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Fundos imobiliários vão subir, agora que reforma não vai mais cobrar IR?

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Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

14/07/2021 17h02

O deputado Celso Sabino (PSDB-SA), relator da reforma tributária na Câmara, retirou a tributação sobre os dividendos de fundos imobiliários no relatório apresentado na última terça-feira (13). Pela proposta original, o governo pretendia tributar o retorno dos FIIs em 15%, o que derrubou o preço das cotas desses fundos. Mantida a isenção, há espaço para a recuperação?

O mercado respondeu de imediato à proposta quando o texto foi entregue à Câmara pelo ministro Paulo Guedes, em 25 de junho. Naquela data, o índice que calcula o desempenho de preço das cotas, o Ifix, chegou a cair quase 3%. Enquanto o texto não for aprovado em plenário, ele ainda pode ser alterado, mas analistas explicam o que pode acontecer com os preços, e se já é hora de voltar a investir. Veja abaixo.

Preço das cotas voltou a subir

Na Habitat Capital Partners, que faz a gestão de fundos imobiliários, a notícia de que os fundos imobiliários podem continuar isentos foi bem-vinda. "Com a retirada da tributação dos rendimentos, os fundos que sofreram quedas expressivas devem voltar aos níveis que estavam sendo negociados nos últimos meses", afirma Camila Almeida, sócia-fundadora da Habitat.

Ela explica que a expectativa da tributação causou apreensão ao mercado, com a possibilidade de migração dos investidores para outros títulos isentos, o que pressionou as cotas para baixo. Mas lembra que, apesar de realizarem distribuição regular de rendimentos, os fundos não são renda fixa e oscilações de preço são normais.

"O investidor deve verificar quais componentes vão rentabilizar o fundo, para que mesmo no caso de uma tributação futura, os rendimentos possam compensá-la", diz Camila.

Bom momento para entrar?

Rodrigo Moliterno, chefe de renda variável da Veedha Investimentos, diz que agora pode ser um bom momento para entrar nesses fundos. Segundo ele, algumas cotas ainda estão depreciadas, depois do tombo que o mercado levou com a apresentação da proposta da reforma.

Moliterno recomenda os fundos de papel, que são lastreados em títulos e dívidas do mercado imobiliário.

"Normalmente esses fundos são indexados a algum índice de inflação mais juros. Então além do benefício fiscal, você ainda tem a possibilidade de se proteger da alta dos juros com esse tipo de FII", afirma o analista da Veedha Investimentos.

Pechinchas acabaram

Já Rodrigo Possenti, gestor da Fator, acredita que o momento para entrar nos fundos comprando cotas mais baratas já passou.

"Quase todos os preços já voltaram ao patamar que estavam e os que não voltaram, não sei se voltarão. Algumas cotas estavam com preço exagerado e agora isso se ajustou", afirma Possenti.

Para ele, a "montanha-russa" passou e o investidor não precisa esperar a votação no Congresso para voltar a aplicar nos fundos.

"Não foi escrito em pedra, mas está bem claro que não vai haver tributação. Agora é se preocupar com os fundamentos dos fundos, o potencial de crescimento, de dividendos", diz o gestor da Fator.

Preços já estavam baixos

A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, diz que os fundos vinham caindo até antes da proposta da reforma tributária ser apresentada.

"Não foi só a notícia da proposta, também há uma maior aversão ao risco e a subida de juros no mercado", diz Rafaela.

Segundo a economista, os fundos imobiliários de tijolo, principalmente os do setor de lajes comerciais e shoppings, ainda têm sofrido com impactos da pandemia, como a negociação de descontos de aluguel e aumento da vacância.

"Mas acreditamos que os aluguéis devem ter reajustes, e a volta da ocupação tende a resultar em aumento dos dividendos dos fundos que foram impactados nos últimos meses", afirma a economista-chefe do Inter.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.