May tenta tranquilizar empresários preocupados com Brexit

Londres, 21 Nov 2016 (AFP) - A primeira-ministra britânica, Theresa May, tentou nesta segunda-feira tranquilizar os empresários preocupados com o Brexit, embora não tenha dado respostas definitivas sobre questões-chave da imigração e do acesso ao mercado europeu.

"O enfoque correto é não ter pressa antes de ter terminado o trabalho de preparação e tomar tempo para ter clareza sobre nossa posição na negociação" para sair da União Europeia, disse May a uma centena de empresários da Confederation of British Industry (CBI), a principal organização patronal do país.

A maioria dos dirigentes da CBI quer que o Reino Unido permaneça na UE, ao contrário do desejo dos britânicos expresso no "sim" ao referendo de 23 de junho deste ano.

Desde então, muitos empresários pediram ao governo conservador que implemente o processo de saída da UE com bases claras para evitar a incerteza, prejudicial para o entorno econômico.

As complexas negociações com Bruxelas começarão assim que o governo britânico ativar oficialmente o artigo 50 do tratado de Lisboa, algo que quer fazer antes de março.

A primeira-ministra reconheceu que o setor financeiro precisa de "clareza" sobre como o processo se desenvolverá.

Entretanto, não deu detalhes sobre as duas principais preocupações dos empresários: saber se poderão continuar contratando trabalhadores europeus que possam se instalar livremente na Grã Bretanha e se ainda terão acesso livre e sem barreiras ao mercado europeu.

May se limitou a avançar algumas das medidas orçamentárias, as primeiras após o referendo do Brexit, que seu ministro de Finanças Philip Hammond apresentará na quarta-feira.

Entre elas um aumento de 2 bilhões de libras anuais (2,3 bilhões de euros) até 2020 do orçamento de pesquisa e desenvolvimento, uma medida que servirá para reforçar o objetivo de Londres de se transformar em referência europeia de alta tecnologia.

"Este anuncio é muito positivo. Sempre se pode pedir mais, mas não é pouco" disse Mark Lloyd Davies, um responsável britânico da Johnson & Johnson, que participou da conferência.

A CBI também saudou a medida, considerando-a "um grande passo", ainda mais no setor tecnológico, "em que o Reino Unido tem um atraso em relação a alguns de seus sócios", segundo Rain Newton-Smith, economista da patronal.

Richard Brook, presidente da Associação de Organizações para a Inovação, a Pesquisa e as Tecnologias (Airto), pediu que essa medida "não substitua o financiamento que atá agora vinha da UE".

Em sua intervenção, a premiê britânica também afirmou que seu governo quer construir um sistema fiscal "profundamente pró-inovação" e recordou seu compromisso de rebaixar o imposto de sociedades de 20% a 17%, o nível mais baixo dos países ricos e emergentes do G20.

Outra das possíveis medidas fiscais anunciadas nesta quarta-feira é um plano de investimentos de 1,3 bilhão de libras (cerca de 1,5 bilhão de euros) para renovar as estradas do país.

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