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Brasil anuncia novo presidente do BC e revisão de todas as contas públicas

Brasília, 17 Mai 2016 (AFP) - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, nomeou nesta terça-feira o economista-chefe do banco Itaú Ilan Goldfajn à frente do Banco Central (BC) e disse que sua prioridade absoluta é revisar todas as contas públicas antes de anunciar novas medidas.

A nomeação de Goldfajn, que já trabalhou no BC, era esperada pelos mercados e completa o último dos grandes postos da equipe de Meirelles, que continua demonstrando cautela em antecipar políticas até que os números sejam revisados e verificados para diagnosticar "o real cenário econômico do país".

Meirelles afirmou na coletiva de imprensa que, para estabelecer uma meta fiscal é preciso saber o déficit para este ano e a arrecadação. O ministro esclareceu que ainda não se sabe se será necessário criar algum imposto, mas que isso deverá ser analisado nesta semana.

Ao assumir o cargo na semana passada, Meirelles ressaltou que seria preciso "começar a dizer a verdade" sobre as contas públicas, sugerindo que a economia brasileira está em um estado pior do que se acredita.

Goldfajn, com passagem pelo Fundo Monetário Internacional, também foi consultor das Nações Unidas e do Banco Mundial. Sua nomeação ainda deve ser referendada pelo Senado.

"Já foi diretor de política econômica do Banco Central (...) trabalhamos juntos no banco", disse Meirelles ao anunciar o novo conductor da política cambial e monetária no Brasil, que atravessa sua pior recessão em 80 anos.

Goldfajn substituirá Alexandre Tombini, que segundo o ministro da Fazenda continuará na administração pública.

Tombini elogiou o sucessor. "É um profissional reconhecido, com larga experiência no setor financeiro brasileiro, ampla visão da economia nacional e internacional, além de já ter passagem pela diretoria colegiada do BC", disse em um comunicado.

- Ansiedade -Apenas cinco dias após o afastamento da presidente Dilma Rousseff, o governo interino de Michel Temer aponta para o avanço de um modelo econômico de menor intervenção.

Meirelles está tendo que se esforçar para conter a ansiedade existente por saber quais serão as novas medidas para tirar o país da crise.

O próprio ministro disse que se medidas não forem tomadas o desemprego poderá chegar aos 14% neste ano (atualmente é de 10,9%).

"Vamos fazer um diagnóstico preciso e correto e tomar medidas que sejam não só eficazes, mas que sejam definitivas. Não sejam medidas que tenham que ser revertidas depois de uma semana, um mês, seis meses ou um pouco mais", disse.

Considerando-se o atual cenário político, analistas e políticos concordam que as chances de Dilma Rousseff recuperar seu cargo são mínimas, e Temer, que passou de aliado a rival, já antecipa uma mudança de rumo para o país.

- Foros -Entre os planos, Temer pretende tirar o status de ministério do Banco Central e enviar uma proposta de emenda constitucional ao Congresso para manter a proteção dos privilegiados do presidente da instituição, estendendo-a a toda direção do BC.

"O Banco Central não tem sua autonomia questionada, tem autonomia técnica de decisão", afirmou Meirelles.

De acordo com o ministro, o BC sairá ganhando, pois "haverá uma garantia constitucional do que hoje é um acordo verbal".

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