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Queda de importações chinesas se estabiliza após 18 meses de forte retrocesso

Pequim, 8 Jun 2016 (AFP) - As importações chinesas contrariaram as previsões pessimistas e se estabilizaram em maio, depois de um ano de fortes quedas, um sinal alentador para a potência asiática e para os países que dependem da sua demanda.

As compras externas da segunda economia mundial totalizaram em abril 131,1 bilhões de dólares, um retrocesso de 0,4% em relação ao mesmo mês de 2015, informou nesta quarta-feira o governo chinês por meio de sua alfândega.

A contração mensal foi a 19ª consecutiva, mas a de menor magnitude desde outubro de 2014, quando o faturamento das importações caiu 4,6%.

A queda de faturamento se explica pelos excedentes de produção industrial, conjugados à contração do mercado imobiliário e ao crescente endividamento do país.

O resultado de maio surpreendeu o mercado. Os analistas consultados pela agência Bloomberg News previam um recuo de 6,8% das importações. Uma surpresa ainda maior considerando-se que em abril o montante das importações tinham sofrido uma queda de quase 11%.

As exportações caíram 4,1% em termos anuais, a 181,1 bilhões de dólares, depois de ter retrocedido 1,8% em abril.

Consequentemente, o país obteve um superávit comercial de 50 bilhões de dólares em maio, em relação aos 45,5 bilhões em abril.

As exportações chinesas registraram retrocessos em oito dos dez últimos meses, em consonância com a desaceleração do país, que tem apresentado as menores taxas de crescimento econômico dos últimos 25 anos.

Demanda interna e preços de matérias-primasO contraste entre a estabilização das importações e a nova queda das exportações "sugere uma melhora da demanda interna, assim como um aumento dos preços das matérias-primas, com um aumento de 12% do preço do barril de petróleo em um mês", observou Yang Zhao, especialista de Nomura.

O montante das importações só deve subir nos próximos meses, pois o ponto de comparação são os preços de 2015, em plena depressão.

No entanto, os volumes de mercadorias importadas também apresentam melhoras e "dão uma ideia adequada da demanda real", afirma Julian Evans-Pritchard, da consultoria Capital Economics.

As importações chinesas de cobre registraram em maio um aumento anual de 19%; as de petróleo, 39%; e as de carvão, 33%.

Esses dados são um alívio para os países que dependem substancialmente das exportações de matérias-primas para o mercado chinês, como Brasil, Chile, Austrália e Nigéria, entre outros.

Aço, fonte de discórdiaNos últimos meses, o governo chinês ampliou seus esforços de reativação orçamentária e manteve políticas monetárias flexíveis a fim de incentivar a atividade econômica.

Essas medidas parecem produzir seus primeiros efeitos: a produção industrial voltou a aumentar em maio pelo terceiro mês consecutivo e os preços de bens imobiliários continuam a se recuperar, confirmando uma retomada do setor chave da construção.

Mas a aposta ainda não está ganha: os excedentes de produção continuam sendo significativos, as reformas estruturais tropeçam e o crescimento do PIB segue em desaceleração (+6,7% no primeiro trimestre).

"A concentração da recuperação nos setores de infraestrutura e da construção obrigará as autoridades a manter suas medidas de apoio, apesar do alto nível de endividamento e dos riscos financeiros", estimam analistas da Bloomberg Intelligence.

Esses fatores deveriam, por outro lado, sustentar as importações".

O governo tenta equilibrar o modelo tradicional de crescimento baseado nas exportações mediante um desenvolvimento dos serviços, das novas tecnologias e da demanda interna. Entretanto, essa reconversão é difícil e frequentemente acontece sob forte pressão.

Nesta semana, os Estados Unidos pediram à China que cumpra a promessa de reduzir as sobrecapacidades de suas siderúrgicas, que prejudicam o mercado mundial.

No entanto, as exportações siderúrgicas chinesas voltaram a aumentar 2,4% em maio, totalizando 9,42 bilhões de toneladas. Paralelamente, as importações de minério de ferro, insumo básico para a produção de aço, cresceram 22%.

Pequim se comprometeu a eliminar até 2020 cerca de 100 dos 150 milhões de toneladas de suas sobrecapacidades siderúrgicas, o que implica a eliminação de 500.000 empregos.

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