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'É dia de vender tudo': por que quase todas as ações da Bolsa caíram?

Ibovespa tem forte queda, puxado por quase todas as ações despencando nesta quinta-feira - Getty Images
Ibovespa tem forte queda, puxado por quase todas as ações despencando nesta quinta-feira Imagem: Getty Images

Lílian Cunha

Colaboração para o UOL, em São Paulo

05/05/2022 14h51Atualizada em 05/05/2022 18h46

No primeiro pregão após o aumento de juros nos Estados Unidos e também aqui no Brasil — que ocorrem nesta quarta-feira (4) —, as ações da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) têm queda generalizada.

Apenas as ações de quatro empresas subiram, com destaque às companhias de papel e celulose. Todo o restante foi para o vermelho, em um movimento que os analistas chamam de "sai de baixo".

O Ibovespa, principal índice da B3, fechou o dia com desvalorização de 2,81%, aos 105.304,19 pontos. Na variação semanal o índice despencou 2,38%, enquanto na mensal ele recuou 12,25%.

Os maiores derretimentos da Bolsa, que puxavam o índice para baixo, eram os da empresa de softwares Totvs (TOTS3) — a ação encerrou com queda de 11,12%, a R$ 28,60 —, da varejista Magazine Luiza (MGLU3) — que caiu 10,71%, chegando a R$ 4,42 — e do Banco Inter (BIDI11) — que tombou 9,36%, com papel cotado a R$ 14,14.

As ações de pequenas empresas, chamadas de small caps, também sofrem. O SMLL (Índice Small Caps), negociado na B3, fechou em baixa de 3,7%, a 2.232 pontos.

Juros sobem, Bolsas descem

Ontem (4) o Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos) subiu a taxa de juros americana em meio ponto percentual, chegando a 1%, na tentativa de combater a inflação recorde no país.

Por aqui não foi diferente. O Banco Central do Brasil elevou a taxa básica de juros (Selic) em 1 ponto percentual. Com isso, a taxa foi de 11,75% para 12,75% ao ano — o maior patamar desde fevereiro de 2017.

Tudo isso faz o investidor sair da Bolsa e ir para a renda fixa. O aumento de juros nos EUA impacta o mercado financeiro global. Influencia câmbio e Bolsas no mundo todo.
Pedro Galdi, analista da Mirae Asset

Para especialistas do PagBank, a aversão ao risco tomou conta do primeiro pregão após as decisões de alta de juros.

Com as ações despencando, é hora de vender tudo?

Embora os grandes fundos de investimento façam esses movimentos rápidos, de sair da B3 e ir para renda fixa, para o pequeno investidor é hora de "respirar, sair de casa, abraçar os parentes e ficar calmo", diz Breno Bonani, analista da VGR Asset.

"Em momentos de queda tão abrupta como essa, muitos papéis bons se tornam oportunidades, com preços menores. E, para mim, quem protege o investidor da inflação não é a renda fixa, é o investimento variável", afirma Bonani.

A renda fixa, segundo ele, perde para a inflação porque tem um atraso, o retorno está sempre correndo atrás dos índices, que demoram para ser divulgados.

Para William Teixeira, analista da Messem, também é hora de manter a calma e ficar quieto.

Uma frase famosa que cabe bem agora é aquela que diz que 'o mercado é uma máquina de transferência de dinheiro dos impacientes para os pacientes'.
William Teixeira, analista da Messem

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