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Brasil fecha 2016 com déficit fiscal e desemprego recordes

Brasília, 31 Jan 2017 (AFP) - O Brasil fechou 2016 com um déficit primário de 2,47% de seu Produto Interno Bruto (PIB), frente a 1,88% em 2015, o pior resultado desde que começou a atual medição há 15 anos, informou o Banco Central.

O desemprego também alcançou um nível recorde em 2016 e continuará crescendo até meados deste ano, à espera de que a redução das taxas de juros e outras medidas pró-mercado revertam a tendência da recessão do país.

O resultado do setor público consolidado de 2016, antes do pagamento de juros da dívida, foi de 155,791 bilhões de reais, o que reflete a profunda crise que atravessa a economia brasileira.

No entanto, o saldo ficou abaixo da meta estabelecida pelo governo, no vermelho de 163,942 bilhões de reais, graças ao aporte extraordinário de uma operação de lavagem de dinheiro no exterior.

Em dezembro, o déficit primário foi de 70,737 bilhões de reais, quase o dobro do de novembro (39,141 bilhões).

A deterioração do último mês do ano foi causada pelos gastos do governo central - Tesouro, Banco Central e Previdência Social -, que registraram um déficit de R$ 64,248 bilhões.

Os governos regionais e as empresa estatais acumularam um déficit de R$ 6,067 bilhões e R$ 422 milhões, respectivamente.

O ministério da Fazenda projeta para este ano um déficit de 139 bilhões de reais apenas no governo central, abaixo dos R$ 154,255 bilhões de 2016.

A melhora do resultado consolidado do ano passado em relação às expectativas do governo obedeceu em boa parte à arrecadação adicional de 24 bilhões de reais do programa de repatriação de ativos não declarados no exterior, segundo explicou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

A dívida bruta do Brasil representou 69,5% do Produto Interno Bruto ao final de 2016, levemente abaixo do registro de novembro (70,5%), mas 4 pontos acima do de dezembro de 2015 (65,5%).

A principal economia latino-americana encolheu 3,8% em 2015 e, segundo as estimativas, teria recuado 3,5% em 2016, o que resultaria em seu primeiro biênio recessivo desde os anos 1930.

Para 2017, o Banco Central projetou um modesto crescimento de 0,8%, enquanto os operadores do mercado esperam uma expansão menor, de 0,5%.

A taxa de desemprego, por sua vez, subiu a 12% no último trimestre de 2016, contra 11,9% no trimestre anterior, um nível recorde desde o início da atual forma de cálculo, em 2012.

Os analistas consultados pela agência Gradual Investimentos apostavam, em média, em uma manutenção da taxa em 11,9%.

No quarto trimestre de 2015, o desemprego era de 9%. Sua piora, de 3%, ocorreu no contexto do segundo ano consecutivo de recessão econômica no país.

No fim de 2014, se situava em 6,5%, praticamente dobrando nestes dois anos.

No período outubro-dezembro de 2016 houve um total de 12,3 milhões de pessoas em busca de emprego no Brasil, 36% a mais (3,3 milhões de pessoas) que no mesmo período de 2015, disse o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O governo de Michel Temer lançou uma série de medidas de austeridade com a intenção de recuperar a confiança dos investidores para reativar a economia, mas a decolagem se anuncia lenta.

O Banco Central reduziu as elevadas taxas de juros adotadas para combater a inflação, mas que inibem o investimento e o consumo.

Os juros caíram de 14,25% em outubro para 13% em janeiro e o mercado espera que caiam para 10,9% este ano, acompanhando a redução de 10,67% em 2015 e 6,29% em 2016, fechando 2017 em 4,70%, de acordo com as projeções de mercado.

"Mas essas medidas ainda não surtiram efeito e o emprego é a última variável que experimentará uma melhora", afirmou Alex Agostini, economista-chefe da consultora Austin Rating.

Isso se deve, explicou, ao fato de que as medidas tendem principalmente a melhorar a produtividade, e, consequentemente, as pessoas empregadas deverão trabalhar mais antes que as empresas possam contratar.

Por isso, o especialista previu que a taxa de desemprego chegará a 13% em maio, antes de começar a cair, para fechar o ano em torno dos 12,5%.

Uma melhoria dos indicadores de confiança na indústria e nos serviços surpreenderam o governo este mês, mas, segundo Agostini, ainda resta ver "se essa grata surpresa é consistente ou momentânea".

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