Chega a temporada de balanços e logo os diversos indicadores das empresas de capital aberto começam a gerar dúvidas nos investidores: lucro bruto, receita líquida, Ebitda, ROE. Como, afinal, avaliar o desempenho de uma companhia? Veja as principais dicas de especialistas. Desempenho no trimestre é passo inicial Investidor deve começar pelo lucro ou prejuízo no período. Esse é um dado simples que consta no balanço ou mesmo no release de resultados, documento que contém as informações resumidas do trimestre, explica o especialista em mercado da Star Desk, Felipe Sant'Anna. Verificar como a performance foi gerada. O lucro é recorrente ou foi um evento isolado, resultado da venda de um imóvel ou maquinário? Esses aspectos podem ser verificados na DRE (demonstração de resultados), diz o especialista em renda variável do Inter, Matheus Amaral. "Entendendo isso fica mais fácil interpretar por que o lucro subiu ou caiu, se foi algo na receita, nos custos ou nas despesas". Vale acompanhar as margens. Seja a margem bruta, que mede a eficiência de determinada companhia na venda e produção de seus produtos, ou a líquida, que exibe quanto a empresa consegue gerar de lucro após a dedução da receita por custos e impostos, por exemplo. Isso pode indicar o quanto uma companhia pode ser rentável. Ebitda pode ser ponto de partida em alguns casos. É o que afirma o especialista do Inter. O Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) contempla aspectos como os juros de empréstimos com bancos para capital de giro, o ganho com aplicações financeiras, a depreciação de ativos e os impostos pagos ao governo. Entre as empresas que a avaliação inicial deve começar com o Ebitda, estão aquelas que apresentam alguma volatilidade nos lucros por efeitos contábeis ou por resultados financeiros influenciados por dívida ou aplicações. Olhar para o histórico de resultados é essencial. Isso inclui uma análise sobre como vem sendo o desempenho não apenas naquele trimestre, mas se a empresa vem crescendo tanto nos tris anteriores, como ao longo dos últimos anos. Os custos estão sendo controlados ou as margens estão mais apertadas? A companhia vem registrando alta nas vendas? Essas são outras perguntas importantes para situar melhor o investidor a respeito do panorama e ter uma perspectiva sobre o futuro. Cada setor possui suas particularidades. Qual produto a empresa comercializa, quem são os clientes e a forma como a receita é gerada são pontos fundamentais para entender onde investir. "Se o investidor já conhece o setor, a análise se torna ainda mais fácil", afirma o especialista da Star Desk. Um exemplo é um investidor que tenha trabalhado por anos no segmento pet e, agora, deseja investir em uma companhia do setor na Bolsa, a exemplo da Petz. Ele diz que o relatório deve apontar as dificuldades do setor e como a companhia tem lidado com elas. Nível de endividamento. Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, diz que uma forma de avaliar se uma companhia de capital aberto possui um nível de dívidas muito elevado é por meio da divisão da dívida líquida sobre o Ebitda. Ele entende que o resultado do cálculo para considerar se uma empresa é saudável deve ser inferior a 1,5 vez, ou seja, o endividamento daquela empresa é superior até 1,5 vez a sua geração de caixa. Quais indicadores ajudam a descartar um investimento? O ROE (Retorno Sobre Patrimônio Líquido). O ROE é a divisão sobre o lucro líquido pelo patrimônio líquido. De forma simples, o indicador mede a rentabilidade de uma empresa sobre o capital investido pelos acionistas e se o negócio está consumindo caixa além do aceitável para crescer. Para isso, porém, é preciso dividir o lucro líquido sobre o patrimônio líquido e multiplicar por 100, para representar o resultado em medidas porcentuais. Analistas avaliam que um ROE de até 15% é um bom resultado. Alavancagem elevada. Alavancagem é quando uma companhia utiliza um capital superior ao que tem para realizar investimentos, expandir suas operações e financiar aquisições ou o desenvolvimento de novos produtos. Para fazer as contas, basta dividir o lucro operacional, que leva em conta as atividades da empresa sem considerar os impostos, pelo lucro líquido, que considera todos os impostos e custos para ter um resultado. Uma alavancagem até 2 vezes é considerada saudável. Histórico de prejuízos ou lucros não recorrentes. Empresas que apresentam prejuízos constantes ou que só mostram bons resultados devido a eventos isolados (como venda de ativos) podem não ser investimentos confiáveis, afirma Sant´Anna, da Star Desk. Margens de lucros apertadas. Se determinada empresa vende R$ 1 bilhão, mas sua margem de lucro é baixa, o retorno para o acionista será mínimo. Isso porque sobrará pouco dinheiro no caixa para reinvestir e expandir os negócios. |