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Investidores com mais de 50 anos buscam ações; como investir nessa idade?

Maurício Paranhos, de 60 anos, começou a investir na B3 em 2019 - Arquivo Pessoal
Maurício Paranhos, de 60 anos, começou a investir na B3 em 2019 Imagem: Arquivo Pessoal
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Raphael Coraccini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

30/04/2021 04h00

A taxa de juros básica ainda nos menores níveis da história, e uma preocupação cada vez maior com o futuro, diante da crise provocada pelo coronavírus, têm sido frequentemente citados como os principais motivos para o número maior de investidores na Bolsa. Esses fatores também têm gerado preocupação entre os mais velhos.

Segundo a B3, 10% dos investidores que entraram na Bolsa de Valores entre 2019 e 2020 tinham mais de 45 anos. Em abril deste ano, mais de 25% das 3,5 milhões de contas eram de pessoas acima de 45 anos, sendo meio milhão de investidores com mais de 55 anos.

Diferentemente dos investidores mais novos, quem começa a investir mais velho, na média, tem mais conhecimento do mercado, renda para investir e objetivos bem definidos, segundo especialistas ouvidos pelo UOL. Entenda no texto quais são os melhores caminhos de investimentos para quem tem mais de 50 anos de idade.

A carteira de investimentos para 50+

O analista de ações e consultor financeiro do Kinvo, Beto Assad, afirma que o indicado na hora de montar uma carteira de investimentos é usar a regra do "100 menos a idade do investidor" como referência. "O valor resultante dessa conta é colocado em renda variável, o restante, em renda fixa", explica.

Alguém que tenha 50 anos de idade, por exemplo, pode investir 50% em renda variável, optando por ações menos instáveis e com bom histórico de pagamento de dividendos. "Fundos de investimento imobiliário também são interessantes para ajudar a ter uma renda mensal", indica.

Os outros 50%, que serão aplicados em renda fixa, também podem ter uma rentabilidade maior, dependendo da escolha. Assad afirma que, nessa modalidade, o Tesouro Direto IPCA+ é uma opção, porque garante um ganho acima da inflação ao investidor.

Diante das taxas de juros baixas, o investidor pode se sentir tentado a empurrar ainda mais dinheiro para aplicações arriscadas, mas Assad afirma que as taxas de juros não devem se manter no patamar atual, o que pode levar boa parte do capital disponível na Bolsa de volta para a renda fixa.

"Não acredito que iremos voltar a taxas (de juros) tão absurdas como no passado, perto dos 15%, mas, infelizmente, nossa economia ainda não está pronta para trabalhar com uma taxa de juros tão baixa quanto a atual", afirma Assad. Por isso, mesmo investidores mais velhos não podem descartar arriscar um pouco mais para ter melhores retornos.

Mais experiência ajuda na Bolsa

Os mais velhos tendem a ter ganhos mais altos na renda variável porque combinam conhecimento, capital e moderação, segundo o especialista em investimentos da Easynvest, José Falcão Castro.

Além disso, conta a favor dos mais experientes a cautela para momentos de incerteza. O empresário Mauricio Paranhos, de 60 anos, sentiu na pele as oscilações da Bolsa. Ele começou a investir em ações em 2019. Em 2020, seus investimentos sofreram. "Um fundo de renda variável no qual eu investia havia caído 44% em 3 meses", conta.

Isso não o intimidou: ele manteve 20% da sua carteira aplicada em renda variável. Ao final de 2020, Paranhos registrou uma perda de 0,02% na renda fixa e um ganho de 1,52% no CDB, mas foram os fundos de renda variável que apresentaram o melhor desempenho, com um retorno de 2,4% no período.

Diante da possibilidade de melhora do cenário econômico, o empresário pretende aumentar seu aporte em renda variável para 25% do total da carteira.

Escolha de setores pesa mais na carteira dos 50+

Castro, da Easynvest, acredita que as ações podem ser um caminho para que investidores com mais de 50 anos tenham mais retorno, mesmo os inexperientes, mas as aplicações devem ser direcionadas para os setores certos. Ele indica o setor de serviços essenciais, em especial, formado por empresas de energia e telecomunicações.

Esses setores, segundo o especialista, são menos voláteis que os de commodities e tecnologia — que podem oferecer perspectiva maior de valorização das ações, mas não costumam pagar bons dividendos, "que é o que mais interessa para as pessoas com mais de 50 anos".

Para encontrar as melhores ações, Castro aconselha o investidor a ficar atento a dois indicadores principais. Um deles é o índice de pay out, que informa quanto a empresa distribui do seu lucro líquido para os seus acionistas. Outro indicador fundamental é o dividend yeld, ou rendimento de dividendo, que é o percentual que a empresa paga por cada ação que o investidor detém.

Entre as empresas indicadas por Falcão estão a Taesa, que têm expectativa de pagar, em 2021, em torno de 8 e 9% de dividend yeld; e a Vale, que pode pagar entre 7% ou 8% ao ano, muito superior aos cerca de 2,4% que devem ser pagos aos investimentos indexados pela taxa Selic.

Paloma Brum, analista de investimentos na Toro Investimentos, afirma que é preciso ter opções que podem garantir um retorno a longo prazo e ajudar a compor a aposentadoria. No setor financeiro, B3, Bradesco e Itaú são as ações indicadas. Em utilities, Sanepar, Vivo Telefônica e ISA CTEEP. No setor de construção civil, Cyrela e MRV. Outras opções em setores variados são Lojas Renner (varejo), Vale (mineração), Totvs (tecnologia) e Weg (maquinário industrial).

Investidores 50+ também precisam proteger a carteira

Paloma Brum concorda que é possível buscar mais rentabilidade optando por ativos mais arriscados, mas ela alerta para a necessidade de proteger a maior parte do capital em um investimento que possa ser acessado a qualquer hora em caso de urgência, sem comprometer muito a rentabilidade.

"A parte que o investidor pode precisar tirar deve ser colocada em títulos públicos, que apresentam liquidez diária, ou ainda em títulos de renda fixa privada, como um CDB, sem prazo mínimo de resgate", explica.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.