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Economia da zona euro perde gás e se prepara para impactos do Brexit

Bruxelas, 29 Jul 2016 (AFP) - O ritmo de crescimento da zona euro perdeu gás no segundo trimestre, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, em meio a preocupações pelo impacto do Brexit sobre a economia do bloco.

Segundo a agência de estatísticas europeias Eurostat, o Produto Interno Bruto (PIB) dos 19 países da zona euro registrou um aumento de 0,3% no período abril-junho em relação ao trimestre anterior, quando cresceu 0,6%.

O dado coincide com as projeções dos analistas consultados pela firma de informações financeiras Factset.

A desaceleração é explicada em grande parte pelo estancamento da França. Os analistas mencionam igualmente o inverno inusualmente muito cedo como uma das causas do resultado frouxo.

Em termos interanuais (em relação ao mesmo período de 2015), o aumento do PIB no segundo trimestre foi de 1,6%.

- Antes do Brexit -Os dados divulgados nesta sexta dizem respeito a um período que só no final pode acusar algum impacto do referendo de 23 de junho, quando os britânicos se pronunciaram a favor da saída da União Europeia, o Brexit.

Essa decisão abre um processo de incertezas que, segundo o Banco Central Europeu (BCE), poderá ter impacto negativo durante vários anos na economia regional.

A instituição emissora se disse, na semana passada, decidida a atuar para contra-atacar essas repercussões.

Até agora, os países europeus deram sinais de resiliência, exceptuando-se as sacudidas dos mercados financeiros depois do anúncio da vitória do Brexit.

"A boa notícia é que a economia continua com certo dinamismo, apesar de não se poder esperar uma grande aceleração enquanto o Brexit continuar criando incertezas", afirmou Peter Vanden Houte, economista-chefe do ING Bank em Bruxelas.

"O terceiro trimestre arrancou bem, mas não pode ser descartado o potencial negativo do Brexit no crescimento da zona euro", acrescentou.

A Espanha manteve no segundo trimestre um sólido crescimento de 0,7%, apenas um décimo a menos que no período anterior, apesar de estar há sete meses sem poder formar o governo.

A França, segunda economia da zona euro, teve, em compensação, um crescimento nulo no período abril-junho, depois de ter crescido 0,7% no primeiro trimestre.

- Inflação em alta -A Eurostat anunciou, por outro lado, que a inflação de julho foi de 0,2%, em alta em relação ao 0,1% de junho, um dado que afasta os riscos de deflação.

"O dado da inflação pode marcar um arranque dos preços", disse Jack Allen, da consultora Capital Economics.

O BCE calcula que o nível ideal de inflação para conjugar crescimento e estabilidade de preços deve ser "próximo, mas inferior a 2%".

O índice de desemprego se manteve, por sua vez, estável em junho, em 10,1%, seu nível mínimo desde julho de 2011.

Mas mesmo assim, continua sendo muito superior ao dos anos prévios à crise que em 2008 afundou a economia global.

"De 1997 a 2007, o índice médio de desemprego [na zona euro] foi de 8,8%", recordou jack Allen.

A média encobre fortes disparidades.

Os índices de desemprego mais baixo são registrados em Malta (4%) e Alemanha (4,2%).

Os mais elevados estão na Grécia (23,3% em maio, o último dado disponível) e na Espanha (19,9%).

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