Crescimento da zona do euro se mantém estável no terceiro trimestre

Bruxelas, 31 Out 2016 (AFP) - A expansão econômica da zona do euro se estabilizou no terceiro trimestre do ano em 0,3%, segundo dados publicados nesta segunda-feira, embora os analistas alertem sobre as consequências do Brexit para o crescimento dos países da moeda única em 2017.

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos 19 países del euro se manteve estável em 0,3% no terceiro trimestre de 2016, em comparação aos três meses anteriores, afirmou o instituto europeu de estatísticas Eurostat, convergindo com os analistas consultados pela Factset (Research Systems Inc., empresa multinacional de informação financeira).

A zona do euro registrou em outubro uma inflação de 0,5%, em rápida progressão em relação ao mês anterior, segundo a Eurostat, o que representa seu nível mais alto em 27 meses.

Para o analista Howard Archer da IHS Markit, o crescimento do PIB na zona do euro poderá aumentar 0,4% no quarto trimestre em relação ao período de julho a setembro, deixando a expansão total de 2016 em 1,6%, como estimou a Comissão Europeia em suas previsões de maio.

Entre os países do euro que já comunicaram suas previsões do terceiro trimestre, a França informou o crescimento de 0,2% de seu PIB, após o inesperado recuo de -0,1% no trimestre anterior.

Segundo Archer, a Espanha registrou um "impressionante" crescimento de 0,7%, "apesar da estagnação política" e da desaceleração em relação ao segundo trimestre (0,8%).

No entanto, temos preocupações sobre as perspectivas de crescimento da zona do euro em 2017", acrescentou, em referência à incerteza política provocada pelas eleições neste ano nas duas maiores economias da zona do euro, França e Alemanha, e as possíveis difíceis negociações de divórcio com o Reino Unido (Brexit).

Os 19 países do euro poderão registrar uma desaceleração de até 1,4% de sua economia em 2017, afirmou o analista. Isso ficaria um pouco abaixo das previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), que também reduzem a expansão da zona do euro de 1,7% em 2016 para 1,5% um ano depois.

Nos 28 países da União Europeia (UE), o crescimento foi de 0,4% no terceiro trimestre, estável também em relação ao período de abril a junho de 2016.

- Inflação ainda baixa - A decisão dos britânicos em junho de abandonar a União Europeia acrescentou a incerteza a um projeto europeu enfraquecido desde a crise financeira de 2008 e a recente crise migratória, passando pelos atentados extremistas.

Além do Brexit, o FMI havia alertado no início de outubro sobre as consequências de uma baixa inflação da atividade econômica da zona do euro, que não alcançaria "até 2021" a meta do Banco Central Europeu (BCE) de mantê-la perto dos 2%.

Em outubro, apesar de atendir o maior patamar desde junho de 2014, o aumento dos preços ao consumo (IPC) ficou em 0,5% na zona do euro.

A inflação subjacente, que não considera os preços da energia e dos alimentos não elaborados, se manteve também baixa, segundo os analistas, para quem os consumidores estão ainda reativos a gastar.

Há dois anos, o BCE tenta estimular o crédito com o objetivo de reativar o crescimento econômico e a inflação em uma zona do euro que registrou em agosto uma taxa de desemprego de 10,1%.

Embora a inflação continue sendo baixa e a recuperação econômica dos países do euro não se estabilize, os analistas não esperam mudanças em seu programa de compra de ativos, mas "uma prorrogação de seis meses (...) até setembro de 2017", segundo a economista Jennifer McKeown, da Capital Economics.

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