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Vale é uma das 10 empresas que mais pagam dividendos no mundo; é boa opção?

A mineradora Vale aparece entre as dez companhias globais que mais distribuem seus lucros - Washington Alves/Reuters
A mineradora Vale aparece entre as dez companhias globais que mais distribuem seus lucros Imagem: Washington Alves/Reuters
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Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

22/06/2022 04h00

Muitos investidores escolhem ações ou fundos imobiliários na Bolsa de Valores para ter uma renda passiva e frequente com bons dividendos. Segundo o relatório Janus Henderson Global Dividend Index, que analisa o pagamento de dividendos em todo o mundo, a Vale aparece entre as dez companhias globais que mais distribuem seus lucros.

A mineradora está na nona posição entre as melhores pagadoras de dividendos do mundo. Como funciona esse pagamento de dividendos? É interessante, de fato, investir na Vale? Que outros setores são bons na distribuição de lucros? Veja a opinião de analistas consultados pelo UOL.

Muitas vezes o investidor foca no ganho de capital com a valorização da ação, mas esquece que é possível, com uma visão mais de longo prazo, ter uma remuneração igual ou melhor via dividendos ou juros de capital próprio.
Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos

O que são os dividendos?

O analista da Guide Investimento, Rodrigo Crespi, diz que, após arcar com as suas despesas, ao final do ano fiscal, a companhia precisa tomar a decisão de investir o dinheiro do caixa em novos projetos ou remunerar seus acionistas.

No caso, os dividendos são pagos quando a empresa opta por remunerar os investidores que apostaram na tese do negócio. "De forma geral, uma empresa que paga dividendos é considerada uma empresa de valor, já é mais consolidada e tem uma forte geração de caixa. Assim, ela consegue distribuir os seus lucros", afirma Crespi.

Outra forma de proventos são os juros sobre capital próprio (JCP), que funcionam como uma espécie de juros pagos aos investidores.

Como uma das maiores mineradoras do mundo, a Vale se encaixa nesse perfil de companhia sólida. Diferente de empresas de tecnologia que crescem de forma acelerada, mas precisam de investimentos externos para manter o ritmo da expansão, a mineradora brasileira avança no mercado de forma mais lenta porque já detém uma grande fatia do setor.

Em fevereiro, a Vale anunciou uma distribuição de lucro no patamar de US$ 3,5 bilhões (cerca de R$ 18,5 bilhões). Outra gigante no seu campo de atuação, a Petrobras anunciou a distribuição de dividendos de R$ 48,5 bilhões em maio.

É interessante investir na Vale pensando nos lucros?

Para o analista da RB Investimentos, Gustavo Cruz, essa pode ser uma estratégia arriscada. Ele diz que as mineradoras vivem um bom momento por conta do boom nos preços das commodities. Mas isso pode ser algo pontual.

"A Vale vem se consolidando não só como uma empresa brasileira, mas também global. Assim, ela consegue ter uma previsibilidade de pagamento [de dividendos] de maneira mais constante. Mas nada impede a companhia de voltar a investir bastante nos próximos anos e retirar um pouco o recurso que estava sendo alocado para dividendos", diz Cruz.

O capital pode ser usado na construção de novas unidades, desenvolvimento de projetos e negócios futuros.

Naor Coelho, trader de renda variável da Infinity Asset, afirma que a Vale deve se beneficiar do fim dos lockdowns na China, país comprador de minério de ferro, seu principal produto.

Além disso, uma eventual valorização do dólar também deve ser favorável. "A possibilidade de a Vale continuar gerando caixa e lucro é considerável, e, consequentemente, isso se refletirá em pagamento de dividendos", afirma.

Em quais outros setores apostar?

Para os analistas, os principais segmentos para observar com o objetivo de receber parte da distribuição de lucros de empresas listadas em Bolsas são os de utilidades, com negócios de saneamento e energia, bancos e empresas de commodities, ou seja, players mais sólidos que conseguem preservar o caixa em momentos de instabilidade.

"Empresas com essas características tendem a ter uma maior previsibilidade de caixa e capacidade de distribuir percentuais de lucro acima do mínimo para seus acionistas", diz Coelho, da Infinity.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.