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Tem como investir em ações com pouco dinheiro, mas é mais difícil vender

Paulo Whitaker
Imagem: Paulo Whitaker
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

01/09/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Mercado fracionário é uma forma de fazer investimentos na Bolsa com uma baixa aplicação inicial
  • Alternativa é mais barata, mas também exige do aplicador mais paciência na hora de embolsar os ganhos
  • Veja como comprar ações no mercado fracionário, com suas vantagens e desvatagens

A queda dos juros no Brasil está aumentando o apetite dos investidores brasileiros pela Bolsa. Para quem quer comprar ações desembolsando menos dinheiro, existe o mercado fracionário —uma forma de fazer a transação com uma aplicação inicial baixa, sem ter que adquirir o lote padrão, que é de cem ações.

Essa alternativa é mais barata, mas também exige do aplicador mais paciência na hora de vender a ação e embolsar os ganhos.

Bolsa recebendo mais gente

A Selic, a taxa básica de juros, caiu de 14,25% para 2% do final de 2016 até hoje. Isso reduziu os ganhos proporcionados por aplicações tradicionais e sem risco da renda fixa, como poupança, fundos DI e títulos Tesouro Selic, que hoje em dia mal empatam com a inflação.

Por isso, muitos aplicadores viram nas ações uma forma de melhorar o desempenho da carteira, apesar de perdas registradas no primeiro trimestre de 2020, com a pandemia do novo coronavírus.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, vem de quatro anos seguidos de ganhos. No acumulado entre 2016 e 2020, subiu 167%. Nesse período, segundo dados da B3, a quantidade de investidores pessoas físicas aplicando em ações saltou de 557 mil para mais de 2,8 milhões. Juntos, essas pessoas somam hoje mais de R$ 380 bilhões investidos em ações.

Um dos caminhos mais conhecidos para começar a investir em ações são os fundos de ações. Afinal, são produtos que estão disponíveis em todos os bancos e plataformas de investimentos e apresentam regras semelhantes aos conhecidos e tradicionais fundos de renda fixa.

Mas muita gente quer mesmo é comprar ações diretamente na Bolsa.

Padrão é exigir compra mínima de cem ações

Na B3, as ações são negociadas em lotes, geralmente de cem unidades. Isso encarece o valor de cada transação.

Um investidor que quiser comprar ação preferencial da Petrobras (PETR4), por exemplo, que custa cerca de R$ 22, teria que desembolsar pelo menos R$ 2.200. Se quiser comprar dois lotes, o negócio vai exigir dele quase R$ 4.500.

Isso sem contar eventuais custos, como tarifas de abertura de conta e de corretagem, além de taxas praticadas na Bolsa, para negociação, liquidação e registro.

Dá pra comprar menos ações no mercado fracionário

Para quem não quer desembolsar tanto dinheiro, existe o mercado fracionário, no qual é possível comprar apenas uma parte do lote —qualquer quantidade de uma a 99 ações.

No exemplo das ações preferenciais da Petrobras, uma pessoa que tenha, digamos, R$ 1.000, não conseguirá comprar um lote. Mas no mercado fracionário conseguirá comprar 45 ações da petroleira.

Como funciona

Para investir na Bolsa por meio do mercado fracionário, o aplicador vai seguir os mesmos passos necessários para comprar ações do lote padrão.

  • 1º passo: abrir conta em uma corretora
  • 2º passo: colocar dinheiro nessa conta
  • 3º passo: dar as ordens de compra para os papéis

Para diferenciar as ordens de compra de ações do mercado padrão e do mercado fracionário, os códigos das ações recebem a letra F no mercado fracionário. A ação preferencial da Petrobras, por exemplo, tem código PETR4F no mercado fracionário.

Quem compra menos ações tem os mesmos direitos?

Sim, os direitos de quem compra no mercado fracionário ou usando lote padrão são os mesmos, como distribuição de lucros, direito a voto etc.

Quando uma empresa distribui lucro aos acionistas, o valor é pago conforme a quantidade de ações que a pessoa tem. Não importa como o papel foi comprado.

Assim, o lucro por ação será o mesmo para quem comprou um lote de cem ações e para quem comprou 45 ações no mercado fracionário, por exemplo.

Se quiser vender os papéis, o investidor que comprou ações no lote padrão pode se desfazer apenas de parte deles no mercado fracionário. Ele não precisa vender o lote todo.

Vantagens do mercado fracionário

Aplicação inicial menor: Quem não tem o suficiente para comprar um lote inteiro de ações pode começar a investir mesmo com pouco dinheiro.

Experimentar o mercado: Para quem aplica no mercado de ações somente via fundos, por exemplo, o mercado fracionário é uma forma de se aprofundar nesse mercado, comprando ações diretamente com menos dinheiro e, portanto, menos risco.

Não é indicado começar a investir em ações com grandes valores, mas o mercado fracionário é ideal para isso. A pessoa consegue investir menos e testar os conhecimentos sem comprometer a renda.
Rafael Ribeiro, analista de ações da Clear Corretora

Diversificação: Permite diversificar o investimento com uma mesma quantidade de dinheiro.

Supondo o exemplo da Petrobras, mesmo que a pessoa tenha o suficiente para comprar um lote inteiro dessa empresa, ela vai ter que colocar muitos ovos numa mesma cesta. Já no mercado fracionário, esse aplicador pode dividir esse dinheiro para comprar algumas ações da petroleira e alguns papéis de outras empresas.

Diluição de riscos: A diversificação é uma forma de reduzir os riscos.

Quando um aplicador concentra muito de sua carteira de renda variável em uma única companhia, ele passa a depender do sucesso ou do fracasso de uma única ação. Por outro lado, quem aplica em mais ações consegue contrabalançar os riscos —se uma ação se desvaloriza, mas outra vai bem, na média, a carteira terá mais chances de obter um resultado mais positivo.

Dificuldade para vender ações é maior

Liquidez menor: A Bolsa brasileira tem muito mais negócios no lote padrão que no mercado fracionário. Isso pode impactar diretamente o desempenho de um investimento no mercado fracionário, já que o aplicador pode demorar mais para conseguir vender seus papéis, especialmente para ações menos negociadas, de empresas menores.

Se um investidor compra ações da Petrobras a R$ 22 e decide vender quando ela atinge R$ 30, essa cotação é a que vai valer no lote padrão. Mas no mercado fracionário o aplicador terá que encontrar do outro lado alguém que queira comprar aquela quantidade de papéis por aquele preço.

"O mercado fracionário deve ser evitado para aplicações de curto prazo, para que a pessoa não tenha que vender com urgência. Ele é uma opção para quem quer montar uma carteira de mais longo prazo", diz Ribeiro, da Clear.

Custos são proporcionalmente maiores: Antes de começar a operar no mercado fracionário é importante checar os custos e ver se vale a pena seguir adiante no caso de quem vai começar com um valor muito baixo.

Se uma pessoa paga R$ 10 em taxas para adquirir R$ 1.000 em ações, os custos representam apenas 1%. Mas esses mesmos R$ 10 de custos vão representar 10% se a pessoa estiver fazendo uma transação de apenas R$ 100 em ações.

Nos EUA, dá pra comprar fração de uma ação

Nos Estados Unidos, é possível comprar até frações de uma ação —ou seja, menos que uma ação.

Faz sentido, já que alguns papéis lá custam mais de US$ 1.000, como os da Amazon (US$ 3.400), da Tesla (US$ 2.200) ou da Alphabet, dona do Google (US$ 1.600).

"Se não fosse o mercado fracionário, investir em ações de algumas empresas lá seria inviável para quem tem pouco dinheiro para iniciar", diz Willian Castro Alves, estrategista chefe da corretora Avenue, que atende hoje cerca 120 mil brasileiros que investem em ações de empresas americanas nas Bolsas dos EUA.

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