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Cepal: América Latina deve ter outro ano de recessão econômica em 2016

22/03/2016 18h46

Santiago, 22 Mar 2016 (AFP) - A América Latina deve registrar em 2016 outro ano de contração econômica, diante de um desempenho mais fraco do que o esperado em suas principais economias, o que fará revisar "em baixa" as projeções de crescimento, disse nesta terça-feira Alicia Bárcena, secretária-executiva da Cepal, em entrevista à AFP.

A recessão da economia brasileira voltará a arrastar as economias regionais a registrar um crescimento negativo neste ano, após a queda de 0,4% em 2015, o pior desempenho em seis anos.

"Neste ano, nossa projeção era de 0,2%, mas nós a estamos revisando porque acredito que será negativa, sobretudo pelo Brasil, que é uma das economias que mais sofreu deterioração", afirmou.

"Estamos em uma situação diferente. Vemos uma maior deterioração das economias" frente às estimativas oficiais entregues em dezembro passado, acrescentou.

O Brasil não levantaA economia brasileira, que no ano passado caiu 3,8%, não estaria dando sinais de recuperação, em meio ao escândalo de corrupção que ameaça o governo de Dilma Rousseff.

A crise econômica e política vivida no país há dois anos ganhou novo impulso nas últimas semanas com o avanço das investigações envolvendo o ex-presidente Lula e o pedido de impeachment de Dilma Rousseff.

"Neste ano nós prevíamos que (a economia brasileira) poderia se recuperar um pouco, mas não vemos uma recuperação tão rápida como a que queríamos", explicou Bárcena.

Em uma declaração pública revelada também nesta terça-feira, a Cepal advertiu que o Brasil enfrenta uma ameaça à sua estabilidade democrática, e acusou a tentativa de "demolir" a imagem da presidente Dilma e seu legado, "enquanto que se multiplicam os empenhos para enfraquecer a autoridade presidencial e interromper o mandato que entregue nas urnas pelos cidadãos".

Venezuela e Argentina no vermelhoAs economias da Venezuela e da Argentina também devem registrar crescimentos negativos neste ano.

Para a Venezuela, a Cepal estima que a contração superará os 7% previstos em suas últimas projeções entregues em dezembro do ano passado, afetada pela crise política que enfrenta o governo de Nicolás Maduro e a queda no preço internacional do petróleo.

Para a Argentina, esperava-se uma expansão de 1,6%, mas deverá ajustar-se à baixa.

"Nós estimamos para o caso de Argentina um crescimento negativo", detalhou a secretária-executiva da Cepal.

Para 2017, o destino da economia argentina "vai depender muito do que for alcançado nos mercados financeiros e nos investimentos, mas é difícil que a Argentina consiga recuperar o crescimento em um prazo tão curto. Acho que terá que esperar, eu não seria tão otimista", acrescentou Bárcena.

"As economias vão crescer menos do que nós estimamos, não no caso de Chile e México, mas sim no caso de Brasil, Venezuela e Argentina, onde teremos crescimentos negativos", disse Bárcena.