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Coronavírus, reformas e EUA: o que deve mexer com a Bolsa em 2021

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Vinícius Pereira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

22/12/2020 04h00

O ano de 2020 é histórico em vários sentidos, inclusive para a Bolsa. O Ibovespa, principal índice acionário brasileiro, prometia continuar subindo após bater o recorde nominal (sem descontar a inflação) no início do ano, mas a pandemia causada pelo novo coronavírus chegou e alterou todo o panorama para o restante do ano.

E para 2021, quais fatores devem mexer com a Bolsa? O UOL ouviu especialistas para entender quais temas podem trazer riscos e oportunidades para as ações no próximo ano. Para eles, o cenário no exterior é favorável, e os riscos ficam por conta do cenário doméstico.

1. Continuidade do coronavírus

Apesar de a crise causada pelo coronavírus ter começado em 2020, sua resolução deve se arrastar pelo ano de 2021.

Segundo os especialistas, quanto mais rápida for a vacinação ao longo do ano, maiores as chances de a economia reagir e, assim, impulsionar o lucro e as ações das empresas listadas na Bolsa. "Tudo depende da vacinação", disse Pedro Galdi, analista da gestora de recursos Mirae.

2. Crise política e reformas

A indisposição do governo Bolsonaro para com o Congresso e a paralisação das reformas, aguardadas pelos agentes do mercado, podem influenciar o andamento dos papéis na Bolsa.

Galdi diz que, caso as medidas sejam aprovadas, a Bolsa pode continuar a subir, dado que o temor de uma piora nas contas públicas deve diminuir.

Reformas são necessárias e, se o pacote vier, a Bolsa anda mais rápido. Mas precisa acontecer uma aproximação dos poderes Executivo e Legislativo, com a troca de presidentes no Congresso.
Pedro Galdi, analista da Mirae

3. Commodities em alta

Outro ponto-chave do desempenho da Bolsa para o ano que vem são as cotações das commodities, matérias-primas como petróleo e minério de ferro. Caso continuem em alta, como alguns analistas preveem, a Bolsa brasileira deve se beneficiar.

"Os preços das commodities vão permanecer em alta, mesmo sem um superciclo, como muitos economistas estão ventilando. Esse crescimento global dos preços das commodities deve manter a Bolsa em alta, pois o Ibovespa depende muito desse fluxo", afirmou Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos.

4. EUA x China

Antes do coronavírus, o que tirava o sono dos investidores eram as investidas e retaliações comerciais do governo de Donald Trump, dos Estados Unidos, contra a China. Com a derrota de Trump nas eleições deste ano, a chamada guerra comercial deve ganhar outros contornos.

O panorama é que a guerra comercial entre EUA e China seja mais suave, o que é bastante positivo para o mercado acionário. Nesse sentido, os países emergentes, como o Brasil, podem se beneficiar de uma entrada de investidores estrangeiros, o que já verificamos em novembro, por exemplo.
Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos

5. Governo Biden nos EUA

A eleição de Joe Biden para a Presidência dos EUA também pode ter reflexos na Bolsa por aqui. De acordo com Pasianotto, a possibilidade de o governo norte-americano desembolsar um pacote de estímulos econômicos deve fomentar os índices por todo o mundo, inclusive no Brasil.

"Há a perspectiva de que a vitória de Joe Biden traga a esperada ajuda do governo à economia norte-americana, o que ajuda também a economia global. Estamos supondo um pacote de US$ 2 trilhões, o que daria uma tração adicional, apesar das consequências fiscais", disse.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.