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Prevenção de riscos é necessária com avanço da Inteligência Artificial

15/03/2016 17h14

Paris, 15 Mar 2016 (AFP) - Ao construir máquinas que o superam pouco a pouco, o homem estaria brincando de aprendiz de feiticeiro? O progresso da inteligência artificial promete ótimos avanços, mas a sociedade deve estar preparada para os riscos ligados a estas novas tecnologias - é o que ressaltam especialistas.

Um novo passo foi dado com a vitória do AlphaGo, um programa de computador do Google que derrotou na última terça-feira por 4 a 1 o campeão mundial de go, um jogo de tabuleiro extremamente complexo.

A inteligencia artificial avançou muito nos últimos anos, especialmente no reconhecimento de imagens e vozes, análise de vídeo e compreensão de idiomas.

"Enquanto nós consideramos tarefas muito 'engessadas', a máquina pode lutar e, eventualmente, nos ultrapassar", diz Olivier Teytaud, pesquisador do INRIA, o Instituto Nacional de Pesquisa em Informática francês.

"Mas a máquina é incapaz de se aproximar do desempenho humano em questões de senso comum, como saber se elefantes fazem pintura a óleo ou tarefas mal especificadas e inesperadas. Nenhuma máquina pode decidir uma estratégia de negócio ou gestão de um país...e menos ainda programar o AlphaGo!", acrescentou.

Antropóloga da Universidade de Genebra, Daniela Cerqui partilha da opinião de que não devemos perder de vista "a lógica do lucro" procurada, segundo ela, pelos grupos envolvidos na inteligência artificial.

A seus olhos, "não é uma coincidência que o gigante norte-americano Google projetou AlphaGo".

Há anos existe o temor de que as máquinas irão superar a humanidade, medo nutrido por livros e filmes como "2001: Uma Odisseia no Espaço", com seu computador assassino ou "Exterminador do Futuro" e seu robô exterminador.

Mas Yann Le Cun, diretor do Laboratório de Inteligência Artificial do Facebook, garante que "não há perigo - certamente nas próximas décadas - de termos um cenário do 'Exterminador', onde robôs dominam o mundo". "É completamente improvável".

- Proteção contra ciber-ataques -"Estamos muito longe agora de sermos capazes de construir máquinas suficientemente inteligentes" capazes de tomar o lugar dos seres humanos. "Nós não temos ideia dos princípios básicos que podem nos permitir fazer isso".

E um dos desafios consiste em "alinhar o seu comportamento íntimo ao interesse da humanidade" ao incutir "de alguma forma uma moral", considera o pesquisador.

Quando "as pessoas falam de um risco de perda humana de controle" para a máquina, "elas geralmente pensam em cenários de ficção científica", observa Thomas Dietterich, da Universidade de Oregon e presidente da AAAI, uma associação de promoção da inteligência artificial baseada na Califórnia.

Outro risco, segundo ele, são os ataques cibernéticos que poderiam ser sofridos pelos algoritmos de inteligência artificial. Se dirigem carros ou animam robôs, isso poderia tornar-se problemático.

Para evitar acabar na posição "de aprendiz de feiticeiro", será preciso ter "muito cuidado com o que pedir a um computador ou um robô porque ele vai fazer o que lhe foi pedido", observa Dietterich.

Se você pedir para que seu carro autônomo o leve ao aeroporto " o mais rápido possível", ele vai andar a 300 km/hora atropelando os pedestres? Será necessário dar instruções bem específicas de antemão.

A revolução na inteligência artificial e robótica está acontecendo e pode deixar muitas pessoas à beira da estrada, dizem alguns pesquisadores.

"Os riscos se devem em particular à implementação de desempregados cujos empregos serão preenchidos por máquinas", aponta Jean-Gabriel Ganascia, especialista em inteligência artificial na Universidade Pierre et Marie Curie, em Paris.