Segundo dia de manifestações contra Trump nos EUA

Washington, 11 Nov 2016 (AFP) - Milhares de opositores a Donald Trump, atentos à formação de sua equipe de governo, manifestaram nesta quinta-feira pelo segundo dia contra a sua eleição à Casa Branca, a polícia citando "confusão" no Oregon (noroeste).

A continuação destes protestos se choca com a vontade de apaziguamento expressada no dia seguinte à eleição pelo republicano e pelo atual presidente democrata Barack Obama.

Em um tuíte, Donald Trump atacou os meios de comunicação, acusado-os de alimentar as tensões. Depois de "uma eleição presidencial bem sucedida e muito aberta", "manifestantes profissionais, incentivados pela mídia" se opõem ao resultado, o que é "muito injusto", denunciou.

Segundo a polícia, uma manifestação em Portland, no Oregon, marcada por "comportamentos perigosos e criminosos", degenerou "em confronto". De acordo com imagens da televisão, manifestantes atiraram projéteis contra a polícia e vandalizaram lojas.

Entre os manifestantes que se opõem à posse em janeiro de Donald Trump, de 70 anos, estão muitos jovens e estudantes.

Em Baltimore, perto de Washington, cerca de 300 pessoas se reuniram. "Eu não elegi o ódio para a presidência", era lido em cartazes. "Não é meu presidente!", gritavam os manifestantes.

Na costa oeste, tradicionalmente democrata, além de Oregon, várias centenas de estudantes também protestaram em San Francisco e Los Angeles, com alguns brandindo cartazes clamando: "O amor esmaga o ódio". Manifestações também foram relatadas em Nova York, Chicago (norte), Denver (centro-oeste) e Dallas (Sul).

O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, rejeitou na quinta-feira "a ideia louca" que informações falsas em sua rede social teriam contribuído para a vitória de Trump.

Primeiros contatos internacionaisOficialmente, nenhum compromisso foi agendado nesta sexta-feira para Donald Trump, que teve seu primeiro contato por telefone com líderes mundiais.

Ele convidou a primeira-ministra britânica Theresa May, encarregada de implementar a saída do Reino Unido da União Europeia, para visitá-lo "o quanto antes possível". Um encontro com o chefe do governo japonês Shinzo Abe também está previsto para a próxima semana.

Depois de um discurso conciliador desde sua eleição, o republicano deu um forte sinal de sua vontade de endossar o traje de presidente durante o seu primeiro encontro com o democrata Barack Obama.

"Foi uma grande honra estar com você", disse em um tom muito calmo, quase intimidado, o magnata imobiliário que, durante anos, alimentou uma campanha de boatos questionando a nacionalidade de Barack Obama.

O atual presidente evocou uma "excelente conversa" com aquele que durante a campanha considerou ser uma ameaça para a democracia americana. "Nós queremos fazer tudo o que pudermos para ajudá-lo a ter sucesso", acrescentou.

Além da constituição da sua equipe, o empresário que nunca ocupou cargo político e que partiu sozinho para a conquista do poder, deve também até janeiro se aliar aos caciques do Partido Republicano que controla o Congresso.

Sua eleição e o terremoto político que ela causou fizeram desaparecer as reservas que alguns tinham manifestado sobre o estilo e o discurso de um candidato regularmente acusado de xenofobia e sexismo.

"Espero que todos consigam perceber esse Donald Trump presidencial, que sabíamos desde o início que estaria a altura da função", assegurou à CNN o presidente do Partido Republicano, Reince Priebus.

De acordo com os meios de comunicação, ele poderia fazer parte da futura administração Trump.

O 45º presidente americano, que assumirá oficialmente suas funções em 20 de janeiro, encontrou os dois homens que serão responsáveis por converter em leis o seu programa: Paul Ryan, presidente da Câmara dos Representantes, e Mitch McConnell, líder da maioria do Senado.

A eleição surpresa de Donald Trump, impulsionada pela ira de um eleitorado sentindo-se ignorado pelas elites e ameaçado pela globalização, acabou com os sonhos da democrata Hillary Clinton de se tornar a primeira mulher presidente.

Ela também ameaça os progressos alcançados por Barack Obama (acordo climático, seguro de saúde, livre comércio...), cuja taxa de popularidade é, cruel paradoxo para ele, em seu nível mais alto.

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