AIE: mercado de petróleo poderá voltar ao equilíbrio em 2017

Paris, 13 dez 2016 (AFP) - O mercado do petróleo poderá começar a voltar ao equilíbrio a partir de 2017, na condição que os principais países petroleiros respeitem seu compromisso de reduzir a produção, indicou a Agência Internacional de Energia (AIE).

"Se a Opep e os países de fora da Opep aplicarem estritamente seu acordo de redução de produção, as reservas mundiais começarão a baixar durante o primeiro trimestre do ano que vem", afirma a organização em seu relatório mensal sobre o petróleo.

A agência, que representa os países consumidores, calcula que a redução da produção poderá alcançar 0,6 milhão de barris por dia (mbd).

Desde 2014, a Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) inundou o mercado para competir com os produtores de petróleo de xisto americanos, fazendo com que os preços caíssem.

Mas, em 30 de novembro passado, deu uma guinada em sua estratégia e concordou em reduzir a produção em 1,2 mbd, ou 32,5 mbd, durante um período de seis meses a partir de janeiro.

Além disso, 11 países produtores que não fazem parte do cartel também se somaram ao acordo e, no sábado passado, concordaram em cortar 558.000 b/d. O maior esforço será da Rússia, com uma diminuição de 300.000 b/d.

Em consequência, a produção do conjunto dos países da Opep, entre eles os Estados Unidos, crescerá apenas 0,2 mbd, menos que os 0,5 mbd previstos até agora.

Para 2015, a produção dos países não-Opep deveria baixar em 0,9 mbd, até um total de 56,8 mbd.

A estratégia parece estar funcionando e, depois do acordo, o Brent passou a ser negociado em torno dos 55 dólares.

"Em caso de êxito, os preços serão reforçados e as rendas dos produtores ficarão estabilizados depois de dois anos difíceis. Mas um fracasso marcará o início de um quarto ano consecutivo de reservas acumuladas e de um possível retorno a preços mais baixos", indica a AIE.

Em novembro, a produção mundial alcançou um nível recorde de 98,2 mbd (470.000 bd a mais que no ano anterior), por isso o esforço de redução poderá ser mais difícil que o previsto.

Os países da Opep produziram esse mês 34,2 mbd, um nível também recorde, que supõe 300.000 bd a mais em relação a outubro e 1,4 mbd mais com relação ao mesmo período do ano passado.

Esta cifra se explica pelo aumento da produção em Angola, na Líbia e na Nigéria, e também na Arábia Saudita, onde a alta foi de 70.000 bd, a 10,63 mbd.

A AIE prevê que o mercado petroleiro também se beneficiará das perspectivas em alta da demanda, impulsionada pela China, que poderá atingir os 11,9 mbd este ano.

Em seu conjunto, o consumo de petróleo em 2016 deve aumentar 1,4 mbd, a 96,3 mbd, e, em 2017, outros 1,3 mbd, até alcançar os 97,6 mbd (superior ao aumento de +1,2 mbd que previa até agora a agência).

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