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Veja quanto e como investir para comprar imóvel de R$ 300 mil a R$ 1 milhão

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Paula Pacheco

Colaboração para o UOL, em São Paulo

12/12/2021 04h00

Onde e quanto investir para comprar seu imóvel? O financiamento, que é a maneira mais acessível, deixa sua casa própria muito mais cara.

Se você conseguir juntar dinheiro para pagar à vista ou dar uma excelente entrada, reduzindo o prazo de financiamento, vai sair ganhando. Veja a seguir as dicas de especialistas para conseguir esse objetivo e comprar um imóvel de R$ 300 mil, R$ 500 mil ou R$ 1 milhão.

Simulação feita a pedido do UOL mostra como é a construção do patrimônio com esse objetivo. Quem deseja adquirir um imóvel de R$ 500 mil daqui a dez anos e tem um perfil moderado na hora de investir vai precisar poupar R$ 3.000 por mês para chegar ao valor total, contando com uma taxa de retorno anual de 6,5% + inflação.

O aporte cai para R$ 1.800 por mês para quem vai começar a aplicação já com um aporte inicial de R$ 100 mil, segundo Alexandre Brito, da Finacap.

Em outra simulação, se o imóvel for no valor de R$ 300 mil, será preciso investir R$ 1.800 por dez anos.

Quem pretende comprar uma casa ou apartamento de R$ 1 milhão terá de aplicar todo mês R$ 6.000.

Investimentos conforme o perfil

Brito sugere a seguinte composição de carteira para quem se planeja para a compra de um imóvel no longo prazo, segundo o perfil do investidor:

  • Conservador: 80% em renda fixa pós-fixada + 20% IPCA pré-fixado
  • Moderado: 45% em renda fixa pós-fixada + 15% Tesouro IPCA prefixado + 30% em renda variável + 5% em ativo internacional (como fundo cambial ou ETF) + 5% investimento alternativo (ligados à economia real, como fundo imobiliário e de infraestrutura, private equity e venture capital)
  • Arrojado: 10% em renda fixa pós-fixada + 30% em Tesouro IPCA prefixado + 50% em renda variável + 5% em ativo internacional + 5% investimento alternativo

Sem investir em renda variável

Nayara Boer, sócia da Renova Invest, desaconselha investimentos em produtos arrojados (como renda variável e fundos multimercado) para quem pretende acumular recursos para a compra da casa própria. Sua sugestão é buscar as melhores remunerações em renda fixa, com uma parte em CDI (pós-fixado) e outra em pré-fixado.

A especialista alerta ainda para as datas de vencimentos dos fundos selecionados. "Se vai comprar daqui a três anos, não invista em produtos com vencimento para daqui a cinco anos, porque ter de se desfazer antes do vencimento pode resultar em perda", explicou.

Abaixo, a carteira sugerida por Nayara, independentemente do perfil do investidor, para atingir o objetivo de comprar um imóvel:

  • 40% em títulos Tesouro IPCA+
  • 30% em títulos pós-fixado
  • 20% em títulos prefixados
  • 10% em 100% do CDI para garantir liquidez caso haja a oportunidade de dar entrada em um imóvel em fase de obras

Fundos podem ajudar

Investidores com perfil moderado a arrojado podem incluir na composição da carteira fundos de ações e fundos multimercado, além de títulos com rendimento atrelado à inflação, segundo Nelson Muscari, coordenador de fundos da Guide Investimentos.

"Quando se corre mais risco, o retorno pode ser maior, mas recomendo que o investimento seja aplicado por mais tempo, porque existe o risco de alguma oscilação de mercado que pode levar a perdas de capital", disse.

Quem decidir investir com o objetivo de comprar um imóvel deve levar em consideração na hora de fazer as contas as despesas com cartório e outros tributos. Além, é claro, de possíveis despesas com reformas. Nayara recomenda que pelo 10% do valor do imóvel esteja separado para arcar com esses custos.

Juntar dinheiro e financiar o mínimo possível

Combinar o valor acumulado com um financiamento imobiliário pode ser a alternativa para quem tem pressa. Ou ainda, segundo as condições de mercado. Se a taxa de juros do empréstimo for inferior à rentabilidade projetada da carteira de investimentos, faz mais sentido financiar o máximo possível, respeitando o valor máximo estipulado pelas instituições financeiras, que geralmente é de 30% da renda.

"Se a taxa de juros for superior, faz mais sentido financiar o mínimo possível, respeitando a necessidade de liquidez e demais objetivos da carteira", afirmou Brito.

A sócia da Renova Invest considera ainda a possibilidade de pesquisar as condições para quem faz um consórcio.

"Muitos subestimam ou têm preconceito, mas para quem tem 20 ou 30 anos pode fazer mais sentido do que fazer uma carteira para o futuro. No consórcio, é possível pegar carta de crédito mais alta. Por exemplo, um imóvel de R$ 200 mil e a carta de R$ 300 mil para dar um lance embutido, o que aumenta a probabilidade de ser contemplado antes", explicou.

A especialista alerta o investidor que tem como meta a aquisição de um imóvel para que não utilize a reserva de emergência com esse objetivo —valor que deve corresponder a um período de seis meses a um ano das despesas fixas.

Nayara sugere ainda que o valor acumulado para projetos de longo prazo (como a compra do imóvel e a complementação da renda na aposentadoria) não seja integralmente desembolsado no ato da compra da casa ou apartamento.

"Não zere o patrimônio financeiro. Além de preservar a reserva de emergência, não se deve usar toda a reserva extra de longo prazo, porque podem acontecer mudanças. Por exemplo, uma emergência que não foi identificada antes. Em casos assim, de que vai adiantar tem um imóvel na mão, sem liquidez, e não ter o dinheiro para uma necessidade", disse a especialista da Renova Invest.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.