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7 empresas nas quais você pode investir sem precisar comprar ações

Exclusivo para assinantes UOL

Raphael Coraccini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

26/06/2021 04h00

Em tempos de pressão inflacionária, emprestar dinheiro para empresas pode significar rendimentos maiores. Títulos de dívidas privadas, como as debêntures, permitem ao investidor contornar a oscilação do mercado de ações ao mesmo tempo em que continua a investir em companhias.

No caso de debêntures do setor de infraestrutura, há ainda a garantia de isenção de Imposto de Renda sobre os retornos —o que aumento ainda mais os rendimentos.

O UOL Economia+ ouviu analistas para entender quais são as empresas que estão emitindo debêntures, se elas valem o investimento, e os cuidados e riscos desse tipo de investimento. Confira abaixo.

1. CCR e Rumo Logística

Ricardo Teofilo, gerente de renda fixa da Órama Investimentos, recomenda o investimento em debêntures neste momento por causa do aumento da taxa básica de juros, a Selic. O momento implica a possibilidade de receber prêmios maiores das empresas por conta da relação desses papéis com índices relacionados à inflação, afirma o analista.

Para o momento, ele destaca as ofertas primárias da CCR, que emitiu debêntures pela última vez em março, e da Rumo Logística, com ofertas mais recentes em abril.

São empresas antigas, com índice de governança bem interessante, que apresentam boa capacidade creditícia, tem alta probabilidade de pagamento de dívidas e robustez suficiente.
Ricardo Teofilo

2. Petrobras

A capacidade de a empresa arcar com as dívidas é o que mais impacta o risco do investimento, já que não há garantia via FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

Por isso, os compradores de debêntures da Petrobras se alarmaram durante os desdobramentos da operação Lava Jato, que colocaram a empresa em condição delicada. Mesmo diante da crise, porém, a empresa manteve o pagamento dos prêmios e, desde 2017, está captando dinheiro via debêntures.

3. Engie

O setor energético também é destaque na captação de dinheiro via crédito privado. "As elétricas normalmente emitem debêntures para aumentar seus parques energéticos pelo país", afirma Guilherme Artmann, chefe de renda fixa da Easynvest.

Destaque para a Engie, que tem emitido papéis desse tipo para tocar projetos na área de energia alternativa.

4. Lojas Americanas

Fora do grupo de debêntures incentivadas estão os papéis das Lojas Americanas, que tem contraído dívidas para expansão da sua operação online.

Para o investidor, a compra dessas debêntures fora do grupo de infraestrutura implica cobrança de IR, mas também a possibilidade de prêmios maiores. Segundo a Anbima, o IDA-IPCA ex-infraestrutura, índice de rentabilidade das debêntures sem benefícios fiscais, esteve em 3,26% em maio, enquanto o índice de infraestrutura (IDA-IPCA infraestrutura) foi de 1,90%.

Matheus Jaconeli, economista da Nova Futura, diz que a aplicação em debêntures traz a possibilidade de ter bons rendimentos sem renunciar à segurança de um ativo de renda fixa. Porém, ele indica alguns cuidados.

O investidor deve estar atento à situação financeira da companhia. Como a debênture se trata de um título de dívida, quanto mais endividada e sensível for a situação da companhia, maior o risco.
Matheus Jaconeli

5. Odebrecht e Suzano

Mesmo a Odebrecht, em seus momentos mais periclitantes, tem mantido seus compromissos em dia e tem debêntures rolando no mercado secundário, com vencimentos até 2030.

A Suzano, outra empresa brasileira com alto nível de endividamento e uma das mais alavancadas do país (ou seja, tem muito dinheiro de terceiros na companhia), também é emissora e tem papéis com vencimento até 2028.

O nível de alavancagem de uma empresa implica possibilidade maior de calote, mas pode significar prêmios mais altos. Por isso, é preciso calcular o risco, diz Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Research.

Essa empresa é muito alavancada, ela tem muito caixa, a receita é muito volátil ou é mais padronizada e antecipável? Tudo isso deve estar na análise de crédito que vai dizer o quanto aquele prêmio é bom ou ruim. Você pode ter uma empresa mais arriscada, mas que paga tanto prêmio que vale a pena; ou uma muito segura, mas que não paga praticamente prêmio nenhum. É comparar o risco com o prêmio e ver o que faz sentido.
Marília Fontes

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.