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As melhores ações da Bolsa no semestre: Cielo valoriza 70%

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Lílian Cunha

Colaboração para o UOL, em São Paulo

01/07/2022 10h32

O primeiro semestre de 2022 foi cheio de altos e baixos. O ano começou bem. De janeiro a março, o Ibovespa teve ganhos de 14,48%. Mas a partir de abril o caldo entornou. A guerra na Ucrânia se estendeu, a inflação no mundo aumentou e fez os juros subir - e os investidores fugirem da Bolsa.

Mesmo nesse cenário adverso, algumas ações se deram bem. A Cielo (CIEL3), de meios de pagamento, por exemplo, foi a que mais valorizou entre todas as ações que compõe o índice da Bolsa, segundo cálculos da Economatica.

Confira quais são as que mais subiram nesse primeiro semestre

  1. Cielo (CIEL3) - 67,76%
  2. Eletrobras (ELET6) - 47,05%
  3. Eletrobras (ELET3) - 40,87%
  4. Hypera (HYPE3) - 38,33%
  5. BB Seguridade (BBSE3) - 30,06%
  6. Minerva (BEEF3) - 28,47%
  7. CPFL Energia (CPFE3) - 26,43%
  8. Banco do Brasil (BBAS3) - 22,21%
  9. Petrobras (PETR4) - 19,58%
  10. Petrobras (PETR3) - 19,29%

*Variação de 3 de janeiro a 30 de junho, considerando as ações que fazem parte do índice Ibovespa.

O levantamento foi elaborado por Einar Rivero, com dados da plataforma TC/Economatica.

A Eletrobras, que passou por um processo de privatização por meio de venda de ações no início de junho, não é surpresa nesse ranking. Nem mesmo ações defensivas, como as do setor agropecuário (Minerva), de bancos (Banco do Brasil e BB Seguridade) e de fabricante de medicamentos (Hypera), surpreendem.

"Esses são setores que a gente brinca que são a renda fixa da renda variável: eles sempre entregam algum ganho", diz Gustavo Pazos, analista da Warren. "São empresas que têm um fluxo de caixa que não muda muito ao longo do ano, são mais previsíveis e fazem contratos de longo prazo com seus clientes", comenta Pazos.

Mas o ativo da Cielo, em primeiro lugar no semestre, causou espanto, já que é um papel que tem a ver com consumo, um setor muito prejudicado em tempos de inflação em alta.

"Mesmo que se venda menos, a Cielo sai ganhando. Se o quilo do tomate, por exemplo, custava R$ 4 e passou para R$ 8, o ganho dela é uma taxa percentual. Então ela põe mais dinheiro no bolso", diz Alexandre Masuda, sócio e chefe de análise da SFA Investimentos. Claro que se o volume de vendas cair demais, isso prejudica a empresa. Mas para compensar essa queda, segundo ele, a Cielo tomou suas providências.

Uma delas foi a venda da empresa americana Merchant E-Solutions por US$ 290 milhões, em fevereiro. "Era uma operação que dava prejuízo e eles conseguiram vender bem", diz Masuda.

Em seguida, a empresa abriu um programa de recompra de ações, para adquirir até 13,339 milhões de unidades. Isso é conhecido no mercado como um sinal de que os papéis estão com valores descontados, ou seja, negociados abaixo do que realmente valem. A empresa então aproveita o baixo preço e compra suas próprias ações.

Os ativos da Cielo chegaram a custar R$ 22,99 em 2018. Nessa época, a concorrência no setor de meios de pagamento não era tão acirrada como é agora. Com a entrada de novos concorrentes, a empresa foi diminuindo sua participação no mercado e seu lucro vem caindo desde então. Hoje, a ação é negociada em torno de R$ 3,79. Mas já chegou a R$ 2,07 no começo deste ano.

"A pandemia também foi muito ruim para a empresa. Mas desde o quarto trimestre de 2021 o lucro vem reagindo. O ponto de virada dela vai ser quando o lucro voltar a subir e isso pode estar perto de acontecer", diz Masuda.

No quarto trimestre de 2018, por exemplo, a Cielo lucrou R$ 724,1 milhões. No primeiro trimestre deste ano, R$ 185 milhões.

O que fez o lucro cair?

A guerra das maquininhas. Por muito tempo, entre 2018 e até o início da pandemia, em 2020, as empresas de meios de pagamento foram dando desconto, diminuindo taxas. Mas isso já passou. Agora, elas aumentaram suas tarifas e estão diversificando serviços, oferecendo, por exemplo a antecipação de recebíveis de cartão de crédito.

Mas num ambiente de juros em alta, essa operação, de adiantar para o lojista o pagamento que ele só receberia depois, pode ser perigosa. Para compensar, a Cielo aumentou seus preços.

E vale investir nela agora?

"A empresa deve continuar se recuperando. O pior já passou", diz Masuda. O risco do investimento em Cielo continua sendo a competição no setor e o aumento da taxa de juros. O que alivia é que o Banco Central já sinalizou que o pico da inflação passou e que o ciclo de alta de juros está perto do fim.

E o Pix? Nem mesmo o sistema de transferência automática de dinheiro tem prejudicado a empresa. No comércio físico, principalmente, os consumidores continuam achando mais fácil usar cartões que o Pix, que requer que a pessoa use o celular, abra o aplicativo do banco, digite senhas. "É mais 'fricção' que usar o cartão", diz Masuda.

Com tudo isso, o setor de meios de pagamento deve crescer aproximadamente 20% em 2022, conforme a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). E a Cielo tem cerca de 25% de participação nesse mercado.

Mesmo com tudo isso, a ação não tem compra recomendada pelo BTG, nem pela Mirae Asset. As duas classificaram o papel como neutro, melhor não comprar, nem vender. Apesar dessa classificação, o BTG recalculou o preço alvo para o fim de 2022 de R$ 4 para R$ 5. "Ainda é um bom nome para se ter no curto prazo", publicou o banco. "Mas dada a forte alta no acumulado do ano, imaginamos que o potencial de alta do papel já pode ter se encerrado", publicou o BTG, em documento para acionistas.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.