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Atentados, epidemias e imigração mudam mapa turístico mundial

03/03/2016 16h15

Paris, 3 Mar 2016 (AFP) - O mapa do turismo mundial muda de forma cada vez mais rápida porque milhões de viajantes privilegiam seus destinos tentando evitar o risco de atentados, epidemias e crises migratórias.

A indústria viveu seu melhor ano em 2015, quando 1,184 bilhão de pessoas viajaram ao exterior. Mas entre as praias desertas do norte da África e a saturação de Havana, a situação é de contraste, destaca a Organização Mundial de Turismo (OMT).

O exemplo mais claro das consequências políticas no setor em 2015 foi o da Tunísia, cuja economia sofreu um duro golpe quando suas praias e hotéis foram esvaziados após os mortíferos atentados contra os estrangeiros. Este destino ensolarado e econômico perdeu cerca de dois milhões de turistas neste ano.

Na Jordânia, "não houve atentados e, mesmo assim, sofremos uma dura queda das visitas dos turistas europeus", lamentou em uma viagem a Paris o ministro jordano de Turismo, Nayef al Fayez.

Devido a um efeito dominó, "todos os países de tradição muçulmana sofrem, em diferentes medidas, inclusive destinos muito seguros como Omã", explicou à AFP Jean François Rial, presidente da agência francesa Voyageurs du Monde.

"A única exceção é o Irã, que partirá do zero", disse Rial, referindo-se ao fato de que o país será aberto ao turismo internacional após o levantamento das sanções.

'É pegar ou largar'"Não há dúvida de que, na cabeça de um turista ocidental, toda a região do Oriente Médio está, atualmente, associada à insegurança. Os beneficiados serão países como Grécia, Portugal e Espanha, já que oferecem um clima similar, preços competitivos e segurança", opinou Wouter Geerts, analista da consultoria internacional Euromonitor.

Isto se traduz em um aumento da demanda por hospedagem nesses países.

"De repente os preços sobem porque os hoteleiros dizem aos operadores turísticos: 'no lugar de cobrar 50 euros por uma noite no quarto duplo, são 55; é pegar ou largar porque, de todo jeito, há outros três interessados", afirmou Olivier Petit, consultor da empresa In Extenso.

Esta batalha para conseguir um quarto de hotel também chegou à Havana, outro destino disputado, cuja baía agora abarca enormes cruzeiros diariamente.

Esta imagem, pouco habitual antes do "17-D", data em que Cuba e Estados Unidos anunciaram, em 2014, um descongelamento de suas relações após décadas de bloqueio, fez com que a cidade ficasse superlotada.

"Tenho um grupo de 250 pessoas que chegam esta semana e acabo de saber que já não posso contar com os 80 quartos que havia reservado e pago desde março. Tudo isto devido à sobrevenda", lamentou Stéphane Ferrux, diretor do "Cuba autrement", uma das poucas agências francesas que operam em Havana.

Risco do zikaCuba registrou um aumento de 17% na chegada dos turistas em 2015, "mas o país não está preparado, a qualidade não está a par dos preços, que subiram cerca de 50% em um ano e todo mundo quer aproveitar", explicou Ferrux.

As praias paradisíacas do Haiti também começaram a sentir o interesse dos turistas, seis anos depois do terremoto que devastou o país.

O turismo mundial ainda mira a América Latina e, em particular, a Colômbia, Peru, México e Argentina, destinos que, no contexto mundial de insegurança, oferecem exotismo, mas com menos risco.

Agora a questão é como isto vai afetar a propagação do vírus zika nestes destinos, uma vez que as epidemias também penalizam o setor, como ocorreu com o ebola na África, o chikungunya no Caribe e o Mers na Coreia do Sul.

Outros fatores como a taxa de câmbio podem, inclusive, fazer com que a saída ao exterior seja algo proibitivo, como lhes ocorreu aos russos após o colapso de sua moeda em 2015 devido às sanções impostas à sua economia.

Os fluxos migratórios também repercutem nos turistas, como sucedeu à ilha grega de Kos, que, entre janeiro e agosto de 2015, sofreu 178 mil cancelamentos de reserva pela onda de refugiados que chegaram às suas costas.

Muitos cruzeiros eliminaram também a escala em Mitilene, a capital da ilha de Lesbos, segundo dados do Euromonitor.

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