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Petrobras tomba na Bolsa, mas paga bilhões em lucro; vale a pena ter ações?

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Paula Pacheco

Colaboração para o UOL, em São Paulo

20/06/2022 17h12

Apesar dos atropelos eleitorais, econômicos e políticos, no ambiente doméstico e internacional, a Petrobras ainda é apontada como a empresa que deve pagar melhor os seus acionistas. O maior acionista da estatal é o governo, mas quem investe na empresa na Bolsa também deve ganhar uma parte desse valor.

A expectativa de se manter como principal pagadora de dividendos entre as empresas listadas na Bolsa brasileira chama a atenção dos investidores. Mas será que vale a pena comprar os papéis da Petrobras levando-se em consideração apenas esse aspecto? Os especialistas ouvidos pelo UOL não são unânimes sobre a recomendação de compra.

Só dividendo não é suficiente

Nesta segunda-feira (20), a Petrobras começou a distribuir dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) aos acionistas. São R$ 3,715490 por ação preferencial e ordinária em circulação, com base na posição acionária de 23/05/22. Os dividendos chegarão a R$ 48,4 bilhões e serão pagos em duas rodadas, em junho e julho. O governo, principal acionista, vai embolsar R$ 13,9 bilhões.

No último mês, o valor dessas ações caiu 19%, para R$ 27,72. No ano, a queda foi de apenas 4,7%. Porém as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) devem entregar, segundo projeção, uma taxa de retorno com dividendos de 42,18% nos próximos 12 meses, mostra levantamento feito por Einar Rivero com apoio da plataforma de análise da TC/Economatica.

Ou seja, para cada R$ 100 investidos em ações preferenciais da Petrobras, o investidor receberá R$ 42,18. Já a projeção é de 38,48% para as ordinárias (PETR3). Para isso, a empresa tem de registrar lucro igual ou superior aos últimos 12 meses no próximo ano.

Os dois papéis da Petrobras são os que têm maior expectativa de distribuição de dividendos nos próximos 12 meses, de acordo com a TC/Economatica.

Veja abaixo as ações com as maiores taxa de retorno em dividendos, segundo a Economatica:

  • Petrobras (PETR4) - 42,18%
  • Petrobras (PETR3) - 38,48%
  • Bradespar (BRAP4) - 35,04%
  • Braskem (BRKM5) - 24,72%
  • Gerdau Met (GOAU4) - 24,47%
  • Marfrig (MRFG3) - 24,27%
  • Vale (VALE3) - 18,21%
  • Copel PNB (CPLE6) - 16,71%
  • CPFL Energia (CPFE3) - 16,41%
  • Energias BR (ENBR3) - 10,57%

Porém, Daniel Abrahão, assessor de investimentos na iHUB Investimentos, é categórico ao dizer que não vale a pena investir em ações da Petrobras apenas por causa dos dividendos. "A escolha de uma empresa para investimentos é complexa e envolve diversas análises, além do horizonte de longo prazo. A decisão de investimentos simplesmente pelo fato de pagar dividendos não é a melhor decisão", diz. O especialista ressalta ainda que o pagamento de dividendos significa aumento de patrimônio, apesar de ser um recurso valioso no longo prazo.

Especialista em renda variável da Acqua Vero, Heitor de Nicola também não recomenda essa estratégia. "Investir em uma empresa apenas pelo pagamento de dividendos é uma análise extremamente superficial e perigosa, pois o investidor deixa de lado diversos outros fatores qualitativos e quantitativos sobre a tese de investimentos da empresa e suas perspectivas futuras", explica. O especialista lembra que, segundo o BTG Research, o mundo passa por um ciclo alto das commodities, o que pode ser positivo para a Petrobras. No entanto, devido aos recentes ruídos políticos envolvendo a empresa, o banco prefere outras ações do setor para o atual momento.

Potencial para dividendos e ações

Leandro Saliba, gestor de renda variável da AF Invest, recomenda as ações da Petrobras - não apenas para quem está de olho no pagamento de dividendos, mas também pelo potencial de valorização das ações. Esse potencial esperado tem a ver com a estratégia dos últimos anos de venda de ativos não prioritários para o foco em negócios mais rentáveis da estatal. Com isso, a demanda por recursos para investimentos é menor, impactando no aumento do lucro e, consequentemente, na distribuição de dividendos para os acionistas.

"Nunca se viu uma empresa com tanta liquidez para pagar dividendo. Hoje, o desempenho das ações ainda está abaixo do esperado por conta do ambiente político e eleitoral e as trocas de presidente, que geraram muito ruído e assustaram os investidores. Mas, na prática, sabe-se que sem a paridade de preços vai faltar diesel. Minha recomendação aos investidores é ter os papéis da Petrobras, porque há potencial para dobrar o valor nos próximos anos caso haja uma continuidade no governo", acredita Saliba.

Oportunidade para o curto prazo

Na avaliação de Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, a Petrobras ainda vai ter resultados muito positivos, com dividendos interessantes para os acionistas. Mas, sua recomendação é apenas para o curto prazo, até o fim do ano. No entanto, ele não tem a mesma certeza para estratégias mais longas.

O especialista da RB Investimentos lembra as diferentes fases pelas quais a empresa passou nos últimos anos. Com uma política de preços quase estagnada, sem espaço para aumentar o preço da gasolina, a companhia acumulou prejuízos bilionários, que hoje ficaram para trás quando foram adotadas novas diretrizes. "Esse cenário pode voltar, apesar das amarras legais. A questão da política de preços tem provocado mobilização da classe política, como vimos recentemente, relacionada a interesses eleitorais, para pressionar a troca de comando na Petrobras."

Barril de petróleo ajuda na valorização

As incertezas em torno da Petrobras só não comprometeram mais o valor das ações até agora por causa da disparada do preço do petróleo tipo brent, que neste ano já subiu 45% (com vencimento em agosto de 2022), influenciado pela invasão do território ucraniano pela Rússia, iniciada em fevereiro, e o risco de desabastecimento.

Os papéis da Petrobras, no entanto, apesar da valorização, ficaram bem abaixo da valorização do petróleo brent, segundo levantamento da TC/Economatica. As ações ordinárias (ON) subiram 16,90% de janeiro até agora, enquanto as preferenciais apresentaram alta de 16,92, num período em que o Ibovespa recuou 4,77%.

Do ponto de vista técnico, Felipe Moura, analista da Finacap Investimentos, diz que a companhia representa uma grande oportunidade de investimento, já que os resultados vêm sendo cada vez melhores. Além disso, o ambiente está favorável para os preços do barril de petróleo, que devem se sustentar em altos patamares por mais algum tempo e impactarão positivamente nos resultados da Petrobras.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.