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30 dias de Trump: por que a Bolsa se deu bem nesse período?

Depois de um mês, como é que a Bolsa de Valores brasileira reagiu aos primeiros momentos do governo de Donald Trump? Foram basicamente 30 dias de canetadas, em que o novo presidente dos Estados Unidos assinou quase 100 ordens administrativas, sendo 20 delas referentes a medidas protecionistas.

Nesse período, entretanto, o Ibovespa teve alta de 3,63% (Economatica). As ações que mais subiram foram:

  1. Cogna (COGN3) 44,44%
  2. Cyrela (CYRE3) 36,51%
  3. Carrefour (CRFE3) 36,11%
  4. Totvs (TOTS3) 30,32%
  5. Yduqs (YDUQ3) 27,28%

Fonte: Economatica - variação de 20 de janeiro a 20 de fevereiro de 2025

As maiores quedas foram:

  1. Automob (AMOB3) -22,86%
  2. Marfrig (MRFG3) -18,17%
  3. BRF (BRFS3) -18,15%
  4. Brava (BRAV3) -17,31%
  5. Raízen (RAIZ4) -13,24%

Fonte: Economatica - variação de 20 de janeiro a 20 de fevereiro de 2025

O que aconteceu?

A Bolsa reagiu muito mal assim que as chances de Donald Trump na corrida eleitoral foram se consolidando, já em outubro do ano passado. Naquele mês, o Ibovespa fechou no vermelho em 0,71%. Com a vitória nas eleições no início de novembro, a queda se acentuou. No penúltimo mês do ano, a desvalorização foi de 3,12%, e de 4,28% (todos os percentuais em relação aos 30 dias anteriores).

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Assim que Trump assumiu, o mercado viu que carregou na dose da precificação de risco. "Houve um exagero de pessimismo no final de 2024", explica Lucas Mello, gestor de fundo de ações da Somma Investimentos. Marcos Moreira, sócio da WMS Capital, concorda. "O mercado estava esperando uma tributação em torno de 60% contra a China e o que veio foram tarifas de 10% a 20%", diz ele.

Então, conforme os investidores foram digerindo o que estava acontecendo, o dólar foi perdendo valor mundialmente. Em 30 dias a baixa foi de 5,64% (Ptax venda). "Assim a estimativa de inflação futura também caiu e o mercado passou a ter uma percepção de que os juros também podem baixar e, assim, eles voltaram para Bolsa, principalmente para comprar os ativos mais descontados", explica Mello.

Além disso, houve uma mudança de postura dos investidores estrangeiros já no começo do ano. É o que diz Max Bohm, estrategista chefe da Nomos. "O fluxo de estrangeiro acumulado este ano já chega a R$ 8 bilhões", diz ele. Em dezembro, haviam sido R$ 903 milhões.

O Brasil passou a ser atraente para o estrangeiro por ser uma economia mais fechada e menos dependente do comércio exterior. Por isso, dentre as ações que mais subiram nesses 30 dias de Trump estão ativos mais voltados para o mercado doméstico, como as empresas de educação Yduqs e Cogna, e a construtora Cyrela (CYRE3) 36,51%.

Entre as que mais perderam, estão companhias exportadoras, que têm renda em dólar. É o caso das companhias de carne Marfrig e BRF, principalmente. "Por ser essa economia mais fechada, o investidor achou que estaria mais seguro aqui, já que o Brasil é menos dependente do comércio exterior que outros mercados", diz Mello, da Somma.

E daqui para frente?

Tudo vai depender do impacto das medidas já tomadas até agora na inflação dos Estados Unidos. Se ela subir, o fluxo se inverte e o investidor volta para o mercado americano, buscando a segurança dos juros dos EUA.

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