PUBLICIDADE
IPCA
+0,53 Jun.2021
Topo

Empresas que já estão na Bolsa lançam novas ações; veja se vale aproveitar

Grupo Soma quer fazer nova oferta na Bolsa para bancar a compra da Hering - Divulgação
Grupo Soma quer fazer nova oferta na Bolsa para bancar a compra da Hering Imagem: Divulgação
Exclusivo para assinantes UOL

Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

15/07/2021 04h00

A Méliuz (CASH3), empresa de cashback que está se expandindo no segmento financeiro, vai lançar novas ações na Bolsa e pode levantar mais R$ 1 bilhão. O Grupo Soma, dona das marcas Farm e Animale, também deve fazer o mesmo, para levantar valor semelhante. Essas operações são chamadas de "follow-on", ou oferta subsequente, e podem ser oportunidades para quem já está investido na empresa ou que também quer ser acionista.

Antes de aproveitar essas novas ofertas, porém, o investidor precisa entender o propósito e o tipo de operação. A empresa pode ofertar novas ações por estar precisando de recursos para investir, para pagar uma dívida, ou para pagar um ex-acionista, quando ele deixa a empresa. Analistas ouvidos pelo UOL Economia+ explicam o que acontece com quem já tem ações durante um "follow-on" e dizem se vale ou não a pena entrar numa dessas ofertas.

Dinheiro poder ir diretamente para a empresa ou ex-sócios

"É essencial avaliar o destino que a companhia pretende dar aos recursos captados", afirma Paola Brum, analista da Toro Investimentos.

Existem dois tipos de ofertas subsequentes e cada uma delas impacta de um jeito diferente os investidores que já têm ações da empresa.

O "follow-on" pode ser do tipo primário, quando a própria empresa emite novas ações no mercado. Isso significa que os recursos captados vão ser utilizados pela própria companhia, para aliviar uma dívida ou investir no próprio crescimento. Ofertas assim, costumam ser promissoras para quem já tem a ação da empresa.

Se a empresa fizer bom uso dos recursos, o capital que o acionista investiu vai ser remunerado com uma taxa maior e ele vai conseguir ter um retorno maior com as ações.
Fernando Barbedo, sócio da corretora sim;paul

As ofertas secundárias acontecem quando um dos sócios deixa a empresa. Nesse caso, não são emitidas novas ações e o dinheiro captado com a operação não é reinvestido, porque os recursos vão para o ex-acionista.

Se sai um sócio ruim e entra um sócio bom, é positivo. Mas se sai um investidor renomado por exemplo, o mercado vê com desconfiança e pode acabar tendo um efeito negativo.
Fernando Barbedo

Preço não muda, mas dividendos são diluídos

Numa oferta subsequente, o preço da ação não muda muito em relação ao que estava sendo negociado antes do "follow-on".

"Vai ter oscilação do preço nos primeiros dias depois da oferta, que pode ser para cima ou para baixo a depender da demanda de mercado. Mas a tendência é que os valores se ajustem", diz Rodrigo Franchini, chefe de relações institucionais da Monte Bravo.

Mas o dividendo pago por ação diminui quando o follow-on traz novos papéis para o mercado. Isso acontece porque a participação do acionista na empresa diminui, o que pode ser resolvido se ele comprar novas ações.

De qualquer forma, empresas que fazem esse tipo de captação, não priorizam dividendos, justamente porque estão mais preocupadas em reinvestir os recursos obtidos com a operação.

A rentabilidade por ação pode demorar mais a vir justamente por ser uma empresa que está investindo no próprio crescimento.
Rodrigo Franchini

É bom para novos investidores?

Para os analistas, o investidor que passa a investir em uma empresa por meio de uma oferta subsequente também tem chances de ganhar com o crescimento da companhia.

"Assim como o IPO, é uma possibilidade de entrar numa empresa com um preço mais barato do que ela vai valer no médio prazo", diz o analista da Monte Bravo.

Mas para o pequeno investidor nem sempre é possível. Essas ofertas, na maior parte das vezes, são restritas para pessoas que investem pelo menos R$ 1 milhão.

Este ano, empresas como a operadora de planos de saúde Hapvida e os bancos Inter e BTG Pactual fizeram "follow-on" apenas para grandes investidores.

"As empresas sentam na mesa com poucos investidores que vão assinar cheques maiores. Isso torna a captação mais rápida", afirma Richard Camargo, analista da Empiricus.

Mesmo não participando diretamente da oferta, o pequeno investidor pode continuar comprando ações da empresa normalmente, pelo home broker da corretora.

Méliuz é a próxima da fila

A Méliuz também vai fazer uma oferta subsequente restrita a investidores qualificados. Desde que estreou na Bolsa, em novembro do ano passado, as ações da empresa subiram mais de 500%.

"Basicamente eles entregaram o que tinham que entregar com os recursos do IPO e estão recorrendo ao mercado numa segunda rodada", diz Camargo.

A empresa que já ultrapassou R$ 7 bilhões em valor de mercado quer captar recursos para financiar sua expansão no segmento de serviços financeiros.

"A gente vê muitas empresas que estão fazendo aquisições, principalmente no setor de tecnologia, usando o mercado de capitais para captar recursos", afirma Matheus Terzia, gestor de renda variável da Neo Investimentos.

O "follow-on" do Grupo Soma deve levantar em torno de R$ 750 milhões, segundo a empresa. Segundo comunicado da companhia, 100% do valor levantado com a nova oferta de ações será para viabilizar aquisição da Hering. O negócio foi avaliado em R$ 5,1 bilhões.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.