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O inesperado tropeço de Netflix

San Francisco, 19 Jul 2016 (AFP) - Enfraquecimento temporário ou dificuldades mais consistentes por um mercado muito competitivo? A Netflix, empresa líder do vídeo on-line cujo crescimento parecia impossível de conter, reduziu a captação de novos assinantes no segundo trimestre.

A inesperada má notícia preocupou Wall Street e a ação do serviço de streaming americano caiu 13,49%, a 85,48 dólares, às 17H45 GMT (14H45 horário de Brasília) desta terça-feira.

Na noite de segunda-feira, a Netflix informou ter registrado 83,18 milhões de usuários no final de junho, apenas 1,68 milhões a mais do que no fim de março.

O grupo já havia adiantado que não igualaria o lucro recorde de 6,74 milhões de assinantes registrado no primeiro trimestre, logo após seu lançamento em 130 novos países, mas estimava que seria de pelo menos 2,5 milhões.

Sua previsão para o terceiro trimestre (+2,3 milhões) também é considerada decepcionante pelos analistas.

"A grande pergunta que os investidores se fazem é se esse enfraquecimento se deve a fatores temporais ou a forças competitivas estruturais", resumem os especialistas da Cannaccord Genuity.

A direção da Netflix disse que sua decepcionante atuação não tem nada a ver com a pressão de concorrentes como Hulu e Amazon, mas com novos planos de tarifas e com os Jogos Olímpicos, que podem reduzir o consumo de seus programas.

Muitos analistas, começando pela Cannaccord Genuity, aconselham aos investidores que aproveitem a queda nos preços de compra de ações, mencionando as oportunidades a longo prazo representadas pela expansão internacional do grupo e seu investimento em conteúdos.

Atualmente, a Netflix está presente em quase todos os países do mundo, e tem destacadas produções originais, como "House of Cards" e "Orange is the New Black".

Neil Saunders, da empresa de pesquisa Conlumino, acredita que mesmo que a Netflix se recupere, ela terá um crescimento mais lento nos Estados Unidos. "Um mercado mais competitivo aumenta a perda de assinantes, que mudam de provedor", adverte.

No âmbito internacional, alguns analistas advertem contra o risco de uma concentração demasiada nos programas em inglês, a estratégia da Netflix na maioria de seus novos mercados: a empresa disse nesta segunda-feira acrescentará, mas de forma gradual e seletiva, programas locais com legendas ou dublagens.

"A Netflix foi lenta em investir em conteúdos internacionais, inclusive nos países grandes, e isso levou a reduzir seu crescimento. Os conteúdos locais são mencionados como a chave para a expansão nos mercados internacionais, e retroceder nisso poderá afetar negativamente as perspectivas da empresa fora dos Estados Unidos e do Reino Unido", afirma Jonathan Broughton, da IHS Technology.

Na mira da Apple ou da Amazon?Em todo caso, os assinantes estão aumentando de forma mais lenta do que a prevista.

"Isso levará os investidores a se perguntar se a Netflix poderia se transformar em um objetivo de compra, em a Apple só pode ser considerado comprador potencial, dizem os analistas da BMO Capital Markets.

A Apple tem demonstrado há tempos um forte interesse nos conteúdos de vídeo on-line. Até agora privilegiou a fabricação de seus produtos internos, mas seu tesouro de guerra de mais de 200.000 milhões de dólares lhe permitiria concretizar a compra.

Na Bolsa, a Netflix vale aproximadamente 37 bilhões de dólares. Suas ações perderam um terço de seu valor desde o final de 2015. "Comprar a Netflix poderia representar uma solução mais atraente do que criar um serviço, ou no caso da Amazon, uma possibilidade de consolidar sua posição para se transformar em um serviço dominante de vídeo on-line", argumentou Jeffrey Wlodarczak, da Pivotal Research Group.

No entanto, conseguir um comprador provavelmente não é a prioridade da direção da Netflix, que "continua centrada na execução de seu ambicioso plano de expansão para 2016", escreveu BMO Capital Markets.

soe/jld/ll/cd/cc/mvv

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