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Macri acena para ruralistas na Argentina

Buenos Aires, 30 Jul 2016 (AFP) - O presidente Mauricio Macri, o primeiro em 15 anos a comparecer à abertura da mais tradicional exposição rural da Argentina, selou uma aliança com o poderoso setor agropecuarista, o qual definiu como "o motor da economia argentina".

"Trabalhamos para que o campo sinta que se tirou o pé de cima dele e que, agora, estamos estendendo a mão", discursou Macri, na inauguração da 130ª Exposição Rural, diante de uma multidão de produtores.

Em um discurso de 20 minutos sem anúncio de medidas, Macri destacou "a importância que o campo tem para o país" e ressaltou a política que implantou para o setor desde sua posse em dezembro de 2015, após 12 anos de gestão kirchnerista (2003/2015), promotora da indústria manufatureira.

Em um giro de 180 graus em relação à política do governo anterior, pouco depois de assumir Macri eliminou os impostos às exportações de trigo, milho e sorgo, enquanto o da soja foi reduzido de 35% para 30%, duas antigas reivindicações do setor na Argentina, um dos maiores produtores mundiais de alimentos.

"O campo é o grande motor que esse país tem. Um em cada três empregos é gerado de forma direta, ou indireta, pelo campo argentino", elogiou o presidente.

Macri estava acompanhado de grande parte de seu gabinete, assim como de sua mulher, Juliana Awada, e da filha Antonia.

Os grandes produtores agrícolas celebraram a mudança dos rumos da economia.

"Agradecemos ao presidente pela eliminação das retenciones [impostos sobre as exportações], pela desvalorização, pela unificação cambial, pela saída do cepo cambiario [prisão cambial, em tradução livre] e pela saída do default", enumerou o presidente da Sociedade Rural, Luis Etchevehere, que falou antes de Macri.

"O campo já deu a largada, e isso é apenas o começo", destacou Etchevehere.

O setor agrícola é o único em franca recuperação no país, em meio a um clima de recessão com a queda de 3,3% registrada pela indústria, e de 12,4%, no setor da construção, nesse mesmo período.

Em 2008, os fortes confrontos com a ex-presidente Cristina Kirchner (2007/2015) levaram os ruralistas a protagonizar uma longa greve, que colocou o governo peronista em uma situação bastante difícil.

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