Maduro adia eliminação da nota de 100 bolívares após protestos

Caracas, 18 dez 2016 (AFP) - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, adiou por duas semanas a eliminação da nota de 100 bolívares, depois que o anúncio de seu fim e a falta de novo papel-moeda provocaram muitos protestos.

Maduro decidiu no sábado prorrogar até 2 de janeiro a vigência dos 100 bolívares e o fechamento das fronteiras com a Colômbia e o Brasil para atacar o que chama de "máfias" que, segundo ele, monopolizavam esta cédula nas zonas limítrofes.

"Tranquilamente podem seguir utilizando para suas compras, suas atividades, a nota de 100. E nos bancos públicos e bancos privados, caixas eletrônicos e tudo, há cédulas", afirmou o presidente em uma reunião com seu gabinete.

Maduro decidiu na semana passada retirar de circulação a nota de 100 bolívares - a de maior presença e valor, equivalente a 0,15 dólar na taxa oficial mais elevada - e deu 72 horas para a troca em bancos públicos e privados.

Ao final do prazo, na quinta-feira, concedeu 10 dias - que depois reduziu a cinco - a partir de sexta-feira para que as pessoas depositassem estas cédulas no Banco Central da Venezuela (BCV).

Mas o BCV fez apenas depósitos eletrônicos nas contas de milhares de venezuelanos angustiados, que formaram longas filas na sexta-feira e sábado para depositar as notas de 100.

A oposição reagiu ao anúncio de sábado. O ex-candidato à presidência Henrique Capriles chamou Maduro de "inepto" e o dirigente Jesús Torrealba criticou o Maduro por ter recuado em sua medida depois de provocado "dor".

- Preocupação com o Natal -A falta de dinheiro às vésperas do Natal aumentou o desespero da população, que já sofre com uma grave escassez de alimentos e remédios, assim como com a inflação de três dígitos, o que exige cartões de débito ou crédito ou muitas notas para fazer uma simples compra.

O mal-estar provocou protestos e saques a lojas em vários pontos do país. Um deputado e um vereador da oposição afirmaram que no estado de Bolívar (sul) os distúrbios deixaram quatro mortos, mas as autoridades oficiais não confirmaram a notícia.

A prefeitura de Ciudad Bolívar, capital deste estado, decretou um toque de recolher, com restrição ao trânsito de "motos, pedestres e veículos particulares" de sábado até a noite de segunda-feira.

O governador de Bolívar, o chavista Francisco Rangel Gómez, informou que 135 pessoas foram detidas pelos saques e oficiais das Forças Armadas foram deslocados para "restabelecer a ordem".

Maduro atribuiu a uma sabotagem internacional o fato de que quatro aviões com as novas cédulas - a maior de 20.000 bolívares - não chegaram a tempo para que entrassem em vigor na quinta-feira, como havia prometido.

Diante do cenário, ele afirmou que decidiu "fazer uma reprogramação da entrada do novo valor monetário", à medida que as notas chegarem à Venezuela, de um país não revelado.

"Vamos anunciar no fim de dezembro quantas notas já temos aqui", disse Maduro, que ordenou a distribuição das novas moedas de 10, 50 e 100 para "reforçar a liquidez e o funcionamento comercial, sobretudo estes dias".

- Fronteiras fechadas -Maduro afirma que "máfias de contrabando e tráfico de dinheiro" que operam em grande parte na fronteira com a Colômbia, mas também com o Brasil, monopolizaram as notas de 100.

Por isto, paralelamente à retirada de circulação deste papel-moeda, fechou as fronteiras com os dois países.

"Reunimos mais de quatro bilhões de cédulas de 100. Era ou não um golpe monetário, um golpe econômico?", completou Maduro, ao anunciar também a prorrogação do fechamento das fronteiras até 2 de janeiro.

De acordo com o presidente, no país "ficavam 5% das notas de 100" e depois de ter ordenado a retirada do domingo passado subiu a "quase 70% de existência física". Ele disse que o "resgate" do papel-moeda foi um êxito.

"Não apenas queimei as mãos das máfias, queimei as mãos dos golpistas", celebrou o presidente, ao afirmar que banqueiros venezuelanos e dirigentes políticos pretendiam dar um "golpe econômico" provocando o caos com a falta de cédulas de 100.

O fechamento da fronteira afetou as pessoas que entravam na Colômbia e Brasil para adquirir produtos escassos, trabalhar ou visitar familiares. Quase 400 pessoas romperam no sábado o cerco militar, segundo a imprensa local.

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