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Poupança sobe em agosto e supera Bolsa, dólar e fundo imobiliário

Com alta de apenas 0,25% em agosto, poupança bate Ibovespa, dólar, ouro e Ifix - Getty Images
Com alta de apenas 0,25% em agosto, poupança bate Ibovespa, dólar, ouro e Ifix Imagem: Getty Images
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

01/09/2021 04h00

Em um mês marcado pela forte oscilação nos mercados, a boa e velha poupança foi o destaque, encerrando agosto com variação positiva, enquanto o Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa, o dólar, o ouro e o Ifix, o índice dos fundos imobiliários mais negociados na Bolsa, terminaram o período com variações negativas.

A notícia só não é tão boa para os aplicadores da poupança porque a caderneta —mesmo com o rendimento acima de zero, não conseguiu bater a inflação. O IPCA-15, prévia da inflação oficial do governo, subiu 0,89% no mês. Ou seja, em termos reais, nem a poupança conseguiu se salvar. Veja abaixo o rendimento dos principais investimentos em agosto.

Incertezas afetam investidores

Segundo profissionais de mercado, problemas internos ao Brasil e também incertezas no ambiente internacional, que estão afetando a recuperação econômica do Brasil e, por tabela, das empresas com ações negociadas em Bolsa são as principais preocupações dos investidores.

A volatilidade se concentrou no mercado de renda fixa, na curva de juros brasileira, e na Bolsa. Ambos tiveram um mês muito negativo, sob bastante pressão, e o principal causador dessa volatilidade é a piora na percepção fiscal, que vem se acentuando e isso tem contaminado as expectativas dos agentes.
Sérgio Zanini, sócio e gestor da Galápagos Capital

A alta da inflação também é motivo de preocupação. A alta dos preços forçou o Banco Central a acelerar a elevação dos juros —um fator que atrapalha a Bolsa. Já no início de agosto, o Copom elevou a taxa básica de juros da economia brasileira de 4,25% para 5,25% ao ano, por causa da aceleração da inflação.

No ambiente externo, as incertezas aumentaram com o avanço da variante delta, que pode atingir a recuperação da economia global, com reflexos negativos sobre o Brasil.

A volatilidade está baseada em problemas internos e externos. Olhando lá fora, a China derrubou o preço do minério, o que afeta a principal ação da Bolsa, que é a Vale. Também tivemos ruídos relacionados à variante delta.
Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos

Veja abaixo como se comportaram alguns dos principais indicadores do mercado brasileiro em agosto.

Desempenho em agosto

  • Ifix: - 2,66%
  • Ibovespa: -2,48%
  • Dólar: -0,73%
  • Ouro: -0,67%
  • Poupança: +0,25%

Com esse desempenho negativo em agosto para a maior parte das classes de investimentos do mercado, muitos indicadores acabaram voltando a patamares que tinham no começo do ano, zerando ganhos que tinham sido acumulados em especial no primeiro semestre. Veja abaixo.

Desempenho acumulado no ano

  • Ibovespa: -0,20%
  • Dólar: -0,33%
  • Ifix: -4,22%
  • Ouro: -5,7%
  • Poupança: +1,36%

Cenário para restante do ano

Para o restante do ano, profissionais de mercado apontam que o ambiente de incerteza pode continuar prejudicando os mercados de investimentos, mantendo a volatilidade dos principais indicadores financeiros.

Vai continuar por dois motivos: os problemas atuais da crise hídrica e o teto de gastos não foram endereçados, e estamos nos aproximando de um ano eleitoral em que mais ruídos ocorrem. O investidor terá que ficar atento e resiliente com essas oscilações.
João Beck, economista e sócio da BRA Investimentos

A retomada da economia global é importante porque ajuda o desempenho de grandes exportadoras brasileiras, como as mineradoras, siderúrgicas e produtoras de alimentos, que têm peso na Bolsa, destacam analistas.

A queda do minério de ferro deve-se a mais um dado fraco de atividade na China e que reduz a expectativa pela demanda da commodity. Após dados aquém do esperado em julho para indústria e varejo, os primeiros dados de agosto revelam um quadro de desaceleração.
Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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