Obama visita Alemanha para defender tratado de livre comércio

Hanôver, Alemanha, 24 Abr 2016 (AFP) - O presidente americano, Barack Obama, de visita durante dois dias em Hanover, Alemanha, pediu, neste domingo, que "continue avançando" o tratado de livre comércio atualmente em negociação com a União Europeia (UE), apesar das críticas generalizadas que o acordo desperta.

"Angela (Merkel) e eu estamos de acordo em dizer que os Estados Unidos e a União Europeia necessitam continuar avançando com a Associação Transatlântica para o Comércio e Investimento (conhecido como TTIP, na sigla em inglês)", declarou Obama durante coletiva de imprensa conjunta com a chanceler alemã.

O salão industrial de Hanover, o mais importante do mundo e no qual este ano os Estados Unidos são o país convidado, oferece a ambos líderes uma boa vitrine para promover o acordo, que está levantando fortes críticas, tanto por seu conteúdo como pela opacidade com a qual está sendo negociado.

"Não espero que cheguemos a concluir a ratificação de um acordo para o final do ano, mas prevejo que terminemos a negociação do acordo (...) então, as pessoas poderão ver porque é positivo para nossos dois países", assegurou o presidente americano.

Por sua parte, Merkel considerou que o tratado era "a partir de uma perspectiva europeia, uma grande ajuda para permitir o crescimento da economia".

Obama chegou às 13H00 locais (08h00 Brasília) para inaugurar o salão industrial à noite junto à chanceler alemã, antes de um jantar com empresários.

- Um questionamento cada vez maior -Os Estados Unidos e a União Europeia trabalham desde 2013 neste vasto acordo, do qual começará uma 13ª rodada de negociações na próxima semana, em Nova York,

O projeto suscita um questionamento cada vez maior na sociedade civil, como foi evidenciado pela manifestação de dezenas de milhares de manifestantes nas ruas de Hanover no sábado.

As negociações sobre o TTIP encontram-se presas por fortes divergências entre as duas partes, alimentadas por um ceticismo crescente das opiniões tanto nos Estados Unidos como na Europa.

Também no governo alemão, considerado um dos principais defensores do projeto na Europa, cresce a impaciência.

O acordo "fracassará" se não existirem concessões de Washington, advertiu neste domingo o ministro alemão da Economia, Sigmar Gabriel. O número dois do Executivo germânico rejeitou mais uma vez um texto que, segundo ele, no momento pode ser resumido em poucas palavras: "Compre (produto) americano"

Também na França a resistência aumenta. O presidente François Hollande se nega a falar sobre o TTIP em um encontro que será organizado por Merkel em Hanover na segunda-feira, que terá a presença de Hollande e Obama, além dos chefes de Governo da Grã-Bretanha e da Itália.

A informação foi divulgada pela revista alemã Der Spiegel e tem uma razão: o tema é muito impopular na França.

O presidente americano voltou a reiterar neste domingo as advertências ao Reino Unido na área comercial a respeito de uma eventual saída do país UE. Na hipótese de 'Brexit', Londres "não estará em posição de negociar algo com os Estados Unidos mais rápido que a UE", destacou.

Elogios a Merkel Apesar das divergências, a escolha de viajar a Alemanha mais uma vez, a quinta desde que chegou ao poder, evidencia a posição que Obama atribui à chanceler Merkel, a dirigente europeia a que melhor conhece após dois mandatos na Casa Branca.

"Ela encarna muitas das qualidades que mais admiro em um governante. Se guia ao mesmo tempo por interesses e por valores", disse em uma entrevista ao jornal Bild, o de maior tiragem na Alemanha.

O enfoque político de Obama, muito analítico, é próximo ao de Merkel, com a qual tem uma relação "cerebral sem igual", segundo colaboradores próximos.

O jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung chegou a chamar Obama e Merkel de "almas gêmeas".

Mas a relação nem sempre foi fácil. Durante a crise do euro, Washington criticou Berlim por sua rigidez ideológica a respeito da disciplina fiscal. O momento de maior tensão aconteceu em 2013, com a descoberta das escutas da agência de inteligência americana NSA no telefone celular de Angela Merkel.

Mas os dois se aproximaram com a postura firme a respeito da Rússia na crise ucraniana e durante as negociações que resultaram, ano passado, em um acordo sobre o programa nuclear iraniano.

Obama concluirá a viagem pela Europa na segunda-feira em Hanover com um aguardado discurso sobre sua visão das relações transatlânticas

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