voltam a comprar e a precisar de crédito. Assim, essas instituições caminham em direção a novos recordes de receita e lucro, e contam com carteiras de crédito bastante recheadas para isso.

Por fim, era esperado que a ascensão dos bancos digitais e o advento do pix, o sistema de pagamentos do Banco Central, reduzissem as receitas dos grandes bancos com serviços, mas tais projeções não se concretizaram.

Como fica o setor bancário no pós-pandemia?

Antes de falarmos especificamente do setor bancário, é preciso tratar do contexto macroeconômico atual e como ele afeta as companhias do setor.

O segundo trimestre deste ano foi bastante tumultuado, especialmente no exterior, diante do crescente receio por uma recessão nos Estados Unidos, que registrou dois trimestres consecutivos de recuo da economia.

Já no Brasil, a inflação começou a dar sinais de recuo, ao mesmo tempo em que o mercado de trabalho apresentou uma vigorosa recuperação, com uma queda expressiva do desemprego.

Por outro lado, a situação fiscal do país foi e segue sendo um ponto de atenção, em meio à ampliação de programas sociais e aos cortes de uma série de impostos que incidem sobre produtos e serviços considerados essenciais.

Neste contexto, os grandes bancos tendem a ser favorecidos tanto pela retomada da demanda por crédito quanto pelo aumento do seu custo, emprestando mais dinheiro a juros mais altos.

Contudo, para maximizar as possibilidades de ganhos, muitas instituições têm ampliado a exposição de suas carteiras de crédito ao risco, visando perfis de clientes que permitem a cobrança de juros mais elevados.

Banco do Brasil é destaque e está com desconto alto

O Banco do Brasil (BBAS3) surpreendeu o mercado com um balanço forte no segundo trimestre de 2022.

O banco reportou lucro líquido ajustado de R$ 7,8 bilhões no período, um crescimento de 54,8% na comparação anual. O resultado veio muito acima das projeções do mercado, que apontavam um lucro de R$ 6,4 bilhões, fazendo com que o BB fosse mais uma vez o grande destaque do trimestre.

A margem financeira líquida do banco cresceu 12,3% no segundo trimestre deste ano em comparação com o trimestre anterior, totalizando R$ 14,1 bilhões.

Além disso, o retorno sobre patrimônio líquido (ROE) - indicador que mede a capacidade de uma empresa de gerar valor a partir de seus ativos - do período, em termos ajustados, foi de 20,6%, crescimento de 2,5 pontos percentuais em comparação com o primeiro trimestre.

Outro ponto positivo foi o crescimento de 4,1% da carteira de crédito, atingindo R$ 919,5 bilhões em junho.

As receitas de serviços do banco cresceram 4,3% em comparação com o trimestre imediatamente anterior, totalizando R$ 7,8 bilhões.

Mesmo com os excelentes resultados, o Banco do Brasil segue negociado em Bolsa com um desconto expressivo com relação aos seus pares privados. Por se tratar de uma empresa estatal, existe o risco de interferência governamental no BB, o que faz com que os investidores olhem para as ações da companhia com cautela.

Ainda assim, os resultados recentes mostram que a empresa tem se tornado altamente lucrativa e capaz de distribuir dividendos generosos com recorrência, pagos a todos os investidores.

Bradesco cresceu e arrisca mais

O Bradesco (BBDC4) apresentou um balanço ambíguo, com destaque para o forte crescimento do lucro.

O lucro líquido da instituição totalizou R$ 7,04 bilhões no trimestre, alta de 11,4% na comparação anual e acima das estimativas. Esse resultado foi impactado positivamente por efeitos não recorrentes.

Isso fica evidente ao analisar a margem financeira do banco, que cresceu 4% com relação ao segundo trimestre de 2021, mas recuou 4,1% na comparação com o primeiro trimestre deste ano, atingindo R$ 16,36 bilhões.

As provisões para devedores duvidosos (PDD) cresceram 52,4% na comparação com o segundo trimestre de 2021 e 9,9% com relação ao trimestre imediatamente anterior, totalizando R$ 5,31 bilhões.

A PDD é uma quantia reservada pelos bancos para arcar com possíveis calotes em operações de crédito, e o aumento dessas provisões foi o principal motivo para a queda dos lucros dos bancos em 2020, diante das incertezas trazidas pela pandemia.

Esse aumento expressivo da PDD do Bradesco se deve ao crescimento da carteira de crédito e ao seu perfil mais arrojado.

O ROAE do banco (retorno sobre o patrimônio médio) atingiu 18,1%, aumento de 0,5 ponto percentual na comparação anual e 0,1 p.p. na comparação trimestral.

Além disso, a carteira de crédito do Bradesco cresceu 17,7% na comparação anual, somando R$ 855,3 bilhões, em linha com a tendência observada nos demais bancos. O índice de inadimplência acima de 90 dias cresceu 0,3% com relação ao primeiro trimestre, chegando a 3,5%.

Itaú se protege contra calotes

O Itaú Unibanco (ITUB4) reportou mais um balanço robusto, com resultados acima das já elevadas expectativas do mercado.

O lucro líquido do banco cresceu 17,4% na comparação anual, totalizando R$ 7,67 bilhões, enquanto o ROAE ficou em 20,8%, melhora de 1,9 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.

A carteira de crédito do Itaú atingiu a marca de R$ 1,08 trilhão, um salto de 19,3% na comparação anual. Já a inadimplência acima de 90 dias avançou 0,4 ponto percentual com relação ao segundo trimestre do ano passado, atingindo 2,7%.

As provisões para devedores duvidosos do Itaú cresceram 11,7% em comparação com o trimestre anterior, totalizando R$ 7,8 bilhões, reflexo da expansão da carteira de crédito, especialmente no segmento de crédito ao consumo sem garantias, que apesar de altamente lucrativo, oferece maiores riscos.

A margem financeira gerencial avançou 20,5% em relação ao segundo trimestre de 2021, a R$ 22,6 bilhões.

Santander apresentou números fracos

O Santander (SANB11), primeiro dos grandes bancos listados na Bolsa a divulgar os resultados, trouxe mais uma vez um balanço mais fraco que o esperado.

O lucro líquido do Santander no período foi de R$ 4,08 bilhões, alta de 2% na comparação com também fraco primeiro trimestre de 2022. Na comparação com o segundo trimestre de 2021, o lucro recuou 2,1%. O ROAE foi de 20,8% no trimestre, aumento de 0,1 ponto percentual em comparação com o trimestre anterior.

A margem financeira líquida do banco recuou 24,6% na comparação trimestral, totalizando R$ 7,02 bilhões.

A carteira de crédito ampliada da instituição, por outro lado, cresceu 6,4% na comparação anual e 4,0% com relação ao primeiro trimestre, atingindo R$ 542,9 bilhões. O índice de inadimplência acima de 90 dias se manteve praticamente estável trimestre, em 2,9%.

Qual o melhor banco da Bolsa?

Avaliando os resultados desses bancos, o cenário econômico projetado para o segundo semestre de 2022 e os riscos e as oportunidades que podem afetar o desempenho do setor, concluímos que o melhor banco para se ter na carteira é o Itaú.

O primeiro ponto a ser observado se tratando de bancos é a capacidade de gerar lucro. Nesse quesito, Itaú e Banco do Brasil têm se destacado nos últimos trimestres, apresentando resultados sólidos e crescentes.

O Itaú conta com uma carteira de crédito recheada e tem demonstrado primazia na gestão de riscos de sua carteira, conseguindo expandir a carteira e manter as margens em patamares elevados sem precisar assumir riscos desnecessários para tal. Dessa forma, o banco consegue entregar resultados sólidos mesmo assumindo uma postura mais conservadora do que o concorrente estatal.

Outro indicador importante para se analisar uma empresa é o preço sobre lucro (P/L), que indica se uma ação está cara ou barata, de acordo com a quão lucrativa é a empresa. O indicador é calculado dividindo o valor de mercado da companhia pelo lucro - e quanto mais baixo, melhor. Confira a seguir o P/L dos bancos:

ITUB4

  • 2020 16,3X
  • 2021 8,2X
  • 2022 8,1X

BBDC4

  • 2020 14,5X
  • 2021 8,5X
  • 2022 7,1X

SANB11

  • 2020 12,4X
  • 2021 7,5X
  • 2022 7,7X

BBAS3

  • 2020 8,7X
  • 2021 4,2X
  • 2022 3,6X

Ao analisarmos o preço/lucro dos bancos, concluímos que o Itaú é o mais "caro" dentre os quatro. Contudo, é preciso ter em mente que todas as companhias analisadas neste relatório negociam a múltiplos baixos no momento, como fica evidente ao compararmos o P/L deste ano com o de 2020.

Além disso, é preciso levar em consideração que o PL mais alto do Itaú é reflexo da qualidade da empresa e da confiança que os investidores depositam nela. Sendo assim, devido à alta qualidade do ativo e ao seu valor atrativo no momento, os fundamentos sólidos do Itaú justificam uma discrepância ainda maior com relação aos seus concorrentes em termos de preço/lucro.

Recentemente, a Itaúsa divulgou que iria pausar os investimentos e manter o endividamento em patamares controláveis: esse é um passo necessário após as grandes aquisições realizadas pela holding nos últimos anos. Mesmo com um pagamento reduzido, a companhia deve se beneficiar dos bons resultados do Itaú.

A Levante acredita que a companhia está bem posicionada, com um portfólio diversificado e reduzindo cada vez mais sua volatilidade, à medida que gradativamente vem diminuindo sua exposição ao Itaú e aumentando suas posições em boas empresas que atuam em setores sólidos e perenes.

Veja aqui o relatório completo sobre as ações dos grandes bancos e a perspectiva para o setor.

Carteiras conforme o perfil

Para quem ainda não pegou as recomendações de investimentos, elas estão a seguir:

- Carteira para quem não aceita risco algum

- Carteira para quem tem perfil mais conservador, mas aceita um pouquinho de risco

- Carteira para quem é mais moderado

- Carteira para quem aceita mais risco

- Carteira para quem aceita alto risco

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Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.