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Fed analisa economia dos EUA para decidir sobre os juros

Washington, 13 Jun 2016 (AFP) - A possibilidade de um aumento da taxa de juros nos Estados Unidos a partir desta semana parece estar esgotada após a decepção gerada pelos dados do emprego em maio, divulgados a poucos dias da reunião monetária do Banco Central.

"O repentino freio ao crescimento do nível de emprego exclui qualquer possibilidade de um aumento dos juros na reunião do Comitê Monetário (FOMC), entre terça e quarta-feira, "em especial pelo iminente voto britânico" no referendo de 23 de junho sobre o Brexit, resumiram em uma nota analistas da Capital Economics.

O Federal Reserve (Fed) inicia nessa terça-feira um encontro de política monetária de dois dias. O comunicado do FOMC será publicado às 18H00 GMT (15H00 horário de Brasília) de quarta-feira, assim com as novas previsões econômicas. Depois da reunião, a presidente do organismo Janet Yellen realizará uma coletiva de imprensa.

Há duas semanas ainda havia 40% de chance de o Fed realizar seu segundo e modesto ajuste monetário desde dezembro de 2015.

"É provável que seja conveniente (aumentar os juros) nos próximos meses", disse Yellen no fim de maio, enquanto o presidente do Fed de Nova York também afirmava ser "razoável" um aumento a partir de junho ou julho.

Mas para a surpresa dos analistas, as empresas americanas só criaram 38.000 postos de trabalho em maio, contra 123.000 no mês anterior. Esse foi o nível mais baixo em seus anos, o que acabou com as possibilidades de uma nova mudança monetária a partir de quarta-feira.

"Uma prorrogação para setembro é sem dúvida mais provável", asseguraram na Capital Economics. No entanto, outros analistas não excluem a possibilidade de aumento dos juros em julho.

O fantasma do BrexitComo ressaltou Janet Yellen após a difusão dos decepcionantes dados sobre o nível de emprego, a "incerteza" sobre a economia americana e mundial é atualmente "considerável".

"O recente relatório sobre o emprego foi globalmente preocupante", disse a presidente do Fed, que reconheceu que a política de taxa de juros baixas é "apropriada" de acordo com o momento que se vive.

Na medida em que a perspectiva de um aumento dos juros foi se afastando, o dólar teve uma forte desvalorização na semana passada.

Será interessante ver nas previsões que o Banco Central divulgará na quarta-feira se os integrantes do Fed continuam acreditando que os juros subirão duas vezes neste ano, situando-se ao redor de 0,9% no final de 2016. Atualmente elas estão entre 0,25% e 0,50%.

Considerando os dados medíocres da economia americana e a preocupante situação internacional, é provável que Yellen se mostre prudente durante a coletiva de imprensa e mantenha todas as opções abertas.

O fantasma de uma saída do Reino Unido da União Europeia após o referendo de 23 de junho poderá ter também "importantes repercussões econômicas", advertiu a presidenta do Fed.

Em uma entrevista concedida na sexta-feira o jornal Les Echos, o diretor do banco Goldman Sachs estimou que um aumento progressivo da taxa de juros do Fed "seria bom para a confiança".

"Acho que se o Fed aumentar os juros será bem recebido pelos mercados, pois isso representaria um reconhecimento do bom estado de saúde da economia americana, apesar dos últimos dados sobre o emprego", avaliou Lloyd Blankfein.

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