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Por que brasileiro prefere poupança? Baixa renda e preconceito pesam nisso

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Colaboração para o UOL, em São Paulo

21/07/2021 04h00

O mercado hoje é repleto de opções e informação para quem quer começar a investir, mas em um país com tantas desigualdades como o Brasil, a discriminação ainda é uma barreira para muita gente que quer acessar o mundo dos investimentos. Nesse cenário, quem ganha é a poupança, que acaba sendo a única opção de investimento para grande parte da população que se vê sem acesso a outras opções.

Segundo Amanda Dias, jornalista e orientadora financeira, o público de baixa renda ainda encontra dificuldades para guardar dinheiro e escolhe a poupança quando consegue fazer sobrar alguma coisa. "É a primeira atitude de um jovem que está começando. Só de estar criando o hábito, é importante", afirmou durante o encontro do Guia do Investidor UOL, série de eventos gratuitos e quinzenais do UOL para quem quer investir. Assista abaixo ao evento completo, conheça os preconceitos que barram o acesso aos investimentos, e saiba como driblar essas barreiras para começar a investir.

Liberdade financeira para quem?

Jornalista nascida no interior da Bahia, Amanda Dias criou em 2018 o Grana Preta, um canal na internet com conteúdo sobre educação financeira para autônomos e microempreendedores de baixa renda.

"Meu primeiro impulso para começar nas redes sociais foi compartilhar minhas próprias experiências. Para uma mulher negra, seguir as dicas das grandes influenciadoras nem sempre dá certo", disse Amanda.

"Na realidade prática de uma mulher negra é diferente. Ela tenta conseguir uma conta bancária essencial e não é bem atendida no banco, não consegue pedir descontos na loja e tem menos renda, pois seu trabalho é estruturalmente desvalorizado", afirmou.

Mulheres também podem ser guardiãs do dinheiro

Ilana Bobrow é uma das poucas mulheres que ocupam a cadeira de sócia-fundadora e executiva de uma empresa no mercado financeiro. "A gente quase não tem vozes femininas em liderança nesse mercado e isso corrobora com um viés comportamental para as mulheres, que acham que não investem bem", disse a executiva da Vitreo.

"Muita gente, inclusive as próprias mulheres, ainda acha que é o homem que cuida do dinheiro da família", disse, durante o evento, a sócia-fundadora da casa de investimentos Vitreo, um dos negócios do Grupo Universa, da Empiricus.

É um estereótipo que ainda permanece, mesmo que a prática mostre justamente o contrário. "As mulheres não só investem bem, como muitas vezes fazem isso melhor do que os homens. Elas têm mais resiliência, paciência e comportamento menos explosivo na hora de investir", afirmou Ilana.

Amanda diz que a mulher tem visão de buscar segurança. "Ela não fica no desespero de ganhar a qualquer custo. Ela já trabalha 20 horas a mais que o homem, então ela tem mais o que fazer", afirmou a jornalista.

Vencendo os estereótipos ultrapassados

Achar que investimento não é para mulheres é um pensamento tão errôneo e ultrapassado quanto acreditar que investir é um jogo de azar. "As pessoas têm uma falsa percepção de que a poupança é para poupar e investimentos são um cassino", disse Ilana.

E muita gente ainda acha que investimento é, necessariamente, colocar dinheiro na Bolsa, sem saber que existem opções tão seguras quanto a poupança e que rendem mais. Para Amanda Dias, o mercado financeiro ainda causa espanto para muitas pessoas.

"O mercado financeiro assusta pela volatilidade (oscilações de preço), porque algo que acontece nos Estados Unidos afeta a Bolsa brasileira, por exemplo. Isso ainda 'buga' a mente das pessoas. O fluxo de informação é muito grande e isso às vezes acaba atrapalhando", disse Amanda.

Urgência em guardar dinheiro

Amanda explica que poucas pessoas pensam que vão deixar de ganhar dinheiro aplicando na poupança. "Elas só acham que precisam aplicar em algum lugar porque no futuro pode acontecer alguma coisa", afirmou Amanda. A lógica da reserva de emergência está correta, mas o problema é que, muitas vezes, o brasileiro não dá um passo adiante.

"A gente precisa começar a entender que o dinheiro perde valor com o tempo por causa da inflação. E que se tem uma outra alternativa com o mesmo risco da poupança, rendendo mais, vai valer mais à pena", disse Ilana Bobrow.

Guia do Investidor UOL é trilha para quem quer começar a investir

O Guia do Investidor UOL é uma série de eventos quinzenais e gratuitos do UOL que funciona como uma trilha de conhecimento, que passará por temas como comportamento, investimentos básicos para iniciantes a investimentos mais arrojados, como ações, fundos multimercado e até criptomoedas.

Para ajudar os leitores nessa trilha, investidores profissionais, analistas, e grandes especialistas do mercado darão aulas quinzenais para ensinar o passo a passo dos investimentos.

Você pode conferir a programação do Guia do Investidor UOL aqui.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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