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Fundos de criptomoedas na Bolsa sobem até 120%; veja se vale investir agora

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Paula Pacheco

Colaboração para o UOL, em São Paulo

30/10/2021 04h00

O bitcoin, criptomoeda pioneira e a mais comercializada no mundo, começou o ano sendo negociado a R$ 150.730,83. Na terça-feira (26), foi cotado a R$ 351.270,60. Pouco antes, no dia 20, o ativo digital chegou a um valor recorde, de R$ 370.791 (US$ 66.457,74).

O desempenho do bitcoin e de outros criptoativos tem chamado a atenção dos investidores, inclusive no Brasil, onde a rentabilidade das aplicações tradicionais já não é tão atraente como no passado. Além de conseguir comprar os ativos digitais diretamente nas corretoras especializadas, o investidor pode aplicar em criptomoedas, como bitcoin (BTC), ethereum (ETH), binance coin (BNB) e solana (SOL) e outras, por meio de fundos negociados em plataformas e de ETFs negociados em Bolsa.

Já existem cinco ETFs de criptomoedas na Bolsa brasileira e todos estrearam suas negociações neste ano e já acumulam valorização entre 25% e 120%, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores, acumula perdas de mais de 13% no ano. Será que é hora de apostar nesses fundos? Veja abaixo o que disseram os analistas ouvidos pelo UOL.

Bolsa brasileira tem 5 ETFs para investir

O primeiro produto deste tipo começou a ser negociado na B3 em abril de 2021. Hoje já são cinco ETFs registrados — apenas em agosto foram lançados três.

São eles: Hashdex Nasdaq Crypto Index Fundo de Índice (HASH11), QR CME CF Bitcoin Reference Rate (QBTC11), CME CF Ether Reference Rate (QETH11), Hashdex Nasdaq Bitcoin Reference Rate (BITH11) e Hashdex Nasdaq Ethereum Reference Price Fundo de Índice (ETHE11).

A modalidade, ainda recente, tem se destacado. Segundo relatório da B3 referente a setembro, o HASH11 foi o quinto ETF mais negociado entre todos os fundos de índices negociados na Bolsa.

Além disso, todos eles registram valorização desde a estreia até o fechamento do último dia 26. Veja abaixo:

HASH11 - Lançado em 26/04: +25,26%
QBTC11 - Lançado em 23/06: +119,4%
BITH11 - Lançado em 05/08: +66,82%
QETH11 - Lançado em 04/08: +72,1%
ETHE11 - Lançado em 18/08: +40,07%

ETFs facilitaram investimentos em criptomoedas

Para quem nunca investiu em criptoativos, os ETFs (fundos que acompanham um índice ou um conjunto de ativos) oferecem algumas facilidades, como fazer a compra por meio de uma corretora já conhecida (para começar, basta um cadastro), além de encontrar opções lastreadas em vários índices.

O HASH11, por exemplo, replica o Nasdaq Crypto Index (NCI), composto por oito criptomoedas, com pesos diferentes. Além disso, a cada trimestre novos ativos são inseridos ou excluídos do NCI, segundo critério de desempenho e de aceitação do mercado. No entanto, essa facilidade tem um preço. O investidor arca com a taxa de administração e a de custódia, por exemplo.

Outro diferencial para quem opta por ETF em vez de comprar uma criptomoeda diretamente de uma exchange (corretora de criptos) é que esses produtos financeiros são regulados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Mas, seja qual for a modalidade de acesso escolhida pelo investidor, é preciso estar atento às variações de preço.

Em relatório recente, o estrategista-chefe da XP, Fernando Ferreira, chamou a atenção para essa característica. "A volatilidade das criptomoedas é tão alta que a grande maioria dos investidores brasileiros anda não está preparada para ela".

Rodrigo Borges, analista de criptoativos da Ohmresearch, plataforma de análises independentes, avalia que os ETFs podem ser uma boa forma de investir em criptomoedas, já que contam com uma estrutura de fundo, ou seja, têm uma gestão por trás dos ativos e são negociados em Bolsa, o que facilita o acesso.

Para Roberta Antunes, diretora de crescimento da Hashdex, os ETFs podem facilitar a vida de quem quer incluir esses ativos em seu portfólio.

"Quando o investidor opta por investir em cripto diretamente, além de estudar entre os mais de 10.000 projetos de cripto, ele precisa se preocupar em como armazenar sua chave privada, como prevenir hackers, como pagar impostos e inclusive, no caso de uma eventual sucessão, como deixar o acesso a eles. Já quando investe em cripto via ETFs, ele está protegido pelos órgãos que regulam o mercado de capitais", afirma a executiva.

Apesar da facilidade, recomendação é investir no máximo 5% da carteira

Os criptoativos, salienta Lucas Collazo, especialista em investimentos da Rico, não necessariamente estão correlacionados à carteira tradicional de ativos.

"Além disso, tem um risco maior, por isso é preciso ter muito estômago para ter posição. É um investimento mais de longo prazo. Por isso, recomendamos de 1% a 5% da carteira em criptos, normalmente para quem tem um perfil de moderado a mais arrojado", diz.

Apesar da valorização das criptos ter acelerado nos últimos tempos, Borges acredita que os investidores que aderirem agora aos ativos ainda têm chance de aproveitar o período de alta.

"Ainda há potencial de valorização para um prazo de seis meses a um ano. Mas é claro que em ativos de alta volatilidade sempre são esperadas algumas correções de preço", diz.

Ainda de acordo com Borges, as análises internacionais, inclusive de grandes bancos, apontam para o bitcoin sendo negociado a cerca de US$ 150 mil até março ou abril de 2022. A partir daí, espera-se uma correção de valor, com queda entre 30% e 40% e um preço na casa dos US$ 70 mil a US$ 80 mil. Mas até o fim do ano que vem, o preço pode ter uma forte alta novamente.

A diretora da Hashdex prefere não se arriscar em projeções de valorização de criptomoedas. E explica a razão.

"Adivinhar o preço do bitcoin ou qualquer outro ativo no curto prazo é uma missão impossível. Existem alguns modelos de valuattion (avaliação), mas nenhum realmente conclusivo que eu recomende. Acho importante enxergar a cripto como uma evolução tecnológica. Uma boa analogia é pensar nos projetos de blockchain como as empresas de internet nos anos 90. Enquanto alguns diziam que a internet mudaria o mundo, grande parte da população não conseguia imaginar o tamanho do impacto, inclusive grandes investidores, que criticavam muito as valuations de internet".

Em seu relatório, o estrategista-chefe da XP lembrou que, apesar de o bitcoin ter, historicamente, uma correlação pouco significativa com outros tipos de investimentos, não significa que as criptos são completamente à prova de quedas quando o mundo entra em uma crise.

"Em 2020, quando o S&P 500 teve uma queda de 34% por conta da pandemia, o bitcoin caiu 33% no mesmo período, ambos em dólares", diz.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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