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Vale, uma das ações mais negociadas, tem futuro sombrio; e agora?

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Lílian Cunha

Colaboração para o UOL, em São Paulo

20/07/2022 12h36

A ação da Vale (VALE3) é uma das mais procuradas pelos investidores há anos. Está sempre entre as mais negociadas. Mas, de acordo com o banco americano Goldman Sachs e o Itaú BBA, ela já não é mais um bom negócio como antigamente. Hoje (20), as ações da empresa estavam sendo negociadas em baixa de 3,41%, a R$ 66,53, por volta das 11h45.

Isso porque a mineradora revisou para baixo a previsão de produção para este ano. Veja o que dizem especialistas sobre a mineradora.

Vale piora perspectiva para o futuro A multinacional brasileira publicou que sua previsão de produção de minério de ferro para o ano inteiro de 2022 deve ficar aproximadamente 7% abaixo do esperado, caindo para algo entre 310 e 320 milhões de toneladas métricas por ano (MTPA).

A estimativa anterior era de 320 a 335 milhões de toneladas métricas por ano. Em relação ao cobre, a Vale também deverá produzir cerca de 19% a menos que o esperado.

Com isso, a previsão é que a produção de minério de ferro da Vale não deve crescer em relação a 2021, "o que é decepcionante e provavelmente alimentará as preocupações dos investidores sobre a capacidade da empresa de retomar suas atividades para os níveis anteriores a Brumadinho, de 385 milhões de toneladas", publicou o Goldman Sachs, em relatório para investidores, referindo-se à tragédia ocorrida na cidade mineira em 2019, quando uma barragem de rejeitos de mineração rompeu, matando 270 pessoas.

O Itaú BBA publicou, em comunicado a acionistas, que a revisão para baixo das diretrizes de produção de minério de ferro sinaliza desafios operacionais para que a Vale atinja sua meta de longo prazo, que é de 400 milhões de toneladas métricas por ano.

Ou seja, está difícil agora e não deve melhorar em breve.

Além da piora na previsão de produção, a Vale divulgou ontem que o volume de vendas de minério de ferro no segundo trimestre aumentou 23% em comparação com os primeiros três meses do ano, que já não foram fortes - 3% abaixo da estimativa do BBA.

O que está acontecendo no mundo? O preço do minério de ferro vinha quebrando recordes em 2021. Mas o preço caiu pela metade ainda no ano passado.

Atualmente, a China é, de longe, a principal compradora de minério de ferro do mercado global. A maior parte do material vai para a produção de aço que alimenta o gigantesco setor de construção civil chinês. Contudo, a crise no setor imobiliário do país e a política de tolerância zero contra a covid-19 afetam todos os setores da economia chinesa.

Não é só a China que está com problemas. Nas últimas semanas, tem se falado muito sobre o risco de recessão global, especialmente em meio à alta dos juros nos Estados Unidos, a maior economia do planeta. O risco de recessão tem provocado uma desvalorização das commodities metálicas e energéticas. Com a atividade econômica fraca, a demanda por tais insumos tende a diminuir.

O que fazer com as ações? O Goldman Sachs e o Itaú BBA classificaram novamente as ações da Vale (VALE3) para neutro: se você não tem, melhor não investir, e se comprou, agora não é a melhor hora para vender.

A casa de análises Eleven também não ficou satisfeita com os resultados. Ela esperava uma melhora nas vendas, devido à sazonalidade do período. Por isso, a redução da previsão de produção de minério e cobre é negativa para a companhia. Mas mesmo assim, a Eleven ainda recomenda compra, com preço alvo para VALE3 de R$ 112.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.