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Fed eleva taxa de juros antes da posse de Trump

Washington, 14 dez 2016 (AFP) - O Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) elevou as taxas de juros nesta quarta-feira (14), baseando-se em boas perspectivas econômicas antes da chegada de Donald Trump à Casa Branca.

Esta é a segunda alta desde 2008.

Depois de uma reunião de dois dias, o Comitê de Política Monetária do Fed (FOMC) anunciou um aumento de 0,25 da taxa, agora entre 0,50% e 0,75%, o que aumenta o risco de uma alta do custo do crédito nos Estados Unidos.

Foi a primeira reunião desde a vitória de Trump, em 8 de novembro.

Há exatamente um ano, o Fed fez seu primeiro aumento em quase uma década e pôs fim à sua política de taxas nulas aplicada desde 2008 para apoiar a recuperação econômica, após a Grande Recessão de 2008-09, e dar fluidez ao crédito.

Desde dezembro passado, a entidade se recusou a subir novamente as taxas, alegando riscos como o frágil crescimento mundial, os potenciais problemas da ruptura britânica com a UE (Brexit), ou a iminência da eleição presidencial americana.

Como esperavam os mercados, o FOMC parece agora seguro de contar com "provas extras" sobre a melhora da economia dos Estados Unidos - um dado que o Fed considerava necessário para passar à ação.

Aprovada pela unanimidade dos dez membros do FOMC, a decisão reflete as "condições atuais e futuras do mercado de trabalho e da inflação", diz o comunicado do comitê.

O desemprego continua caindo e chegou a 4,6% em outubro, sua menor taxa em nove anos, o que coloca os Estados Unidos perto do pleno emprego - um dos objetivos centrais do Fed.

"O aumento dos postos de trabalho foi sólido nos meses recentes", declarou o FOMC em seu comunicado.

A inflação anual continua avançando progressivamente para a meta de 2% fixada pelo Fed, que espera uma taxa de 1,9% para o ano.

Como dado adicional a esse panorama otimista, o Fed revisou para cima as previsões de crescimento da maior economia do mundo, especialmente para 2017, quando espera que cresça 2,1% contra os 2% esperados há três meses.

O Fed admite, porém, algumas fraquezas. Uma delas é que os investimentos das empresas continuem sendo "frágeis", segundo o comunicado. De qualquer modo, advertiu que o consumo, principal motor do PIB americano, está em "alta".

Pressões políticasDepois dessa alta dos juros, será preciso esperar a reação dos mercados, mas especialmente a de Trump. Durante a campanha à Casa Branca, o magnata acusou o Fed e, em especial sua presidente, Janet Yellen, de manter artificialmente baixas as taxas para favorecer o governo Barack Obama e a candidata democrata na corrida pela Casa Branca, Hillary Clinton.

Trump já prometeu baixar os impostos das empresas e realizar grandes gastos em infraestrutura. Essas medidas podem ser benéficas para a economia, mas são um risco para a saúde das finanças públicas.

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