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Ações da Americanas desabam 62%; veja por que você não precisa se preocupar

Exclusivo para assinantes UOL

Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

19/07/2021 15h01

Os investidores mais desavisados devem ter levado um susto nesta segunda-feira (19) ao ver o preço das ações da Lojas Americanas (LAME3 e LAME4). Na última sexta (16), os papéis terminaram o dia valendo, respectivamente, R$ 20,56 e R$ 20,90. Na manhã desta segunda-feira estavam por menos da metade do preço, e fecharam a sessão na Bolsa com queda de 62,2%. Mas, nesse caso, não foi porque a empresa perdeu valor.

É que a partir de hoje começou a união entre Lojas Americanas e B2W (BTOW3) na Bolsa. As ações LAME3 e LAME4 agora são papéis da "holding" da Americanas, e os papéis BTOW3 deixam de existir, e agora operam como AMER3. Quem estava investido nas ações da Americanas percebeu a entrada de papéis da Americanas S.A (AMER3) em sua carteira. O que o investidor deve fazer agora? Veja abaixo o que dizem analistas ouvidos pelo UOL.

Devo manter ações das duas empresas?

Para Flávio de Oliveira, analista de renda variável da Zahl Investimentos, para manter a posição que tinha em Lojas Americanas antes da mudança, o investidor também precisa manter na carteira as ações de Americanas S.A (AMER3). Dessa forma, a nova precificação de LAME3 e LAME4 é compensada pelo valor do papel novo.

"O problema é que, por mais que sejam empresas correlatas, os papéis podem se comportar de maneiras diferentes", afirma Oliveira. O preço de Americanas S.A depende da avaliação que o mercado vai fazer sobre o valor da empresa.

Em março deste ano, os investidores lidaram com uma situação parecida. Na ocasião, o Pão de Açúcar (PCAR3) se separou do Assaí (ASAI3) e enquanto as ações da primeira despencaram, os papéis da outra dispararam.

As ações estão caindo. E agora?

Hoje, no entanto, tanto as ações de Lojas Americanas quanto de Americanas S.A operam em baixa. Mas os analistas dizem que a queda tem outros motivos.

"É mais uma questão estrutural da Bolsa mesmo do que das operações dessas empresas. Os ativos de risco estão sofrendo bastante hoje, tanto aqui como lá fora", afirma Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos.

O analista da Zahl diz que o investidor deve evitar ser impulsivo e pelo menos esperar por uma avaliação do mercado. "Tomar decisões em um momento de pouca visibilidade do horizonte pode gerar perdas expressivas. Não dá para se apavorar", diz Flávio de Oliveira.

"É uma questão de tempo. Os próximos resultados das empresas vão facilitar a leitura e uma compreensão do que o mercado considera como preço justo para a empresa em relação ao que ela está sendo negociada", afirma Esteter, da Guide.

Reorganização deve gerar valor para a empresa

Os analistas acreditam que a fusão vai trazer novas oportunidades de ganho de receita e reduzir custos. Para Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, a transferência de operações para uma única empresa é positiva e deve gerar valor ao acionista.

"As empresas perdiam eficiência à toa. Eram duas equipes para fazer o mesmo processo. Com a reorganização, há uma economia de escala muito boa e isso é muito importante para o investidor", afirma o estrategista.

Ele lembra que Lojas Americanas e B2W dedicaram o primeiro semestre à integração e devem se beneficiar com redução de custos. A ideia é concentrar as operações das 1.700 lojas físicas e vendas online em uma plataforma só.

De acordo com Cruz, a empresa pode focar em fusões e aquisições a partir de agora para ganhar poder de fogo contra concorrentes que estão indo pelo mesmo caminho.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.