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Odebrecht apressa saída organizada de projetos públicos no Peru

Lima, 8 Mar 2017 (AFP) - A construtora Odebrecht, envolvida no escândalo de pagamento de propinas no Brasil e em outros países da América Latina, prepara uma saída ordenada de seus projetos no Peru, e apostará por seguir operando no âmbito privado, enquanto for possível.

Depois que a Odebrecht admitiu ter pago 29 milhões de dólares entre 2005 e 2014 no Peru por licitações de obras públicas, o governo de Pedro Pablo Kuczynski aprovou uma lei que impede que qualquer empresa sancionada por atos de corrupção ou que tenha admitido sua participação neles possa ser contratada novamente pelo Estado.

"A posição do governo do Peru não lhes dá margem para continuar. Por isso, se quem concede os projetos não a quer (a Odebrecht), então colocam-se à venda todos os seus ativos que têm no setor público no país. Espera-se que seja uma saída organizada", disse à AFP uma fonte do mercado vinculada à empresa.

A crise gerada pela Odebrecht representa um forte golpe para a sólida economia peruana, que crescerá 3,8% em 2017, um ponto percentual a menos que o previsto. A empresa participa em milionários projetos de infraestrutura no país, no momento paralisados. Algumas obras terão que ser licitadas novamente.

-Projetos gigantescos-A Odebrecht tem deixado projetos no Peru desde 2016 e anunciou a venda de outros desde que a investigação da Lava Jato apontou que os casos de corrupção também ocorreram no país.

Entre os projetos já vendidos estão o de irrigação Olmos (norte) e o fundo de investimentos Brookfield e Suez. Este tipo de operação precisa do aval do governo antes de ser concluída. As novas normas peruanas estabelecem que a Odebrecht deve cumprir primeiro suas obrigações antes de contabilizar os lucros.

Entre as pendências de venda estão a central hidrelétrica Chaglla (centro), avaliada em 1,4 bilhão de dólares, a terceira etapa do projeto de Chavimochic (norte) e duas concessões viárias, entre outros.

"É um tema complexo porque é uma empresa muito grande que tem várias obras em andamento no Peru e o que deve haver é uma saída gradual", disse recentemente o presidente Pedro Pablo Kuczynski em entrevista ao jornal La República.

"O fato de que essa onda de colaborações eficazes e outras revelações seja tão forte tornou impossível uma estratégia de retirada gradual. Estamos vendo como se retiram sem causar danos aos projetos", acrescentou.

Na terça-feira, o presidente assegurou que "grandes empresas de construção" estão interessadas em dar continuidade a essas obras em Peru. Ao voltar em janeiro da cúpula de Davos, o ministro da Economia, Alfredo Thorne, garantiu que várias empresas teriam mostrado seu interesse em substituir a Odebrecht.

- Ramo privado -Uma fonte vinculada à companhia informou à AFP que a Odebrecht se concentrará agora no mercado privado, enquanto for possível permanecer no país.

Os advogados do Estado, entretanto, prometem não dar descanso à empresa. "Vamos determinar o montante da reparação civil. É um prejuízo incalculável (o causado ao país). O dano foi muito grande. Não pretendemos a essa altura negociar com a Odebrecht nem com ninguém", disse recentemente a procuradora anticorrupção, Katherine Ampuero, do Conselho de Defesa Jurídica.

A concessão para a construção de um gasoduto no sul do Peru foi retirada do consórcio integrado pela Odebrecht, pela local Graña y Montero e pela espanhola Enagas por falta de capacidade financeira.

A empreiteira brasileira alega que a sócia Graña y Montero sabia dos pagamentos irregulares, denúncia que resultou na queda das ações da empresa peruana na Bolsa de Valores do país e a renúncia de seu presidente, apesar de a companhia ter negado a acusação.

A Odebrecht também acusou o ex-presidente peruano Alejandro Toledo - hoje procurado pela justiça - de receber 20 milhões de dólares em troca da licitação de uma rodovia.

Também admitiu ter pago 7 milhões de dólares durante a gestão de Alan García para ganhar a concessão de uma linha de metrô, e garante que entregou 3 milhões de dólares para a campanha eleitoral do ex-governante Ollanta Humala. Os advogados do Estado pedem que se investigue Kuczynski diante das suspeitas de que a Odebrecht tenha financiado sua campanha. Todos negam as acusações.

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