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AIE: falta de investimento na indústria do petróleo pode provocar novo desequilíbrio

Paris, 16 Nov 2016 (AFP) - Um excessivo desinvestimento na indústria do petróleo pode provocar um novo desequilíbrio no mercado mundial em alguns anos, já que o combustível continuará sendo uma fonte de energia indispensável até 2040, adverte a Agência Internacional de Energia (AIE).

O setor petroleiro reduziu drasticamente os investimentos, cancelando ou adiando projetos em consequência da queda dos preços de petróleo, que perderam mais da metade de seu valor desde meados 2014 e se encontram atualmente por volta dos 45 dólares o barril, desinflados pela oferta excedente.

A redução das jazidas convencionais existentes equivale a perder a cada dois anos a atual produção do Iraque, o que constitui um "poderoso" estímulo para o atual novo equilíbrio do mercado petroleiro, analisa a AIE em seu grande estudo prospectivo anual.

Mas a agência adverte ao mesmo tempo sobre o "risco de uma correção excessiva", porque em 2015 "os volumes de petróleo convencional que receberam aprovação de desenvolvimento caíram ao menor nível desde o início dos anos 1950 e os dados disponíveis para 2016 não dão qualquer sinal de recuperação".

Depois de alcançar um máximo de 780 bilhões de dólares em 2014, os investimentos em projetos de exploração e produção caíram em quase 200 bilhões em 2015 e devem voltar a diminuir 140 bilhões este ano.

"Se as aprovações de novos projetos continuarem limitadas pelo terceiro ano consecutivo em 2017, parece cada vez mais improvável que se mantenha um equilíbrio entre demanda e oferta no início dos anos 2020", alerta a AIE, como já havia feito a Opep.

Ao mesmo tempo, a demanda de petróleo continuará crescendo por volta de 0,4% por ano no período 2014-2040, mas este avanço será limitado por medidas de eficácia energética, subsídios às energias fósseis ou um aumento dos preços.

Em 2040, o planeta deve consumir 103,5 milhões de barris por dia (mbd), contra 92,5 mbd em 2015, de acordo com a AIE, que considera os compromissos assumidos por cada país no acordo global de Paris contra o aquecimento global.

No entanto, caso medidas mais drásticas para a redução da emissão de gás carbônico sejam adotadas para limitar o aumento da temperatura a 2ºC, o consumo cairia ao nível do fim dos anos 1990, abaixo dos 75 mbd.

O consumo de petróleo será impulsionado pelo transporte de mercadorias, a aviação e a indústria petroquímica, "setores nos quais não abundam as soluções alternativas". Ao mesmo tempo, o desenvolvimento do carro elétrico deve moderar a demanda (-1,3 mbd aproximadamente).

A demanda total de energia no mundo aumentará quase 30% até 2040, sendo 74% correspondentes a energias fósseis (contra 81% em 2014), já que o crescimento mínimo do carvãp será compensado pelo dinamismo do gás natural.

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