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Não sabe que ação vai comprar? Fundos de ações ajudam iniciantes na Bolsa

Os fundos de ações são uma boa forma de diversificar sua carteira de ações - Olivier Le Moal/iStock
Os fundos de ações são uma boa forma de diversificar sua carteira de ações Imagem: Olivier Le Moal/iStock
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Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

27/01/2022 04h00Atualizada em 27/01/2022 08h01

A compra de ações costuma ser a primeira experiência de muitos investidores no mercado financeiro. Mas para quem ainda tem receios de apostar nesses ativos, os fundos de ações são uma alternativa para quem quer entrar na Bolsa de Valores sem se preocupar em ficar de olho nas melhores ações.

Mas, na prática, como funcionam os fundos de ações? E em quais aspectos eles realmente se diferem da compra direta de ações? Especialistas ouvidos pelo UOL respondem a essas perguntas e mostram, ainda, quais tipos de fundos podem ser mais atraentes ao investidor.

Gestor escolhe as ações por você

Quem escolhe quais ações vão compor o fundo de ações é um gestor especializado. Logo, é responsabilidade dele —e não do investidor em si— tomar a decisão de quais papéis comprar ou vender. O investidor irá apenas escolher o fundo e aplicar.

"Ele [investidor] vai pagar para que um gestor pegue o seu dinheiro e o de outros cotistas daquele fundo e invista onde ele achar melhor, de acordo com o mandato do fundo", diz Bruno Merola, analista da Empiricus. Por isso, ao considerar a compra de um fundo de ações, o cliente deve avaliar a experiência do gestor.

Como funcionam os fundos de ações

Uma cota é uma parte de um fundo, uma fração. Logo, os cotistas são aqueles que investem no fundo. O valor de todas as cotas compradas pelos investidores é somado e resulta no patrimônio do fundo de investimento.

Mas como o valor da cota é definido? É o resultado da divisão dessa soma pelo número de cotas existentes. Este valor é atualizado diariamente.

Logo, quando o investidor aplica seu dinheiro em um fundo de ações, por exemplo, ele adquire certa quantidade de cotas. O gestor, então, aplica em diferentes ações disponíveis na Bolsa de Valores —principalmente naquelas que considera que podem oferecer bons lucros.

"O que o investidor precisa ter em mente é que cada fundo conta um gestor especialista em uma determinada estratégia, que procura obter a melhor relação de custo versus retorno para os seus cotistas", afirma o CEO da Azimut Brasil Wealth Management, Wilson Barcellos.

Vale ressaltar que um fundo só é classificado como fundo de ações se o gestor investir pelo menos 67% do valor das cotas em ações, conforme indicam as diretrizes da Comissão de Valores Imobiliários (CVM). Os 33% restantes podem ser aplicados em outros produtos.

O cotista recebe os lucros de acordo com a quantidade de cotas que comprou. Logo, o investidor que adquiriu mais cotas tende a ter maiores rendimentos.

Fundos abertos x fundos fechados

Ao observar os fundos de ações como uma boa estratégia para ter no portfólio, é importante que o investidor saiba que é possível colocar seu dinheiro em fundos abertos ou fundos fechados.

"Nós podemos comparar essa estrutura a um condomínio, onde cada um detém uma fração de um ativo ou investimento que está nessa cesta", diz Luiz Aires, sócio da gestora RPS Capital. Por isso, os fundos podem ser denominados também como condomínios abertos ou fechados.

Na prática, o condomínio aberto é aquele em que o investidor pode "investir ao longo da vida". Ou seja, os fundos abertos permitem a entrada de novos cotistas (investidores) ou o aumento da participação de antigos cotistas —e até mesmo a saída de cotistas que resgataram os rendimentos de suas cotas.

Por outro lado, o condomínio ou fundo fechado representa justamente o contrário. Dessa forma, o investidor não pode entrar ou sair a qualquer momento —e as cotas são somente resgatadas quando termina o prazo de duração do fundo. Um bom exemplo é a indústria de private equity (patrimônio privado).

"Para que o investidor compre a participação em empresas, a gestora de private equity emite as cotas de um fundo, faz uma oferta, e tem um prazo que pode ser de sete ou dez anos", diz Merola, da Empiricus.

Riscos e vantagens

Segundo o analista da Empiricus, para o investidor, uma das grandes vantagens de aplicar em fundos de ações é ter acesso a mercados que, sozinho, seria bem mais complicado. Por exemplo: investimentos na moeda da Noruega, a operação de juros no México ou a venda de ações na Austrália.

"O gestor consegue fazer isso porque ele tem acesso a esse mercado e conta com a escala necessária para que a operação não seja cara", afirma.

Outro benefício, segundo Aires, da RPS Capital, é o ganho tributário. No caso dos fundos fechados, o investidor só paga o recolhimento de impostos no encerramento daquele período. Assim, esse dinheiro pode continuar rendendo ao longo dos anos.

Aires diz que os fundos são monitorados por empresas independentes, e o gestor do fundo tem uma responsabilidade sobre ele. Assim, o analista da Empiricus diz que, em caso de falência do fundo, é realizada uma assembleia onde os cotistas votam pela substituição do gestor.

Para Merola, os riscos de um fundo estão mais relacionados aos ativos e à cesta de ações. "Em um fundo de ações, o risco é de o mercado de ações não ir bem ou das ações que o gestor escolheu registrarem desempenho pior do que a média do mercado".

Aires concorda. "Existem fundos altamente conservadores, com liquidez diária. Mas existem fundos com um perfil extremamente agressivo e arrojado, que contam com estratégia de derivativos, por exemplo. Depende do que o investidor busca", afirma.

Comprar ações ou investir em fundo de ações?

Uma dúvida muito comum em relação aos fundos de ações é se este tipo de investimento tem mais vantagens do que comprar ações diretamente.

Para Luiz Aires, da RPS Capital, a resposta deve levar em conta a rentabilidade, mas sem esquecer do perfil do investidor, que pode ser conservador, moderado ou arrojado.

"Tão importante quanto a performance é a relação de risco versus retorno. O quanto o fundo está entregando de retorno pela exposição ao risco que ele incorre", diz.

Bruno Merola, da Empiricus, ressalta que para decidir entre o investimento em fundos de ações ou diretamente na compra de ações é preciso também refletir sobre a experiência do gestor e sua equipe.

A pessoa que vai investir [em ações] por conta própria assume que ela é uma gestora melhor do que o gestor profissional que faz isso há 10 ou 15 anos com uma equipe qualificada.
Bruno Merola, analista da Empiricus

Outro ponto diz respeito às taxas cobradas pelos fundos. A taxa de performance fica em torno de 20% sobre toda a rentabilidade que exceder o Ibovespa; e a taxa de administração é cerca de 2% ao ano sobre o patrimônio administrado.

O analista da Empiricus diz que a melhor opção é contar com a experiência dos gestores, mas há algumas exceções. "A não ser que eu conte com uma ou mais casas de análise para me guiar".

Em contrapartida, ele entende que a pessoa física tem a vantagem sobre os fundos quando o assunto são as small caps —as ações com menor volume de negociações diárias na Bolsa e menor valor de mercado.

"Os fundos são tão grandes que eles não operam essas ações muito pequenas, ou quando eles operam, fazem isso por pouco tempo e depois param", fala.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.