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Guerra na Ucrânia: É melhor reduzir investimento na Bolsa neste momento?

9.mar.2022 - Homem caminha com apoio de muletas perto de uma ponte destruída na Ucrânia - Mikhail Palinchak/Reuters
9.mar.2022 - Homem caminha com apoio de muletas perto de uma ponte destruída na Ucrânia Imagem: Mikhail Palinchak/Reuters
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Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, de São Paulo

10/03/2022 04h00

Com o início do conflito armado entre Ucrânia e Rússia e as sanções econômicas aplicadas pela União Europeia e pelos Estados Unidos ao país comandado pelo presidente Vladimir Putin, os investidores globais começaram a olhar com maior cautela para o mercado de capitais.

Diante do cenário de incertezas e impactos vindos do exterior, é hora de os brasileiros reduzirem os investimentos na Bolsa de Valores? Os analistas consultados pelo UOL divergem sobre o tema. Mas o consenso é que exista maior seletividade entre ativos que ofereçam mais proteção ao cenário de avanço da inflação e que possam aproveitar o aumento dos juros. Veja abaixo.

É hora de se desfazer da Bolsa?

Head de alocação e fundos da XP Investimentos, Rodrigo Sgavioli diz que "o investidor está mais resiliente e mais educado financeiramente comparado a outras crises, como o colapso da economia global em 2008 ou a queda das torres gêmeas em 2001".

Entretanto, Sgavioli reconhece que os investidores devem se desfazer de ações de empresas que sejam negativamente impactadas pelo conflito no leste europeu.

Para Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos, é esperada alguma fuga do mercado de capitais em função da elevada oscilação e incerteza econômica nos próximos meses.

A fuga [de investidores brasileiros da Bolsa] tende a ser maior quanto maior e mais grave for o conflito entre Rússia e Ucrânia. Até agora o impacto foi bem pequeno.
Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos

Em relatório, os analistas Fernando Ferreira, Jennie Li e Rebecca Nossig, da XP, afirmam que a entrada de capital do exterior na Bolsa brasileira se manteve forte em fevereiro, com R$ 30,1 bilhões líquidos.

O economista-chefe da Alphatree Capital, Raone Costa, destaca que o impacto maior para o mercado brasileiro é justamente o fluxo de capital de investidores estrangeiros.

"Desde que a guerra começou, a gente observou uma leve depreciação cambial e uma pequena evasão de fluxos. Então, imagino que a saída de investidores brasileiros do país não tem a ver com o Brasil em si, mas com o fato de o país ser uma economia em desenvolvimento", declara Costa, frisando que o movimento acontece em outras economias semelhantes.

Renda fixa mais atraente

Devido à alta da inflação, o Banco Central realizou sucessivos aumentos da taxa básica de juros, a Selic, em 2021. Em abril do último ano, a Selic estava em 2% ao ano, comparado aos atuais 10,75%.

Atualmente, a taxa de inflação em 12 meses medida pelo IPCA chegou a 10,38% no período encerrado em janeiro. E, segundo os economistas consultados pelo próprio BC, a inflação em 2022 deve ser de 5,65% —acima dos 5,44% previstos há quatro semanas.

Por isso, os economistas apostam em um novo reajuste dos juros na próxima reunião do Copom, marcada para 15 e 16 de março. O mercado passou a colocar na conta o aumento nos preços do petróleo e de fertilizantes produzidos pela Rússia e Ucrânia. O impacto consequente é o aumento generalizado nos preços dos alimentos.

Essa conjuntura torna a renda fixa, que já era atrativa nesse início de ano, ainda melhor para quem quer se proteger do sobe e desce da Bolsa.

"No Brasil, o mercado está precificando uma taxa básica de juros em torno de 12% a 13% ao ano. Há uma preocupação sobre uma inflação muito pressionada não só para 2022, como para 2023", diz o economista-chefe da RPS Capital, Gabriel Leal de Barros.

Se a gente olhar o retorno da renda fixa, é extremamente alto e muito atraente. É possível ficar protegido da inflação e aproveitar esse juro real pegando um título de vencimento até mesmo longo, dependendo do apetite de cada um.
Gabriel Leal de Barros, economista-chefe da RPS Capital

Como produtos na renda fixa para aproveitar o bom momento, o mais indicado são os títulos públicos pós-fixados atrelados ao IPCA, diz Raone Costa, da Alphatree Capital. "A renda fixa pode defender o portfólio do investidor, especialmente se ele tiver títulos pós-fixados".

A opinião é compartilhada por Rodrigo Crespi, da Guide. "O investidor que optar por carregar um título até o vencimento, poderá ter um retorno real atraente, principalmente com os atrelados ao IPCA, que o protegerá da inflação e se intensificou com a crise geopolítica", diz.

Além dos títulos públicos, Barros vê como interessante a compra de títulos de bancos privados, como as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio). Os dois ativos são isentos de Imposto de Renda. No entanto, é necessário observar a qualidade da instituição emissora.

Investidor deve diversificar a carteira

Os analistas não enxergam grandes oportunidades na renda variável como resultado da guerra. Mas dizem que uma boa opção é investir nas empresas exportadoras de commodities (matérias-primas), como energia, siderurgia, minério de ferro e de algumas produtoras de agrícolas.

"Há um potencial aumento do interesse em investimentos em ativos reais, como imóveis, metais preciosos ou até ativos financeiros que representam esse tipo de patrimônio", afirma Rodrigo Sgavioli, da XP.

De forma geral, a orientação é que o investidor diversifique os riscos de sua carteira, o que não exclui a participação na renda variável.

"A recomendação é manter um portfólio diversificado e ser cauteloso, sem realizar movimentações que parecem ser assertivas, por conta da alta volatilidade, pois o cenário é bastante incerto", afirma Crespi, da Guide.

  • Veja as notícias do dia no UOL News com Fabíola Cidral:

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.