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Light (LIGT3): bilionário e 'rei das crises' vira acionista majoritário

18/05/2023 05h14

Em meio ao recente pedido de recuperação judicial e o imbróglio com credores, a Light (LIGT3) acabou de ter sua estrutura de governança alterada.

Nelson Tanure agora possui 21,8% das ações da Light, ultrapassando o até então maior acionista da empresa, Ronaldo Cezar Coelho - que detém 20% do capital da empresa.

O aumento da participação de Tanure se dá por meio da WNT, sua gestora. Tanure tinha 7% da empresa, passou para 10% ainda em maio, e logo aumentou a exposição para 15%, antes desta nova aquisição.

"Conforme a correspondência enviada, a WNT esclarece que a referida participação foi adquirida com o objetivo de aumentar a exposição dos fundos de investimento sob sua gestão, não havendo, contudo, qualquer acordo ou contrato regulando o exercício do direito de voto ou a compra e venda de valores mobiliários de emissão da Companhia por parte dos fundos, exceto no que diz respeito ao manual de exercício de direito de voto da WNT", diz o comunicado ao mercado da Light.

Segundo apuração do jornal Valor Econômico, o empresário tem intenção de capitalizar R$ 1 bilhão na empresa, permitindo um alongamento de dívidas, ou uma eventual conversão das mesmas em ações.

O movimento segue a estratégia usual de Tanure de comprar ações de companhias em crise, como o ocorreu com a Oi (OIBR3) em meados de 2016 e com a Alliar (AALR3).

Light pediu recuperação judicial recentemente

A companhia, ainda na semana anterior pediu sua recuperação judicial oficialmente.

Com um risco de crédito após o caso Americanas (AMER3) - e com um acionista em comum com a varejista - e uma dívida de R$ 11 bilhões, investidores já aguardavam uma decisão análoga por parte da empresa.

O pedido de recuperação judicial da Light foi ajuizado perante a 3ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo a Light, a decisão foi a melhor encontrada pela gestão, que busca "equacionamento de obrigações financeiras próprias".

A recuperação judicial compreende dívidas e obrigações financeiras na casa dos R$ 11 bilhões. Para efeito de comparação, o valor de mercado da Light é de R$ 1,73 bilhão, conforme dados atualizados pelo Status Invest.

Dessa cifra, cerca de R$ 7 bilhões estão com detentores de debêntures e aproximadamente R$ 3,1 bilhões em títulos de dívida no exterior (bonds).

Em ocasiões anteriores, a Light já havia pedido proteção judicial diversas vezes, recebendo decisões favoráveis dos tribunais em meio a uma briga com credores e acionistas.