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BCE compra bônus corporativos para incentivar economia da Eurozona

Berlim, 8 Jun 2016 (AFP) - O Banco Central Europeu (BCE) começou a comprar nesta quarta-feira bônus corporativos, como parte do arsenal de medidas lançadas nos últimos meses para impulsionar o crescimento e a inflação da zona do euro.

O BCE já reduziu os juros a praticamente 0% e inundou os mercados financeiros com compras maciças de títulos de dívidas soberanas. A partir de agora, também compra títulos de empresas nos mercados secundários, para dar margem de investimentos.

A instituição se negou a precisar quais foram as empresas beneficiadas pela operação, mas fontes citadas pela agência Bloomberg News apontaram aquisições de títulos da maior cervejaria do mundo, a belga e brasileira AB InBev, assim como do grupo automobilístico francês Renault, da espanhola Telefônica, do conglomerado industrial alemão Siemens e da seguradora italiana Generali.

O BCE elevou em março de 60 bilhões para 80 bilhões de euros mensais sua intervenção nos mercados da dívida dos 19 países da zona do euro. A quantia se destinava até agora principalmente à compra de títulos soberanos, mas já estava previsto que uma parte desse montante, que deve se manter até março de 2017, seria usada à aquisição de dívida corporativa.

Bilhões por mêsO programa gera preocupação em alguns meios financeiros. O jornal conservador alemão Die Welt advertiu que a instituição emissora entra em "um território desconhecido" e que as compras de títulos podem resultar em "enormes distorções" no mercado das dívidas corporativas e inclusive criar uma bolha especulativa.

O BCE alega que seu objetivo é ajudar a rebaixar os custos de financiamento das empresas e incitá-las a investir sem recorrer necessariamente aos bancos, ainda que atuando com prudência. Para manter a neutralidade, suas compras serão feitas respeitando a proporção de nacionalidades das empresas nesse mercado.

Os bônus corporativos só representarão uma pequena proporção dos 80 bilhões de euros usados mensalmente pelo BCE para comprar dívida. As estimativas dos analistas variam de um mínimo de 3 bilhões a um máximo de 10 bilhões de euros.

O BCE também estabeleceu regras que restringem sua margem de manobra. A instituição se absterá de comprar, por exemplo, títulos emitidos por bancos.

Caso compre mensalmente 5 bilhões de euros até março de 2017, no máximo 10% serão em bônus do mercado da dívida corporativa.

"Um impacto limitado"O BCE anunciou em março sua intenção de intervir nesse segmento, em uma decisão sem antecedentes para um Banco Central, que acalmou o mercado.

Os juros dos títulos soberanos caem significativamente desde então, e as novas emissões corporativas se encadearam, incluindo a mais substancial da história, lançada em março pela AB InBev, de mais de 13 bilhões de euros.

No entanto, desde então a situação praticamente se normalizou, e os mercados anteciparam o início oficial das operações.

O programa de compras "já foi integrado pelo mercado", assegura Louis Harreau, da Crédit Agricole CIB em Paris. Os analistas da Unicredit também prevem um "impacto limitado" nos juros atuais.

Jack Allen, da Capital Economics, também não prevê que o programa terá um impacto significativo nos investimentos, e no ritmo de crescimento e da inflação da zona do euro.

Os especialistas do banco alemão Commerzbank acreditam que haverá um "alívio" nos mercados da dívida soberana, onde os títulos ficam mais escassos por causa do apetite de compras do BCE.

A instituição de Frankfurt comunicará em 18 de julho seu primeiro balanço dessas intervenções.

bur-esp/mtr/jpr/eg/cc/mvv

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